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Estudo aponta falta de rastreabilidade na cadeia de carne e soja no país

Levantamento analisa políticas e práticas de grandes empresas do setor de alimentos e identifica lacunas no controle da origem de produtos associados ao desmatamento

A ausência de rastreabilidade completa na cadeia da carne bovina e da soja no Brasil é um padrão identificado entre grandes empresas do setor de alimentos. É o que mostra uma pesquisa recente do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) em parceria com a Mighty Earth. Juntas, as organizações avaliaram os compromissos de Desmatamento e Conversão Zero (DCF) de 14 empresas e varejistas atuantes no país.

A avaliação considerou exclusivamente compromissos públicos divulgados pelas empresas até 27 de outubro de 2025, conforme critérios descritos na metodologia do estudo. As empresas avaliadas foram convidadas a se manifestar sobre os resultados antes da publicação do estudo.

O estudo aponta limitações nos compromissos assumidos e na implementação de mecanismos de rastreabilidade, sobretudo no controle de fornecedores indiretos, etapa da cadeia associada a maior risco de desmatamento. A ausência desses controles dificulta a verificação independente, amplia a possibilidade de práticas de greenwashing e reduz a transparência sobre a origem dos produtos.

Resultados por setor

A análise setorial evidencia diferenças relevantes entre as empresas avaliadas. A JBS, maior empresa de carne do mundo, apresentou o menor desempenho entre as companhias do setor, segundo os critérios adotados no estudo, com limitações relacionadas à rastreabilidade e aos compromissos públicos assumidos.

No setor da soja, o levantamento identifica mudanças nos compromissos divulgados por grandes tradings. A Cargill é citada por tornar menos claros os critérios relacionados às datas de corte e aos anos de referência para o desmatamento, o que dificulta a avaliação externa do cumprimento desses compromissos.

No varejo, o estudo indica a ausência de metas específicas para a cadeia da soja e compromissos restritos para a cadeia da carne. De acordo com a análise, o Grupo Mateus não apresenta compromissos públicos relacionados a desmatamento ou conversão zero.

Os resultados mostram que parte significativa das empresas avaliadas não dispõe de indicadores claros sobre seus compromissos, transparência necessária nas informações e nem mecanismos completos de rastreabilidade capazes de cobrir todas as etapas da cadeia produtiva, especialmente no que se refere a fornecedores indiretos.

Para Samanta Fabbris, analista do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, a falta de compromissos robustos e de rastreabilidade completa aumenta o risco regulatório e compromete a competitividade das empresas. “Sem controle de toda a cadeia produtiva, especialmente dos fornecedores indiretos, o mercado não consegue diferenciar compromissos efetivos de declarações formais, o que afeta decisões de investimento e acesso a mercados”. E acrescenta: “O comprometimento com o desmatamento zero é urgente, é uma questão de segurança alimentar e de responsabilidade planetária, mas também de eficiência econômica. Sem saber exatamente de onde vêm a carne e a soja que chegam ao mercado, aumentam os riscos para quem consome, para quem investe e para o próprio país”.

Cadeias livres de desmatamento e políticas públicas

Em um contexto de crise climática, aumento da fiscalização ambiental e maior exigência internacional por cadeias livres de desmatamento, a rastreabilidade total é um elemento central para a implementação de compromissos ambientais. Dessa forma, o estudo indica que, sem metas claras, prazos verificáveis e transparência sobre resultados, compromissos voluntários apresentam limitações para enfrentar o desmatamento associado às cadeias de carne e soja.

Experiências anteriores demonstram que acordos voluntários, embora relevantes, não são suficientes para garantir mudanças estruturais. A Moratória da Soja, frequentemente citada como referência, mostrou avanços pontuais, mas também evidenciou limitações de alcance e monitoramento ao longo do tempo. O cenário reforça que compromissos empresariais precisam estar acompanhados de políticas públicas robustas, com regras claras, fiscalização efetiva e mecanismos de responsabilização que assegurem rastreabilidade integral e cumprimento das metas ambientais.

Para Mariana Gameiro, assessora sênior da Mighty Earth no Brasil, as falhas das empresas ocorrem justamente quando a Moratória da Soja na Amazônia está sendo enfraquecida, tornando os compromissos de Desmatamento e Conversão Zero ainda mais centrais. “Varejistas e empresas de alimentos precisam usar seu poder de mercado para exigir o cumprimento desses critérios”, afirma. Em meio ao agravamento da crise climática, Gameiro alerta que, sem ação concreta do setor, milhões de hectares podem ser perdidos. “A Amazônia não pode ser sacrificada em nome do lucro.”

Ao sistematizar essas informações, o levantamento contribui para o debate público sobre a necessidade de políticas mais robustas de controle, transparência e responsabilização corporativa, além de instrumentos públicos que assegurem a implementação efetiva de cadeias produtivas livres de desmatamento.

Sobre o Idec: Fundado em 1987, o Idec é uma associação de consumidores sem fins lucrativos e independente. Nossa missão é defender os direitos de consumidores cidadãos e promover relações de consumo mais éticas, justas e transparentes para a sociedade.

Sobre a Mighty Earth: Organização global de advocacy que atua para defender um planeta vivo. Nosso objetivo é proteger a natureza e garantir um clima que permita que a vida prospere, promovendo mudanças transformadoras ao persuadir grandes setores industriais a reduzir de forma significativa o desmatamento e a poluição climática em suas cadeias globais de fornecimento, especialmente nas áreas de óleo de palma, soja, pecuária, borracha e cacau, ao mesmo tempo em que contribui para melhorar a qualidade de vida de comunidades locais em regiões tropicais.


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