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Equidade parental ganha espaço como caminho para o futuro das lideranças

 Jhony Karic Jhony Karic

Por Barbara Nogueira

Durante 10 anos trabalhando como headhunter e acompanhando de perto a trajetória de executivos e executivas, aprendi que muitas das decisões que moldam carreiras não acontecem apenas dentro das empresas. Elas começam dentro de casa. A forma como as responsabilidades familiares são divididas ainda exerce uma influência direta e muitas vezes silenciosa sobre o desenvolvimento profissional de homens e mulheres.

A chamada equidade parental, tema cada vez mais presente nas discussões corporativas e sociais, trata justamente disso: da divisão mais equilibrada das responsabilidades relacionadas ao cuidado com os filhos. E embora o debate venha avançando, ainda existe um longo caminho a percorrer.

Historicamente, a sociedade construiu um modelo em que o cuidado foi associado quase exclusivamente à mulher. Esse padrão se reflete em estruturas que ainda permanecem, como a diferença entre licença-maternidade e licença-paternidade, além de expectativas culturais que, muitas vezes, continuam colocando nas mulheres a maior parte da responsabilidade pela gestão da vida familiar.

Na prática, essa realidade também se reflete no mundo corporativo. No dia a dia, acompanhando decisões estratégicas de carreira, movimentações de executivos e processos seletivos para posições de liderança, é possível perceber, muitas vezes de forma sutil, como essa divisão histórica de papéis ainda influencia o ritmo de crescimento profissional, a percepção de disponibilidade e até as oportunidades que surgem ao longo da trajetória.

Mas tenho observado um movimento positivo. Quando as decisões e responsabilidades relacionadas aos filhos são, de fato, compartilhadas dentro das famílias, o cenário muda. O peso de conciliar carreira e vida familiar deixa de recair sobre apenas uma pessoa, e o equilíbrio passa a ser mais possível para todos. Esse movimento não beneficia apenas as mulheres: ele fortalece a estrutura familiar como um todo e cria um ambiente mais saudável para o desenvolvimento profissional de ambos os pais.

Do ponto de vista de capacidade, não existe diferença entre homens e mulheres quando falamos de liderança, tomada de decisão ou desenvolvimento de carreira. São competências que podem ser aprendidas, treinadas e aprimoradas ao longo do tempo, independentemente de gênero.

A única diferença real está no aspecto biológico: a gestação e a amamentação. Fora isso, não há nenhuma limitação que determine que um dos lados seja naturalmente mais apto para cuidar dos filhos ou para desenvolver uma carreira profissional.

Apesar disso, a equidade parental ainda não é uma realidade consolidada. Em muitos contextos, ela sequer chega a ser uma opção clara. O peso de padrões culturais e estruturas históricas ainda influencia escolhas, expectativas e políticas corporativas.

Por isso, o papel das empresas se torna cada vez mais relevante nesse processo. Organizações que começam a discutir modelos mais equilibrados de licença parental, políticas de flexibilidade e uma cultura que valorize igualmente o papel de pais e mães contribuem diretamente para um ambiente mais justo e sustentável de desenvolvimento de talentos. Não se trata apenas de uma pauta social. Trata-se também de uma decisão estratégica.

Empresas que oferecem oportunidades semelhantes de crescimento para homens e mulheres fortalecem suas lideranças e ampliam a diversidade de perspectivas nas decisões. A equidade parental não elimina os desafios, mas cria condições mais equilibradas para enfrentá-los. E a experiência mostra algo simples: quando o cuidado é compartilhado, todos ganham: famílias, empresas e as próximas gerações.

*Bárbara Nogueira é Diretora, Career Advisor & Headhunter da Prime Talent, Conselheira de Administração pela Fundação Dom Cabral e do ChildFund Brasil.


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