Reforma Tributária redefine incentivos e busca maior eficiência fiscal
*Thais Borges, diretora de marketing da Systax, operação da Vertex Inc. no Brasil
O Brasil vive hoje o início de uma revolução silenciosa que vai muito além das alíquotas discutidas em Brasília. Com a implementação gradual da Reforma Tributária, estamos testemunhando o desmantelamento da velha "geografia dos incentivos" para dar lugar à "geografia da eficiência". Durante décadas, a competitividade de uma empresa brasileira esteve menos ligada à eficiência e mais à sua capacidade de navegar no caos tributário. Centros de distribuição eram instalados em locais logisticamente improváveis apenas para capturar incentivos de ICMS ou contornar barreiras fiscais. Agora, essa lógica está com os dias contados, e a automação fiscal assume o papel de arquiteta dessa nova realidade.
Sistemas tributários modernos funcionam como motores de simulação econômica, capazes de recalcular cenários de custo, margem e logística à luz das novas regras. A decisão de onde produzir, estocar ou vender passa a depender menos de planilhas estáticas e mais de plataformas que cruzam dados fiscais, financeiros e operacionais continuamente.
O maior desafio, porém, não está no sistema que virá, mas no que já está em curso. A transição cria um ambiente híbrido, no qual convivem regras antigas, exceções estaduais e um novo modelo digitalizado. Nesse contexto, a ausência de automação não gera apenas ineficiência, gera risco financeiro direto. Apurar tributos com lógicas diferentes, evitar pagamentos indevidos e garantir o aproveitamento correto de créditos exige tecnologia capaz de interpretar normas, parametrizações e operações simultaneamente e com agilidade.
A Reforma também redefine o papel do fiscal no fluxo de caixa. O split payment desloca o imposto do fim do processo para o momento da transação, comprimindo a liquidez das empresas. Sem tecnologia tributária integrada à área fiscal, o impacto deixa de ser teórico e passa a aparecer no caixa diário. Aqui, soluções inteligentes, inclusive, com uso de tecnologia global atualizada e devidamente adequada às especificidades locais, se tornam aliadas, antecipando impactos, projetando saldos e transformando obrigações tributárias em variáveis previsíveis.
Mas talvez a mudança mais sensível esteja na precificação. Em um ambiente onde o imposto varia conforme destino, tipo de produto e perfil do consumidor, errar o cálculo tributário significa errar o preço de venda ou, em caso de aquisição, comprar mais caro. O uso de tecnologia especializada em cálculo de impostos permite abandonar modelos médios e adotar uma precificação granular, dinâmica e defensiva, protegendo margens em um cenário de concorrência mais transparente e menos distorcido.
A Reforma Tributária não apenas simplifica impostos; ela desloca o eixo da competitividade. O lucro deixa de ser resultado da habilidade de navegar exceções e passa a ser consequência direta da eficiência operacional, da qualidade dos dados e da maturidade tecnológica. O novo mapa competitivo do Brasil não será desenhado por incentivos Estaduais, mas por empresas capazes de transformar automação fiscal em inteligência de negócios e decisão rápida.
*Thais Borges é diretora de marketing da Systax, operação Vertex no Brasil, empresa que desenvolve soluções tecnológicas voltadas para o mercado tributário.
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