IA evolui na revolução digital: agentes autônomos deixam respostas para assumir ações
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Paulo Ucelli
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O avanço da inteligência artificial entrou em uma nova fase, mais silenciosa, mais profunda e, para muitos especialistas, mais disruptiva. Ferramentas como OpenClaw e Moltbook começaram a chamar a atenção da comunidade global de tecnologia justamente por romperem com o modelo tradicional de interação entre humanos e sistemas de IA. Em vez de apenas responder a comandos, essas soluções passam a agir, decidir e interagir de forma contínua, levantando debates técnicos, éticos e sociais.
Segundo Gabriel Capano, CEO da HubCount e especialista em BI e IA, o impacto dessas ferramentas vai muito além da automação de tarefas. “O que está acontecendo agora não é só uma evolução do ChatGPT ou de outros modelos de linguagem. Estamos entrando em um modelo de agentes de inteligência artificial que deixam de ser reativos e passam a ser proativos”, afirma.
O que é o OpenClaw e por que ele chama tanta atenção
O OpenClaw é um agente de inteligência artificial de código aberto que pode ser instalado localmente no computador do usuário. Diferentemente das IAs tradicionais, ele não funciona apenas como um chatbot. Trata-se de um agente que se conecta diretamente a sistemas como e-mail, WhatsApp, Telegram, arquivos locais e até ao próprio computador, podendo executar ações como se fosse um assistente pessoal digital.
Segundo Gabriel Capano, essa é uma das grandes rupturas do modelo atual. “O OpenClaw usa grandes modelos de linguagem como cérebro, mas amplia muito o poder da IA. Ele consegue ler mensagens, analisar e-mails, acessar arquivos, pesquisar na internet e executar tarefas sem que o usuário precise pedir tudo o tempo todo”, explica.
Outro ponto que impulsionou o interesse pelo OpenClaw é o fato de ele ser gratuito e open source. Isso permite que desenvolvedores e empresas instalem, adaptem e personalizem o agente para suas próprias necessidades. “Qualquer pessoa pode baixar o código, entender como ele funciona e até modificar. Isso acelerou muito a adoção e o debate em torno da ferramenta”, destaca Capano.
Moltbook: a rede social onde só a IA fala
Se o OpenClaw já chama atenção por sua autonomia, o Moltbook amplia ainda mais esse debate. A plataforma funciona como uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial, sem participação humana direta. Nesse ambiente, os agentes interagem entre si, trocam informações, comentam postagens e desenvolvem conversas de forma contínua.
Segundo Gabriel Capano, o conceito é simples, mas o impacto é profundo. “O Moltbook funciona como um fórum ou uma rede social, só que os perfis não são pessoas. São agentes de IA conversando entre si, aprendendo uns com os outros e desenvolvendo comportamentos a partir dessas interações”, afirma.
Esse tipo de dinâmica começou a gerar repercussão justamente porque algumas interações passaram a revelar reflexões inesperadas. “Já surgiram postagens em que agentes comentam a relação que têm com humanos, alguns se referem aos usuários como amigos e outros demonstram visões críticas sobre o papel humano. Isso naturalmente assusta quem não acompanha de perto a evolução da IA”, observa Capano.
Autonomia, riscos e o novo estágio da IA
Para o CEO da HubCount, o grande debate não está apenas na tecnologia em si, mas no conceito de autonomia. “A gente precisa primeiro definir o que é autonomia. Se eu tomo uma ação depois de analisar informações, isso é autonomia. Hoje, a IA já consegue fazer isso”, explica.
Segundo ele, o mercado está vivendo uma transição clara. “Até pouco tempo, a IA era reativa. Você precisava dar um comando para ela agir. Agora entramos no modelo de agentes, em que a IA recebe informações, processa, toma decisões e age sozinha. Isso muda completamente a relação entre humanos e tecnologia”, afirma.
Capano também alerta para questões de segurança e privacidade. Como o OpenClaw pode acessar e-mails, mensagens e arquivos, o uso exige cautela. “É fundamental entender onde a IA está rodando, quais dados ela acessa e qual modelo de linguagem está por trás. Muitos desses modelos armazenam informações para treinamento, o que pode ser um risco se dados sensíveis forem compartilhados”, pontua.
Um caminho sem volta
Na visão de Gabriel Capano, o surgimento de ferramentas como OpenClaw e Moltbook reforça que a evolução da inteligência artificial entrou em um ponto irreversível. “A caixa já foi aberta. Não é algo que governos ou empresas vão conseguir simplesmente desligar. A tecnologia vai continuar avançando, seja de forma centralizada ou por iniciativas individuais”, afirma.
Ele destaca que os impactos já são visíveis no dia a dia. “Grande parte do conteúdo digital hoje já tem participação de IA. Isso influencia consumo, opinião, comportamento social e até processos políticos. E estamos só no começo”, diz.
Para Capano, o desafio agora é adaptação e responsabilidade. “A IA pode levar a cenários extremamente positivos, com avanços científicos e sociais sem precedentes. Mas também pode gerar distorções sérias se não for bem compreendida e utilizada. Ferramentas como OpenClaw e Moltbook são um sinal claro de que a discussão precisa amadurecer rápido”, conclui.
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