A falsa sensação de segurança na inovação interna das empresas
Inovar sozinho não funciona mais
Por Thomaz Srougi
Durante as últimas décadas na América Latina, empresas pensavam em tecnologia como um ativo a ser desenvolvido “dentro de casa”. Não havia ecossistema de applications.
Hoje, pensar assim é um dos principais motivos pelos quais grandes organizações perdem velocidade, competitividade e relevância. Continuar apostando apenas em soluções internas não é sinal de força, mas de atraso.
Empresas que se abrem para soluções externas têm até 2,5 vezes mais chance de sucesso do que aquelas focadas em P&D interno (BCG Innovation Survey).
O Nobel de economia de 2025 reconheceu economistas que demonstraram matematicamente que os países devem abraçar inovações disruptivas como a que vivemos agora com IA generativa.
Um estudo da OECD (Digital Economy Outlook) concluiu que a inovação respondeu por mais de 50% do crescimento de produtividade na última década nas economias desenvolvidas. Sociedades prosperam quando absorvem inovação disruptiva, mesmo quando ela altera dinâmicas de trabalho e estruturas no curto prazo. A destruição criativa é desconfortável, mas benéfica.
E embora 96% dos executivos afirmem que inovação será a principal fonte de crescimento, apenas cerca de 20% consideram suas organizações realmente eficazes em inovar, segundo um estudo da McKinsey (State of Organizations). Essa lacuna revela um problema de execução. Muitas empresas ainda confundem inovação com controle e insistem em fazer sozinhas aquilo que o mercado já resolve melhor.
Dentro das grandes companhias, conselhos e CEOs entendem a necessidade de inovar. O problema está na execução operacional. Executivos do segundo nível trabalham sob incentivos próprios: projetos recém-aprovados, orçamentos defendidos, times montados e reputações em jogo, ego e insegurança. A proteção interna supera a eficiência externa.
Além disso, inovar internamente em grandes organizações é estruturalmente lento. Projetos que dependem de múltiplas instâncias de aprovação apresentam até 30% mais risco de atraso e estouro de orçamento quando comparados a equipes autônomas e ágeis, segundo estudo da PMI (Pulse of the Profession). Cada escala de aprovação adiciona fricção. O resultado é que pouca inovação real chega ao mercado.
É nessa janela de ineficiência que entram startups de tecnologia e IA. Foco único. Missão clara. Melhores talentos, são mais sexy. Dados em escala. Alta cadência de interação e produtização.
Escala muda tudo. Organizações que operam grandes volumes de interações digitais conseguem acelerar aprendizado de máquina e melhoria de produto. Um estudo do MIT Sloan concluiu que ambientes com grande escala de dados podem elevar a performance preditiva de modelos de IA em no mínimo 25%.
Uma empresa grande que processa milhares de dados de clientes aprende devagar. Uma startup que processa milhões de dados de vários clientes aprende rápido e entrega mais performance.
Sem escala e com equipes divididas entre múltiplas prioridades, produtos internos evoluem lentamente, quando evoluem.
O paradoxo é claro: vantagem competitiva hoje não vem de possuir tudo, mas de combinar bem o que já existe no mercado. Empresas que têm a habilidade de conectar aplicações externas de tecnologia em seus sistemas para resolver problemas de negócio reportam até 3 vezes mais retorno sobre investimentos em inovação do que organizações que inovam isoladamente, segundo estudo da Deloitte Insights.
A história reforça a tese. A permanência média das empresas no S&P 500 caiu drasticamente nas últimas décadas — hoje é cerca de metade do que era há 50 anos — reflexo da aceleração tecnológica e da substituição por organizações mais adaptáveis (Innosight Corporate Longevity Forecast).
Guimarães Rosa nos lembra que o real acontece na travessia. Empresa que evita a travessia para proteger o que já tem não preserva o passado, apenas acelera o próprio fim.
Thomaz Srougi
Fundador e chairman do dr.consulta. Fundador e CEO da Carecode. MBA e Mestrado em Políticas Públicas pela University of Chicago. Kauffman Fellow.
Sobre a Carecode
A Carecode é uma startup brasileira de Inteligência Artificial Conversacional que aplica tecnologia de ponta ao atendimento administrativo em saúde. Sua plataforma utiliza agentes de IA capazes de conduzir diálogos naturais e contextuais, compreender intenções e executar tarefas ao longo de toda a jornada do paciente.
A solução automatiza, de forma humanizada, processos como agendamentos, confirmações, cancelamentos e reagendamentos, com atendimento contínuo 24 horas por dia via WhatsApp e telefone. Além de garantir respostas rápidas e consistentes, a tecnologia analisa as interações com pacientes e transforma essas conversas em insights práticos que apoiam a organização da agenda e a melhoria contínua da operação.
Com a Carecode, secretárias e equipes administrativas ganham mais tempo para focar em atividades essenciais, enquanto clínicas e consultórios ampliam o acesso, fortalecem a relação com seus pacientes e elevam a qualidade da experiência oferecida.
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