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Mulheres lideram crescimento de pequenos negócios digitais nas redes sociais

Comércio eletrônico cresce dois dígitos no país e avanço do social commerce fortalece protagonismo feminino às vésperas do Dia Internacional da Mulher

O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 204,3 bilhões em 2024, crescimento de cerca de 10% em relação ao ano anterior, segundo estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). A entidade projeta que o setor continue em expansão em 2025, impulsionado pela consolidação do social commerce e pela ampliação das vendas em redes sociais. Ao mesmo tempo, o social commerce deve crescer até três vezes mais rápido que o e-commerce tradicional até 2026, de acordo com relatório da Accenture. Em meio a essa expansão, mulheres têm liderado a abertura e a consolidação de pequenos negócios digitais no Brasil, movimento que ganha destaque na construção de pautas para o Dia Internacional da Mulher.

Dados do Sebrae, com base em levantamentos mais recentes do empreendedorismo no país, indicam que as mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores brasileiros, somando mais de 10,3 milhões de donas de negócio. No universo do microempreendedor individual, elas respondem por aproximadamente 48% dos registros ativos, com forte presença em segmentos como moda, beleza e acessórios, categorias que encontraram nas redes sociais um canal direto de vendas.

Para Sabrina Nunes, fundadora da Francisca Jóias e especialista em vendas na internet, a combinação entre flexibilidade, baixo investimento inicial e uso estratégico das plataformas digitais explica esse avanço. “O digital reduziu barreiras. Hoje é possível começar pequeno, testar produto, validar oferta nas redes e escalar conforme a demanda. Isso trouxe autonomia financeira para muitas mulheres”, afirma.

A flexibilidade aparece como fator central. Segundo o IBGE, mulheres dedicam quase o dobro do tempo que os homens aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas. A possibilidade de empreender a partir de casa, com horários ajustáveis, tornou o comércio eletrônico alternativa concreta de geração de renda. “A loja online permite adaptar a rotina sem abrir mão de faturamento. É uma estrutura mais leve para quem precisa conciliar múltiplas responsabilidades”, diz.

O crescimento do social commerce amplia essa oportunidade. Estudos mostram que mais de 70% dos consumidores já foram influenciados por vídeos com recomendação direta na decisão de compra. Para Sabrina, a dinâmica favorece quem entende de comunidade e relacionamento. “Humanização sempre. A plataforma não é só um e-commerce nem só uma rede social. Ela prioriza vídeos autorais, feitos com pouca edição e, de preferência, dentro do próprio aplicativo. Quem entende isso sai na frente”, afirma.

A empresária relata que, dentro do TikTok Shop, chegou a registrar picos de 700 pedidos em um único dia. A experiência revelou o potencial de escala do canal e a importância da estrutura. “Quando um vídeo viraliza, você precisa estar preparada para atender. O segredo é ter profundidade de produto e organização de estoque. Se quer escalar, precisa se comportar como quem está pronto para escalar”, diz.

Segundo ela, lives também se tornaram ferramenta estratégica para mulheres que estão começando. Na Francisca Joias, há uma vendedora exclusiva para transmissões diárias na plataforma. “Live é um canal poderoso de conexão e venda. Uma aluna minha, que nunca tinha feito live, faturou 91 mil reais no primeiro mês vendendo cosméticos no TikTok, sem nem ter site”, afirma.

Outro diferencial apontado por Sabrina é o uso de afiliados como multiplicadores de alcance. “O poder de viralização não está só na produção interna. Está nos parceiros afiliados. É como aquelas revistas antigas em que cada vendedora vendia um batom. Agora imagine isso na internet, com cada vídeo tendo potencial de vender”, compara.

Para ela, o erro mais comum entre pequenos lojistas é não consumir conteúdo na própria plataforma. “Você só enxerga oportunidades quando está inserida no ambiente. Recomendo que minhas mentorandas consumam pelo menos 30 minutos por dia, participem de lives e entendam o processo como consumidoras”, afirma.

Com mais de 15 anos de atuação exclusivamente online, a Francisca Joias nasceu antes da consolidação das redes sociais como canal de vendas e cresceu acompanhando cada nova ferramenta digital. A empresária avalia que o protagonismo feminino no comércio eletrônico deixou de ser tendência pontual. “Não é renda extra. Muitas mulheres estão estruturando empresa, aprendendo margem, funil, estoque. O e-commerce virou negócio de verdade”, diz.

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o avanço dos pequenos negócios digitais liderados por mulheres se conecta a uma transformação estrutural do mercado. “A oportunidade está aberta. Informação, preparo e estratégia definem quem vai transformar crescimento de mercado em expansão sustentável”, conclui Sabrina.

Sobre Sabrina Nunes

Sabrina Nunes é CEO e fundadora da Francisca Jóias, considerada a maior loja online de semijoias do Brasil. Atua no mercado digital desde 2011 e acumula 14 anos de experiência em grandes operações de vendas, especialmente no período de Black Friday. Desenvolveu estratégias práticas e validadas para aumentar o faturamento no varejo online, formando e mentorando mais de 36 mil mulheres que hoje empreendem com produtos físicos na internet. Hoje, dedica-se a ensinar empreendedoras a venderem de forma estruturada, acessível e orientada a resultados.


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