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Contratação na era da inteligência artificial: como identificar profissionais reais

Alexandra Beck é advogada com mais de 18 anos de experiência jurídica, atuando na interseção entre Direito Digital e Tecnologia - Arquivo pessoal Alexandra Beck é advogada com mais de 18 anos de experiência jurídica, atuando na interseção entre Direito Digital e Tecnologia - Arquivo pessoal

Com 150 milhões de brasileiros nas redes e ferramentas de IA capazes de simular resultados quase perfeitos, aumenta o risco de contratar profissionais com portfólios manipulados. Especialistas explicam como verificar se a reputação é real.

A forma como escolhemos os profissionais mudou profundamente.

Hoje, antes de contratar um arquiteto, médico ou tatuador, o consumidor investiga. Analisa redes sociais, pesquisa no Google, compara avaliações e observa sinais de autoridade.

E o tatuador e artista visual Eder Galdino (@edergaldinotattoo) é um exemplo claro dessa transformação.

Especialista em realismo preto e branco, Eder recebe clientes de estados e países como Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos — muitos deles chegam até ele exclusivamente pelas redes sociais.

“Hoje o cliente não escolhe mais o endereço. Ele escolhe o artista. Já recebi mensagens de pessoas que passaram semanas analisando meu trabalho antes de decidir vir ao Brasil tatuar comigo”, conta.

Segundo ele, o comportamento do consumidor mudou. “As pessoas observam cicatrizações antigas, vídeos, bastidores. Não é só a foto pronta.”

Os números explicam o cenário.

Segundo o relatório Digital 2026, da DataReportal, cerca de 150 milhões de brasileiros estão ativos nas redes sociais aproximadamente 70% da população.

O Instagram reúne mais de 140 milhões de usuários no país, consolidando-se como uma das principais vitrines de validação profissional.

Nesse ambiente, reputação deixou de ser detalhe. Tornou-se filtro de escolha.

Mas, com a popularização da Inteligência Artificial e de ferramentas avançadas de edição, surge a pergunta: como diferenciar autoridade real de imagem construída?

Reputação digital: ativo econômico e risco jurídico

Segundo a advogada especialista em Direito Digital e Segurança Cibernética, Dra. Alexandra Beck, a IA ampliou o potencial criativo — mas também sofisticou a manipulação.

“Hoje é possível alterar imagens, simular resultados e até construir portfólios artificiais com alto grau de realismo. Isso impacta diretamente temas como publicidade enganosa, uso indevido de imagem e responsabilidade civil por dano informacional”, explica.

Para ela, a autenticidade digital não se sustenta apenas na estética. “Reputação não é imagem. É histórico auditável. É coerência ao longo do tempo. Presença institucional estruturada, registros verificáveis e interação orgânica com clientes reais compõem um lastro que pode, inclusive, ter relevância jurídica.”

IA como ferramenta — não como ilusão

Eder foi um dos pioneiros no Brasil a integrar IA ao processo criativo das tatuagens. A tecnologia é utilizada para explorar ângulos, luz e composição antes da aplicação na pele.

Mas ele faz questão de estabelecer limites:“A IA é uma ferramenta de apoio criativo. A decisão final é humana. O desenho só acontece depois que eu estudo a anatomia do cliente. Antes da primeira agulha, eu simulo digitalmente como a tatuagem ficará na própria pele.”

Segundo ele, o processo reduz a insegurança e aumenta a transparência.“Não existe surpresa. Existe método.”

O novo consumidor digital exige validação

Para a Dra. Alexandra Beck, o cenário atual exige mais diligência do consumidor.

“Com a expansão da IA, tornou-se possível inflar autoridade digital com facilidade. Perfis podem projetar expertise sem lastro real. A validação precisa considerar histórico, presença offline, entrevistas concedidas, menções em veículos e coerência narrativa.”

Segundo ela, autoridade legítima se diferencia pela rastreabilidade.

“No ambiente digital, confiar deixou de ser impulso. Tornou-se exercício de verificação técnica.”

Exclusividade como coerência de posicionamento

O modelo de trabalho de Eder também reforça essa lógica.

Ele atende apenas um cliente por dia, dedicando agenda integral a um único projeto. “Quando você constrói algo exclusivo, com tempo e estudo, o cliente entende que está contratando processo, não apenas imagem.”

Esse formato atrai um público disposto a viajar e investir tempo para realizar o projeto com um profissional específico — comportamento cada vez mais comum em serviços especializados.

Confiança é o novo diferencial competitivo

Em um cenário onde a IA amplia tanto a criação quanto a manipulação, autenticidade virou vantagem estratégica.“A tecnologia aumenta o nível de exigência. Quem usa IA com transparência fortalece confiança. Quem usa para mascarar competência, cedo ou tarde será exposto”, conclui a Dra. Alexandra Beck.

Na era da Inteligência Artificial, escolher um profissional deixou de ser uma decisão estética. Tornou-se exercício de análise, validação e confiança.

E confiança, no ambiente digital, não se improvisa — se constrói.

Como validar a autenticidade de um profissional nas redes

Segundo a Dra. Alexandra Beck, cinco cuidados são essenciais:

- Verifique registro profissional
- Confirme se há inscrição ativa no órgão competente (OAB, CRM, CREA etc.). A ausência de registro é sinal de alerta.
- Analise a coerência histórica
- Perfis autênticos têm evolução natural, publicações antigas e interação real. Contas recentes com grande volume de conteúdo e pouca interação podem indicar construção artificial.
- Pesquise fora das redes
- Busque o nome no Google, LinkedIn, notícias, eventos e sites institucionais. Profissionais legítimos deixam rastros verificáveis.
- Observe transparência de dados
- Nome completo, número de registro, empresa vinculada, CNPJ ou endereço profissional aumentam a possibilidade de responsabilização jurídica.
- Desconfie de resultados perfeitos demais
- Imagens e depoimentos podem ser manipulados. A autenticidade está na consistência da trajetória e na possibilidade de verificação independente.

Eder Galdino

É tatuador e artista visual, natural de São Bernardo do Campo (SP), especialista em realismo preto e branco. Formado em Design Gráfico, iniciou carreira como caricaturista profissional, com participações no CQC (TV Band) e no programa do Gugu (SBT).

Fundador do Arkad Tattoo Studio, integra tecnologia e Inteligência Artificial ao processo criativo com foco em anatomia, exclusividade e projetos autorais.

Premiado nas duas últimas edições da Tattoo Week — maior convenção de tatuagem da América Latina —, integra o Arkad Tattoo Studio, estúdio que soma nove troféus conquistados em três edições do evento.

Atende clientes do Brasil e do exterior e possui mais de 260 mil seguidores nas redes sociais.

Alexandra Beck

OAB/SC 34.195 e OAB/PR 66.932

É advogada com mais de 18 anos de experiência jurídica, atuando na interseção entre Direito Digital e Tecnologia, com foco na proteção de dados (LGPD), contratos digitais, responsabilidade civil online, compliance e cibersegurança. Mestranda em Educação e fundadora da ABB Advocacia, assessora empresas, startups e profissionais liberais na gestão de riscos jurídicos digitais, garantindo segurança jurídica em ambientes virtuais e inovação com responsabilidade.


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