Igualdade de gênero impulsiona inovação no ambiente corporativo
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Bárbara Ferreira
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*Por Sonia de Almeida
Neste mês, celebramos a mulher, período esse que ultrapassa o simbolismo do calendário e se consolida como um marco para uma reflexão e ação. Mais do que homenagens, a data nos convoca a encarar desigualdades históricas que ainda estruturam diferentes espaços na nossa sociedade, entre eles, a ciência e a produção do conhecimento.
No campo acadêmico, os avanços conquistados nas últimas décadas convivem com barreiras persistentes. No Brasil, as mulheres representam cerca de 57,5% das pessoas matriculadas no ensino superior, segundo o relatório do IBGE de 2022. O dado evidencia presença e protagonismo na base do sistema. No entanto, essa maioria não se sustenta à medida que a carreira avança.
Quando se observa os níveis mais altos de reconhecimento científico, o cenário muda: apenas 35,5% das bolsas de produtividade em pesquisa são concedidas a mulheres. A desigualdade se intensifica conforme cresce o prestígio, o acesso a recursos e o poder de decisão. Em outras palavras, quanto mais elevada a posição na hierarquia acadêmica, menor a presença feminina.
Enquanto a participação masculina tende a crescer, a feminina diminui progressivamente, não por falta de competência, mas por um conjunto de fatores que incluem estereótipos de gênero, sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado, pouco acesso a financiamento, redes acadêmicas excludentes e vieses institucionais ainda presentes nos critérios de avaliação.
No Brasil, meninas ainda não são encorajadas a ocupar espaços tradicionalmente associados às ciências exatas, à tecnologia, à engenharia e à matemática. E tal fato acaba por fazer com que elas tenham a ideia de que determinadas áreas “não são para mulheres” impactando suas escolhas educacionais e trajetórias profissionais.
No ambiente acadêmico, esses estereótipos se traduzem em menor visibilidade, menos convites para posições de liderança, bancas e colaborações estratégicas.
Por isso, investir em pesquisadoras não é apenas uma questão de equidade social, mas de desenvolvimento científico e econômico. Diversidade importa: equipes mais diversas produzem pesquisas mais inovadoras, abrangentes e socialmente relevantes. Países que apostam na equidade de gênero na ciência colhem melhores resultados em inovação, tecnologia e impacto social do conhecimento produzido.
O Dia Internacional da Mulher nos lembra que talento não falta. O que ainda falta são condições equitativas para que esse talento floresça plenamente. Reconhecer as desigualdades, questionar estereótipos e ampliar investimentos em pesquisadoras é investir no futuro da ciência, através da educação de mulheres.
*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.
Sobre a Afesu
Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna. Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas.
A Afesu mantém uma sólida rede de parcerias com mais de 50 empresas e instituições — como WEG, Porto, Craft, Schneider Electric, Instituto Ambikira — que colaboram para a formação humana e iniciação profissional das beneficiárias. A organização também já recebeu diversos reconhecimentos por seu impacto social e por sua contribuição à educação de qualidade e equitativa no Brasil.
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