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Autoridade feminina em ambientes dominados por homens exige competência sob constante validação

Marília Rocca, Lígia Lopes e Isis Abbud. Créditos: divulgação. Marília Rocca, Lígia Lopes e Isis Abbud. Créditos: divulgação.

À frente de negócios e equipes, executivas de diferentes setores analisam barreiras e oportunidades do mundo corporativo

Apesar dos avanços na presença feminina em cargos de liderança, a construção da autoridade das mulheres em ambientes corporativos ainda é marcada por desafios estruturais e culturais. Segundo o relatório Women in the Workplace 2025, realizado pela McKinsey & Company em parceria com a LeanIn.Org, cerca de 20% das companhias entrevistadas afirmaram não contar com políticas estruturadas para promover o avanço das mulheres, reflexo do recuo na agenda corporativa de diversidade, equidade e inclusão. Além disso, 10% declararam ter reduzido ou encerrado programas de apoio, desenvolvimento de carreira e treinamentos em diversidade no último ano.

Nesse cenário, a competência deixa de ser apenas um pré-requisito e passa a ser um atributo constantemente colocado à prova. A necessidade recorrente de reafirmar decisões, validar conhecimentos técnicos e sustentar legitimidade evidencia a persistência de vieses que impactam não apenas a trajetória dessas lideranças, mas também a saúde organizacional como um todo.

A seguir, seis líderes analisam como lidaram com os desafios de construção de carreira, bem como ter voz ativa nas discussões estratégicas, e como a cobrança desproporcional influencia a consolidação de seu espaço nas decisões:

Marília Rocca, CEO da Funcional, pioneira e líder em programas de acesso e adesão em saúde no Brasil

“Durante muito tempo, o fato de eu ser mulher não foi a questão central da minha trajetória, e sim a idade: aos 21 anos, eu já estava na diretoria do Walmart e sempre muito focada em fazer o que queria, sem partir do pressuposto de que não poderia ocupar determinados espaços. O momento em que realmente parei para refletir sobre a dimensão da minha autoridade foi quando uma funcionária da TOTVS me parou na rua para dizer que achava incrível eu ocupar uma posição de ‘VP de verdade’, fora das áreas tradicionalmente associadas às mulheres, como RH ou Jurídico. Ali percebi que tinha rompido uma bolha e que minha trajetória representava algo maior do que uma conquista individual. Para mim, diversidade na liderança não é apenas uma questão de gênero, mas de incorporar diferentes realidades, mentalidades e repertórios, e essa pluralidade, no fim, gera decisões mais consistentes e resultados melhores para as empresas”, destaca a executiva.

Lígia Lopes, CEO da Teros, plataforma de hiperautomação inteligente para decisões financeiras

“Percebi que tinha autoridade nas discussões estratégicas quando entendi que minha contribuição ia além do conhecimento técnico, era a capacidade de ouvir diferentes perspectivas e conectar variáveis para orientar decisões. Ainda assim, já vivi situações em que, após uma explicação técnica minha, a pergunta foi direcionada ao homem ao meu lado, ou em que uma ideia só foi validada quando repetida por ele. O lado positivo é que, com confiança, firmeza e consistência, dá para inverter esse padrão: você sustenta o ponto, mostra domínio e, aos poucos, educa o ambiente para te reconhecer como referência. Para mim, autoridade é a soma de conhecimento e experiência, e ela se consolida quando o ambiente passa a reconhecer, de forma consistente, a segurança das decisões que você propõe”, aponta a CEO da Teros.

Isis Abbud, CO-CEO da Qive, líder do Contas a Pagar no Brasil

Para Isis Abbud, CO-CEO e cofundadora da Qive, plataforma líder do Contas a Pagar, liderança feminina não se prova pelo tom de voz, mas pela capacidade de construir resultado e de transformar estruturas. "Mulheres ainda são julgadas pelo ‘tom’ antes de serem julgadas pela entrega. Eu não romantizo isso e nem tento me moldar: construo autoridade com consistência, clareza e resultado. Isso ocorre por um problema estrutural e cultural. A forma de mudar de vez essa realidade é começar dentro de casa, com os jovens, meninos e meninas, aumentar referências, mostrar possibilidades, permitir erros, abrir o leque. Agora, no mercado de trabalho, temos sim coisas que podem mudar o jogo que fogem do 'discurso padrão de diversidade'. Precisamos de sistema: contratação bem feita, desenvolvimento, critérios claros e acesso a oportunidades de alta performance. Hoje, na Qive, 50% do time é formado por mulheres; 70% delas estão em posições sênior, e 46% da liderança é ocupada por mulheres. E, para ajudar na raiz do problema, eu faço questão de puxar isso para fora também: o VOA, por exemplo, é um projeto que eu acompanho de perto, com uma imersão prática em tecnologia e liderança para jovens meninas em situação de vulnerabilidade, apoiada por voluntárias e referências femininas do mercado. Inspiração ajuda, mas o que muda a trajetória é oportunidade”, enfatiza a fundadora.

Nara Iachan, CMO e cofundadora da Loyalme, startup que nasceu dentro da Cuponeria para oferecer soluções de fidelização

“Quando iniciei minha trajetória empreendedora, o ecossistema de startups no Brasil ainda era embrionário, e encontrar mulheres em posições de liderança era um desafio real. Faltavam referências femininas nas quais pudéssemos nos espelhar, e os espaços de empreendedorismo eram majoritariamente ocupados por homens. Embora hoje já seja possível perceber uma mudança gradual, com mais mulheres assumindo cargos estratégicos, as barreiras ainda são significativas. Por isso, fortalecer uma rede de apoio entre nós é essencial. Ver mulheres ocupando posições como CEO, CMO, gerentes ou qualquer outro cargo de gestão não representa apenas inspiração para aquelas que desejam chegar lá. Representa também suporte para as que já estão nesses espaços, criando um ambiente seguro para compartilhar desafios, trocar experiências e construir soluções coletivas. É essa conexão que nos fortalece e nos impulsiona a seguir abrindo caminhos”, reflete a executiva.

Talita Castro, CEO do PiniOn, empresa de pesquisa de mercado especializada em dados competitivos e comportamentais

Para se destacar, especialmente sendo mulher, é fundamental combinar visão estratégica com alta capacidade de adaptação. O mercado exige inovação constante, e a habilidade de transformar informações em ações acertadas é o que realmente impulsiona a expansão e consolida o espaço competitivo. Ser uma CEO em um ambiente ainda predominantemente masculino é, ao mesmo tempo, desafio e oportunidade. Desafio porque exige resiliência e firmeza diante de estruturas historicamente consolidadas. Oportunidade porque cada espaço conquistado amplia caminhos para que outras mulheres também ocupem posições de liderança, fortalecendo um ecossistema mais diverso, inovador e sustentável”, destaca Talita.

Aline Pupim, CXO da Idea Maker, fintech que desenvolve soluções para e-commerce de produtos com venda incentivada

Atuar em uma posição de liderança em uma empresa de tecnologia no Brasil é exercer competência em um ambiente ainda majoritariamente masculino.

Na prática, meus desafios diários passam por construir autoridade sem abrir mão de quem eu sou, me posicionar com clareza e conquistar espaço nas discussões estratégicas. Sustentar esse espaço exige aprendizado contínuo, decisões embasadas em dados e consistência na entrega de resultados, além do desenvolvimento de habilidades decisivas como pensamento analítico, resiliência, flexibilidade e criatividade, competências que me permitem lidar com múltiplas demandas sem perder a visão estratégica. Em um setor marcado por rápidas transformações, liderar é transformar consistência em credibilidade e presença em autoridade, abrindo caminhos para que mais mulheres ocupem, com legitimidade, os espaços de decisão”, pontua a CXO da Idea Maker.


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