Inteligência artificial no varejo: 90% das empresas devem aumentar aportes em breve
Apesar da alta nominal de 2,3% projetada para janeiro, varejistas enfrentam queda real de 2,5% no faturamento e recorrem à Inteligência Artificial para converter dados em vendas e garantir margens saudáveis.
O setor varejista brasileiro deve registrar uma trajetória de alta no faturamento bruto nos próximos meses, impulsionado pelas festas de fim de ano e pelas liquidações de verão. Segundo dados do Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV), a previsão é de um crescimento nominal de 5% em novembro, seguido por altas de 3,2% em dezembro e 2,3% em janeiro de 2026, sempre na comparação anual.
No entanto, o otimismo dos números brutos esconde um desafio estrutural: o impacto do custo de vida. Quando os dados são deflacionados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o cenário revela uma realidade mais apertada para o empresário. Sob essa ótica real, o crescimento de novembro cai para apenas 0,5%, enquanto dezembro e janeiro projetam retrações de 1,3% e 2,5%, respectivamente. Esse movimento sucedeu um mês de outubro que, embora positivo no nominal (2,3%), amargou uma queda real de 2,4%.
Para enfrentar esse cenário de margens apertadas, a tecnologia deixou de ser um luxo experimental para se tornar ferramenta de sobrevivência. Segundo Pedro Ivo, Diretor de Clientes da Dito CRM, empresa que apoia mais de 350 marcas de varejo no crescimento a partir da base de consumidores, o setor vive uma transição cultural profunda.
"O varejo sempre se baseou muito na inspiração para conceber produtos, no achismo para escolha dos canais de venda, na suposição para encaixar o preço mais adequado e na intuição para pensar na abordagem do marketing. Agora a IA fica mais acessível para que qualquer negócio possa ser gerenciado por dados. Ganhará esta batalha quem tiver a disciplina para realmente enxergar os dados sobre clientes como um ativo. Em 2026, o varejo não vai crescer por intuição, vai crescer por previsão", afirma Pedro Ivo.
Embora o "feijão com arroz" da gestão seja o norte para 2026, a Inteligência Artificial (IA) já deixou de ser uma promessa futurista: de acordo com levantamento da Central do Varejo e Zucchetti Brasil, 59% das empresas do setor no país já operam com algum nível dessa tecnologia. O estudo aponta que 67% dos participantes atuam em pequenas e médias empresas, sinalizando que o varejo de vizinhança também busca no algoritmo uma saída para o aperto econômico.
A confiança na tecnologia é tamanha que 90% dos entrevistados afirmaram que pretendem expandir seus aportes em IA nos próximos meses. Essa movimentação sugere que o varejista brasileiro está buscando converter cada visita à loja em um faturamento que vença a barreira do IPCA.
Inteligência de Dados: O Salto na conversão e na experiência do cliente
Para além da automação, a implementação de IA no varejo tem ampliado a capacidade de personalização em escala. Segundo a Dito, referência em retenção de clientes, o uso de CRM com Inteligência Artificial permite substituir o envio de mensagens genéricas por comunicações baseadas em dados. Pedro Ivo explica que essa tecnologia permite três tipos de análises fundamentais: descritiva, preditiva e prescritiva.
"Começa por uma leitura descritiva dos dados sobre clientes de uma forma que não seria possível com o olhar humano, gerando insights sobre o comportamento de consumo. Passa por um diagnóstico que usa a probabilidade para prever o que acontecerá no futuro, o que chamamos de propensão de compra. E termina com um diagnóstico prescritivo do que deve ser feito para aproveitar essas oportunidades", detalha o executivo.
Na prática, isso se traduz em estratégias que impactam diretamente os indicadores do setor:
Inteligência de Dados: O Salto na conversão e na experiência do cliente
Para além da automação, a implementação de IA no varejo tem ampliado a capacidade de personalização em escala. Segundo a Dito, referência em retenção de clientes, o uso de CRM com Inteligência Artificial permite substituir o envio de mensagens genéricas por comunicações mais segmentadas e baseadas em dados, alinhadas ao comportamento e ao histórico de consumo dos clientes.
Comunicação Hipersegmentada
A tecnologia permite abandonar campanhas genéricas para enviar ofertas exclusivas baseadas no comportamento de cada cliente, aumentando drasticamente as taxas de conversão.
Predição de Compra com Machine Learning
Algoritmos avançados analisam o histórico de consumo para antecipar necessidades e sugerir o produto certo no momento ideal, garantindo uma experiência de compra mais fluida.
Eficiência Operacional e Marketing Direcionado
O uso de IA otimiza o orçamento de marketing ao focar esforços em consumidores com maior potencial de retorno, evitando desperdícios em um cenário de margens apertadas.
Automação de Recomendações Personalizadas
Ferramentas integradas ao CRM automatizam sugestões de produtos em tempo real, elevando o ticket médio tanto nos canais digitais quanto no atendimento físico.
Retenção e Fidelização Inteligente
Ao identificar padrões de abandono, a IA permite intervenções preventivas que mantêm o cliente ativo na base, reduzindo a dependência de novos investimentos em aquisição.
Ao unir os fundamentos da gestão comercial com o poder analítico das novas tecnologias, o lojista consegue transformar o desafio econômico em uma oportunidade de aproximação com o consumidor. No fim das contas, a tecnologia serve como uma ponte entre a necessidade de eficiência operacional e o desejo de oferecer uma experiência de compra cada vez mais assertiva e personalizada.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
<::::::::::::::::::::>