Semana do Sono: neurologistas alertam para o desmame seguro de sedativos
Higiene do sono e terapias não farmacológicas estão entre as orientações para uma boa noite de sono
De 13 a 19 de março, o Brasil promove a Semana do Sono 2026, realizada anualmente em todo território nacional com o objetivo de levar à população informações qualificadas e as últimas pesquisas sobre o tema, sob o lema "Durma bem, viva melhor". A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) tem atuação importante durante o evento, reforçando que constantemente vem publicando diretrizes atualizadas sobre distúrbios do sono, sendo a mais recente sobre o uso racional de medicamentos indutores do sono, bem como atual na educação em sono, reforçando a importância da higiene do sono e consolidando o papel de seu Departamento Científico (DC) de Sono na orientação de médicos e pacientes.
Dormir bem é uma necessidade básica fundamental para a saúde do corpo e da mente, sendo essencial para processos como a consolidação da memória, equilíbrio hormonal, recuperação de tecidos e regulação do humor. No entanto, cerca de 45% dos brasileiros relatam algum problema de sono, o que tem levado a um crescimento exponencial no consumo de hipnóticos.
O DC de Sono da ABN, sob coordenação do Dr. Paulo Afonso Mei, alerta especialmente para o uso prolongado das "Drogas Z" (como zolpidem e eszopiclona). Embora eficazes a curto prazo, essas substâncias podem gerar dependência e riscos à saúde, especialmente quando utilizadas sem prescrição para mascarar sintomas de insônia crônica — condição que atinge quem apresenta dificuldades para dormir ao menos três vezes por semana por mais de três meses.
O papel educativo e os riscos da privação
A privação do sono ou um descanso de má qualidade afeta diretamente o desempenho intelectual, a atenção e o raciocínio lógico, além de aumentar o risco de doenças como diabetes, hipertensão arterial, obesidade, depressão e problemas cardiovasculares. O uso inadequado de sedativos pode, inclusive, agravar distúrbios como a Apneia Obstrutiva do Sono, que atinge 33% da população adulta.
"Nosso objetivo é combater a cultura da automedicação e do uso crônico de sedativos. O tratamento da insônia deve ser estruturado, priorizando a causa do distúrbio e não apenas o sintoma", afirma o Dr. Mei.
Pilares das diretrizes da ABN:
Protocolo de Desmame: Orientações para a redução gradual de dosagem, evitando a insônia de rebote e crises de ansiedade.
Foco na Higiene do Sono: Resgate de hábitos naturais que preparam o cérebro para o repouso. A cartilha da Semana do Sono recomenda práticas como manter rotina regular de horários, evitar telas de 1 a 2 horas antes de deitar e não consumir cafeína nas 6 horas anteriores ao sono.
Terapia Não Farmacológica: Incentivo a terapias eficazes como a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (TAC), como primeiras linhas de tratamento.
Avaliação de Distúrbios: Alerta para sinais como sonolência diurna excessiva, roncos, engasgos noturnos e cansaço persistente, que exigem avaliação profissional.
Durante toda a semana, especialistas da ABN estarão à disposição para esclarecer dúvidas sobre estratégias práticas para recuperar o ciclo circadiano e os perigos do uso indiscriminado de medicações sedativas.
Para mais informações sobre a Semana do Sono, acesse o link: Semana do Sono - Semana do Sono 2026
Sobre a ABN
Fundada em 1962, a Academia Brasileira de Neurologia é uma das principais entidades médicas do país, reunindo mais de 5 mil neurologistas. Entre suas missões estão a promoção da educação médica contínua, o desenvolvimento científico e o cuidado com a saúde neurológica da população brasileira.
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