NR-1 atualizada amplia dever das transportadoras com saúde mental dos trabalhadores em 2026
Nova fase da norma passa a ter caráter punitivo a partir de maio deste ano e exige que empresas incluam riscos psicossociais no gerenciamento formal de Saúde e Segurança do Trabalho
A partir de maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a ser fiscalizada com caráter punitivo, ampliando a responsabilidade das empresas na identificação e gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A exigência, que já estava prevista desde 2025 em caráter orientativo, determina que fatores relacionados à saúde mental passem a integrar formalmente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
No Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), o impacto é direto. O setor opera sob pressão constante por prazos, longas jornadas, responsabilidade sobre cargas de alto valor e atividades que se estendem por estradas, terminais e pátios de embarcadores. Esse contexto amplia a exposição a fatores como estresse, exaustão emocional e conflitos interpessoais, que agora passam a ser considerados oficialmente como riscos ocupacionais.
Para a presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (SETCESP) e diretora da Seção II – Cargas da CNT, Ana Jarrouge, a mudança representa mais do que uma adequação documental. “A nova NR-1 não trata apenas de burocracia. Ela nos chama a olhar com mais responsabilidade para saúde mental, clima organizacional e qualidade das relações. O que antes era visto como característica do setor agora pode gerar passivo jurídico, afastamentos e questionamentos previdenciários”, afirma.
A norma exige que as empresas adotem um processo estruturado para identificar fatores de risco psicossociais relacionados à organização do trabalho, comunicação, cobranças, metas e dinâmica das equipes. Esses fatores deverão ser registrados no PGR ou na Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando necessário, articulados com a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), prevista na NR-17.
Segundo Ana, o desafio para o setor está em adaptar essa exigência à realidade da operação logística. “No transporte, o ambiente de trabalho vai além da sede da empresa. Ele inclui estradas, postos, pontos de parada, locais de carga e descarga. Isso exige um olhar integrado e diálogo com outros elos da cadeia”, destaca.
A dirigente reforça que a liderança terá papel central nesse processo. “Não adianta ter um PGR impecável no papel se, na prática, o ambiente é marcado por desorganização, desrespeito ou pressão excessiva. Quando a alta direção assume o tema como estratégico, investe em desenvolvimento de lideranças e alinha discurso e prática, a mudança acontece de forma consistente”, afirma.
O SETCESP tem intensificado ações de orientação por meio de reuniões técnicas, cursos e materiais explicativos, buscando apoiar as empresas na adaptação à nova realidade. O objetivo é evitar autuações e passivos trabalhistas, além de transformar a agenda da saúde mental em uma oportunidade de evolução na gestão de pessoas.
“A NR-1 pode ser vista como uma obrigação incômoda ou como uma oportunidade de amadurecimento. Cuidar da saúde mental impacta diretamente produtividade, retenção de talentos, redução de afastamentos e qualidade do serviço prestado. No Transporte Rodoviário de Cargas, isso é ainda mais estratégico”, conclui Ana Jarrouge.
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