Mulheres empreendedoras avançam, porém enfrentam desafios de gestão
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Carolina Lara
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Com desigualdade salarial persistente e alta presença feminina no trabalho por conta própria, capacitação acessível se consolida como estratégia para reduzir riscos e ampliar previsibilidade de ganhos
A busca por independência financeira tem levado um número crescente de brasileiras a transformar habilidades em negócio próprio. A educação empreendedora se consolida como ferramenta prática para quem deseja iniciar uma atividade com menor risco e maior organização.
Para a educadora e empreendedora Sabrina Nunes, fundadora da marca de acessórios Francisca Joias, o acesso a conteúdo estruturado é o que separa tentativas informais de iniciativas sustentáveis. “Muitas mulheres começam por necessidade, mas sem orientação acabam repetindo erros que poderiam ser evitados. Quando têm acesso a conteúdos práticos e acessíveis, passam a enxergar o negócio como fonte estruturada de renda”, afirma.
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. As mulheres recebem, em média, cerca de 20% a menos que os homens no Brasil e já representam aproximadamente 34% dos empreendedores no país, segundo dados do IBGE e do Sebrae. Ao mesmo tempo, levantamentos da entidade apontam a falta de capacitação em gestão como um dos principais entraves ao sucesso e à sobrevivência dos pequenos negócios. A combinação entre desigualdade salarial e baixa qualificação formal cria um ambiente em que empreender se torna alternativa, mas também desafio.
De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, realizada no Brasil com apoio do Sebrae, as mulheres apresentam taxa elevada de empreendedorismo inicial, especialmente em períodos de instabilidade econômica. No entanto, enfrentam mais dificuldades de acesso a crédito, rede de contatos e capacitação técnica. Essa diferença de preparo impacta diretamente a previsibilidade do faturamento e a capacidade de expansão.
Sabrina avalia que a oferta de cursos gratuitos e de baixo custo tem funcionado como porta de entrada para esse público. Em fevereiro, ela lança uma edição gratuita do curso Tendências 2026, voltado a orientar iniciantes sobre nichos de mercado, validação de produto e estratégias digitais. “Quando o conhecimento deixa de ser inacessível financeiramente, a barreira diminui. A mulher consegue testar uma ideia com mais clareza sobre margem, público e posicionamento”, diz.
O ambiente digital também contribui para esse movimento. Dados da pesquisa TIC Domicílios, do Cetic.br, mostram que mais de 80% dos lares brasileiros têm acesso à internet, ampliando as possibilidades de comercialização online e reduzindo custos operacionais. Para microempreendedoras, isso significa iniciar uma operação com estrutura enxuta e alcance nacional, desde que haja planejamento.
Ainda assim, a especialista pondera que tecnologia não substitui método. “Ferramenta sem estratégia não resolve. O que faz diferença é entender como precificar, como comunicar valor e como criar processos replicáveis”, afirma. Segundo ela, a previsibilidade de renda está ligada à organização financeira e à leitura de dados de vendas.
Levantamento do Sebrae indica que empresas conduzidas por pessoas com maior nível de capacitação em gestão apresentam melhores indicadores de sobrevivência nos primeiros anos de atividade. Para a educadora, a combinação entre conteúdo gratuito inicial e formação estruturada posterior pode reduzir a taxa de mortalidade dos negócios liderados por mulheres.
“Independência financeira não acontece por acaso. Ela é construída com informação, método e consistência”, afirma. Em um cenário de desigualdade persistente e mercado de trabalho instável, a educação empreendedora se consolida como instrumento estratégico para transformar intenção em renda recorrente e negócio viável.
Sobre Sabrina Nunes
Sabrina Nunes é CEO e fundadora da Francisca Jóias, considerada a maior loja online de semijoias do Brasil. Atua no mercado digital desde 2011 e acumula 14 anos de experiência em grandes operações de vendas, especialmente no período de Black Friday. Desenvolveu estratégias práticas e validadas para aumentar o faturamento no varejo online, formando e mentorando mais de 36 mil mulheres que hoje empreendem com produtos físicos na internet. Hoje, dedica-se a ensinar empreendedoras a venderem de forma estruturada, acessível e orientada a resultados.
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