Futuro do trabalho exige líderes mais conscientes e preparados para mudanças
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Vitor Andrade
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Por Marco Poiatti, Superintendente do CSC do Einstein Hospital Israelita e Diretor de Gente & Sustentabilidade da Associação Brasileira de Serviços Compartilhados (ABSC)
Nasci na década de 70 e vivi um tempo em que pesquisar significava depender do que estava fisicamente ao meu redor: um livro disponível, a opinião de um professor, uma enciclopédia. Depois veio a internet e ampliou o acesso à informação. Hoje, com a inteligência artificial, basta um bom comando para receber análises estruturadas em segundos.
Não se trata apenas de velocidade. Trata-se de uma mudança profunda na equação do tempo.
Estudo recente da PwC mostrou que 71% dos profissionais brasileiros já utilizaram alguma ferramenta de IA no trabalho, e 80% deles reconhecem ganhos em qualidade e rapidez. Isso significa que a tecnologia já está integrada ao cotidiano corporativo. O futuro do trabalho não é uma previsão para 2030 — ele já está em curso.
A questão central não é se a IA aumenta a produtividade. Ela aumenta.
A pergunta relevante é: o que fazemos com o tempo que passa a sobrar?
Em ambientes como os Centros de Serviços Compartilhados, historicamente orientados por eficiência, padronização e análise de dados, a inteligência artificial acelera atividades repetitivas, automatiza rotinas e organiza informações com precisão impressionante. O que antes exigia semanas de consolidação pode ser resolvido em minutos.
Mas dados organizados não substituem o discernimento.
O líder que antes era valorizado por deter respostas técnicas agora precisa desenvolver outra competência: formular boas perguntas. A qualidade do input define a qualidade do resultado. E, mais importante, a responsabilidade pela decisão continua sendo humana.
Há dois riscos evidentes nesse novo cenário.
O primeiro é confundir velocidade com pressa.
O segundo é acreditar que tecnologia substitui liderança.
Quanto mais automatizamos processos, maior se torna a necessidade de pensamento crítico, leitura de cenário, comunicação clara e capacidade de construir relações de confiança. A inteligência artificial amplia possibilidades, mas não assume responsabilidade. Não constrói cultura. Não engaja pessoas.
Outro movimento irreversível é a mudança na relação das pessoas com o trabalho. Carreiras deixaram de ser necessariamente lineares. Propósito ganhou peso. Ambientes de comando e controle perdem espaço para lideranças que sabem equilibrar empatia e exigência.
Empatia não significa permissividade. Significa compreender o que move cada profissional e ajustar a condução para extrair o melhor desempenho. Em um contexto de alta automação, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na eficiência operacional e passa a estar na qualidade das interações humanas.
Para organizações que operam estruturas complexas, multidisciplinares e altamente orientadas a desempenho, o desafio não é apenas investir em tecnologia. É investir simultaneamente no desenvolvimento das pessoas que irão utilizá-la.
Mais IA exige mais maturidade de liderança.
Mais automação exige mais capacidade relacional.
Mais dados exigem mais consciência.
O futuro do trabalho já começou. As organizações que terão melhores resultados serão aquelas que compreenderem que tecnologia e humanização não são forças opostas, são complementares.
E que, no final, o verdadeiro diferencial competitivo continua sendo humano.
*Marco Poiatti é executivo com ampla experiência em gestão corporativa, excelência operacional e desenvolvimento de lideranças, com atuação destacada na estruturação e evolução de Centros de Serviços Compartilhados no Brasil. Atualmente, é Superintendente do CSC do Einstein Hospital Israelita e Diretor de Gente & Sustentabilidade da Associação Brasileira de Serviços Compartilhados (ABSC)
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