Consórcios de imóveis ganham espaço com recuperação do mercado imobiliário
Expectativa de corte da Selic, preços mais previsíveis e retomada gradual de lançamentos reposicionam o planejamento da casa própria
O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com sinais consistentes de reorganização após dois anos marcados por juros elevados e crédito restrito. A expectativa de início do ciclo de cortes da taxa Selic no primeiro trimestre, combinada à recuperação gradual de vendas e lançamentos ao longo de 2025, reacende o planejamento de famílias que adiaram a compra da casa própria e amplia a discussão sobre alternativas ao financiamento tradicional, como o consórcio imobiliário.
Leonardo Baldez, economista e especialista em planejamento financeiro imobiliário, avalia que a mudança no ambiente de expectativas já começa a influenciar o comportamento do comprador. “Mesmo com a Selic ainda em patamar elevado, o simples sinal de inflexão nos juros altera a lógica das decisões. As famílias voltam a planejar e passam a comparar o custo total das modalidades de aquisição, e não apenas o valor da parcela”, afirma.
Os indicadores do setor corroboram esse movimento. Dados da Abrainc mostram que o mercado encerrou 2025 com recuperação gradual de lançamentos e vendas residenciais em diferentes regiões do país, após a retração observada em 2023 e parte de 2024. O avanço foi puxado, sobretudo, por projetos de médio padrão e por empreendimentos enquadrados em programas habitacionais.
Na cidade de São Paulo, levantamento do Secovi-SP indica manutenção de um ritmo consistente de comercialização ao longo de 2025, com maior liquidez nos segmentos de entrada. Esse desempenho contribuiu para reduzir a volatilidade do mercado e ampliar a previsibilidade para quem planeja comprar.
O comportamento dos preços reforça esse cenário. O índice FipeZap registrou valorização acumulada de 6,52% em 2025, com alta de 0,28% em dezembro, sinalizando uma trajetória de crescimento moderado, distante das acelerações observadas no período pós-pandemia. Para Baldez, esse ritmo muda a dinâmica de decisão. “O comprador não está mais pressionado por uma escalada rápida de preços. Isso abre espaço para escolhas baseadas em planejamento financeiro e horizonte de médio prazo”, diz.
Nesse contexto, o consórcio imobiliário passa a ganhar relevância como alternativa ao financiamento tradicional. Sem a cobrança de juros, apenas taxa de administração, a modalidade tende a reduzir o custo final da aquisição, especialmente em contratos longos. “Quando se compara o valor total pago ao longo de 15 ou 20 anos, a diferença pode ser significativa. Para quem consegue organizar fluxo de caixa e prazos, o consórcio costuma ser mais eficiente financeiramente”, explica o economista.
O uso do FGTS aparece como um dos principais instrumentos para acelerar a compra. O saldo pode ser utilizado tanto para ofertar lances quanto para complementar a carta de crédito após a contemplação. “O FGTS funciona como um catalisador do processo. Ele aumenta a chance de contemplação e encurta o tempo até a aquisição do imóvel”, afirma Baldez.
A possibilidade de valorização patrimonial também entra na equação. Em um cenário de retomada gradual do setor, quem é contemplado mais cedo pode se beneficiar da valorização do imóvel enquanto ainda paga parcelas corrigidas. “Há um efeito patrimonial relevante. O ativo tende a se valorizar antes do fim do plano, fortalecendo o patrimônio da família ao longo do tempo”, diz.
Para o especialista, o primeiro trimestre de 2026 deve marcar uma nova fase do mercado imobiliário, mais orientada à previsibilidade do que à pressa. “O consórcio deixa de ser uma opção periférica e passa a integrar o planejamento de quem busca a casa própria com disciplina financeira, especialmente em um ambiente de expectativa de juros mais baixos”, conclui.
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