Escritórios contábeis se preparam para mudanças no Simples Nacional
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Nathália Bellintani
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Por Fred Amaral
O Simples Nacional surgiu para simplificar a rotina tributária das empresas. Na prática, contudo, muitos escritórios ainda lidam com uma apuração que consome tempo demais da equipe, exige conferências repetidas e depende de planilhas, controles paralelos e dados espalhados. Com a Reforma Tributária, essa rotina passa a exigir outro nível de análise, principalmente no atendimento aos negócios que atuam no modelo B2B.
Com a entrada do IBS e da CBS, os escritórios passam a olhar com mais atenção para as cadeias de clientes e fornecedores de cada negócio. Muitos contribuintes vão começar a avaliar com mais cuidado esses créditos que conseguem aproveitar nas compras, o que interfere na relação comercial das optantes pelo Simples que vendem para outras pessoas jurídicas. Se uma parte relevante da receita vier de clientes que precisam desses créditos, permanecer nesse regime pode deixar de fazer sentido. Nesses casos, apurar o IBS e a CBS pelo regime regular passa a ser um caminho que o escritório precisa avaliar com o cliente.
Essa avaliação deixa de ficar restrita à alíquota e ao faturamento. O escritório terá que entender a composição da receita, o perfil dos clientes e os efeitos que esses créditos terão nessa relação comercial. E esse raciocínio não termina nas vendas. Se houver migração para o regime regular, o cliente também vai precisar de créditos nas próprias aquisições, o que obriga o escritório a olhar a cadeia de fornecedores com mais cuidado, identificando quais compras geram créditos e quais fornecedores fazem mais sentido dentro dessa nova lógica.
Nesse contexto, a classificação fiscal dos produtos e dos serviços ganha muito mais peso, porque é ela que sustenta a tributação correta do IBS e da CBS, inclusive com a aplicação das reduções de alíquota previstas na LC 214/2025. Se a classificação vier errada, o contribuinte pode tributar a mais, deixar tributo para trás ou tomar decisões ruins ao avaliar o regime tributário e a própria organização da cadeia.
Por isso, os escritórios precisam ir além da apuração manual e da automação isolada do fechamento. Automatizar a rotina do Simples Nacional ajuda, mas isso não resolve o problema se a base de classificação fiscal continuar errada e se a equipe não conseguir revisar o histórico com segurança. O escritório precisa de uma estrutura que organize a base, apoie a classificação, permita revisar os últimos cinco anos e use essas mesmas informações para simular os cenários da Reforma Tributária com consistência.
Segundo um estudo conduzido pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, o IBPT, mais de 70% das empresas optantes pelo Simples Nacional atuam no modelo B2B. São elas que tendem a sentir com mais força essa mudança, porque a discussão deixa de ficar restrita à carga tributária e passa a envolver a necessidade de geração de créditos, a competitividade e a revisão da cadeia comercial.
Com isso, também muda o tipo de trabalho que o escritório entrega. Em vez de concentrar a equipe em tarefas repetitivas, conferências manuais e controles espalhados, ele pode usar a tecnologia para padronizar a operação e liberar tempo para serviços que pesam mais nas decisões dos clientes. Entram aí serviços como a revisão da cadeia de clientes e fornecedores, o apoio na classificação fiscal dos produtos e na parametrização dos sistemas, além dos estudos de cenários no período de transição da Reforma Tributária.
Esse tempo liberado permite que o escritório atue com mais profundidade naquilo que os clientes vão precisar discutir daqui para frente. Em muitos casos, a pergunta já não será apenas quanto eles pagam hoje, mas qual regime faz mais sentido, quais clientes precisam ser preservados, quais fornecedores ajudam a gerar créditos e como a classificação fiscal precisa ser tratada para sustentar essa operação com menos exposição a erro.
Para os clientes, os ganhos aparecem na capacidade de tomar decisões tributárias e comerciais com mais segurança. Com uma base mais organizada, classificações fiscais mais consistentes e estudos de cenários no período de transição, eles conseguem avaliar com mais clareza se vale permanecer no Simples ou migrar para o regime regular de IBS e CBS. Também passam a entender melhor quais clientes precisam preservar, quais fornecedores ajudam a gerar créditos e como essas escolhas afetam a carga tributária e a competitividade no mercado.
Para os escritórios, o ganho aparece na capacidade de sair de uma rotina concentrada no operacional e assumir um papel mais consultivo. Ao organizar a base, revisar a cadeia de clientes e fornecedores, apoiar a classificação fiscal dos produtos, orientar a parametrização dos sistemas e estudar os cenários da transição, eles passam a entregar um trabalho que ajuda os clientes a decidirem melhor e abre espaço para novos honorários ligados a essa atuação mais estratégica.
Com as mudanças que já estão em andamento no sistema tributário brasileiro, tratar a apuração do Simples como uma rotina isolada e apenas operacional deixou de ser suficiente. Os escritórios que conseguirem organizar a base, revisar o histórico, analisar as cadeias de clientes e fornecedores e simular com clareza os efeitos do IBS e da CBS estarão mais preparados para orientar os seus clientes em decisões que afetam os preços, as margens, os créditos e a competitividade.
Fred Amaral é CEO da e-Auditoria, empresa de tecnologia especializada em auditoria digital.
Sobre a e-Auditoria
A e-Auditoria é uma empresa de tecnologia especializada em auditoria digital. Sua plataforma traz segurança e agilidade na detecção de inconsistências nas declarações contábeis, fiscais e trabalhistas, o que reduz o risco de multas e autuações, além de identificar tributos recolhidos indevidamente pelas empresas, possibilitando a recuperação de créditos. Hoje, essa mesma base de inteligência fiscal também serve de infraestrutura para a automação de processos, para a revisão estruturada dos últimos cinco anos e para as simulações da Reforma Tributária em empresas de todos os portes.
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