Apenas 25% dos jovens brasileiros têm diploma universitário
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Andrea Berzotti
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Índice é metade da média dos países desenvolvidos e, para especialista, evidencia desafios estruturais a serem enfrentados para acesso ao ensino superior no país
O acesso ao ensino superior ainda representa um dos principais desafios para o desenvolvimento educacional e econômico do Brasil. Segundo levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com dados de 2025, apenas 24% dos jovens brasileiros entre 25 e 34 anos possuem diploma universitário, índice que corresponde à metade da média registrada nos países da OCDE, que é de 48%.
Os números revelam um atraso significativo quando comparados ao desempenho de outras nações. Em países como Coreia do Sul, por exemplo, cerca de 70% dos jovens adultos concluíram o ensino superior, demonstrando o papel estratégico da educação na competitividade econômica global.
Mesmo no contexto latino-americano, o Brasil apresenta resultados abaixo de algumas economias da região. Peru (50%), Chile (41%) e Colômbia (35%) possuem proporções mais elevadas de jovens com diploma universitário. O país supera apenas a Argentina (19%), mas permanece distante de um cenário considerado ideal para economias emergentes.
Desafio para o País
Apesar do desafio, o país apresentou avanços na última década. Em 2013, apenas 15,8% da população entre 25 e 34 anos tinha ensino superior completo. Hoje, o percentual indica crescimento de pouco mais de 8 pontos no período.
Segundo o especialista em avaliação e regulação da educação superior, avaliador do Inep/MEC e CEO da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo, Antonio Esteca, que também é Doutor em Psicologia, os dados mostram progresso, mas ainda revelam um desafio para o país. “O Brasil enfrenta um desafio estrutural crítico para o seu desenvolvimento: o acesso ao ensino superior. Mesmo com o crescimento recente, ainda estamos muito distantes da média dos países desenvolvidos e de alguns vizinhos latino-americanos que investiram mais rapidamente na formação acadêmica de sua juventude”, afirma Esteca.
Desigualdades persistentes
Os dados também revelam diferenças importantes no acesso à universidade dentro do próprio país. As regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam índices de escolaridade superior acima da média nacional, enquanto todos os estados do Nordeste permanecem abaixo desse patamar. Para o especialista, essas desigualdades regionais e sociais demonstram a “necessidade de políticas educacionais capazes de ampliar o acesso e garantir maior inclusão no ensino superior”.
Outro fator relevante é a disparidade de gênero. Entre os jovens de 25 a 34 anos, 28,2% das mulheres possuem diploma universitário, enquanto entre os homens o percentual é de 20,7%. Para Esteca, esse cenário revela uma mudança consistente no perfil do ensino superior no país. “As mulheres têm buscado qualificação de forma estratégica, ampliando sua presença nas universidades e também em áreas que historicamente eram ocupadas majoritariamente por homens. Esse movimento impacta o mercado de trabalho, a renda e a dinâmica das organizações, e exige que as instituições estejam preparadas para oferecer formação conectada com essas transformações”, afirma.
Educação a distância impulsiona expansão
Nos últimos anos, a educação a distância (EAD) tem sido um dos principais motores de crescimento do acesso à graduação no país, permitindo que estudantes conciliem estudos, trabalho e deslocamentos em regiões com menor oferta de instituições presenciais. “Ao contrário de restringir o acesso a esse formato de ensino superior, as políticas públicas devem valorizá-lo e incentivar a melhoria contínua da qualidade, independentemente do modelo de oferta”, observa Antonio Esteca.
Segundo ele, ampliar o acesso ao ensino superior é uma estratégia essencial para o desenvolvimento econômico e social. “A taxa de conclusão de cursos superiores é um dos principais indicadores internacionais de desenvolvimento educacional e reflete diretamente o potencial de inovação e produtividade de um país. Para que o Brasil possa competir globalmente, precisamos continuar ampliando esses índices e reduzir as desigualdades regionais que ainda limitam o acesso à universidade”, conclui.
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