Inteligência de mercado ganha vantagem com análise de voz e dados ocultos
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Iago Almeida
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Por Fabricio Sanchez, Head de Marketing e Performance da HVOICE e HVAR*
A inteligência de mercado entra em uma nova etapa à medida que empresas passam a explorar dados que sempre estiveram disponíveis, mas raramente tratados de forma estratégica: as conversas com clientes. Em um ambiente competitivo, de decisões rápidas e margens pressionadas, ignorar o que o consumidor diz espontaneamente sobre marcas e concorrentes cria um ponto cego relevante. Quando analisadas de forma estruturada, essas interações revelam padrões, expectativas e sinais de mudança, transformando o atendimento de uma função reativa em um ativo estratégico para orientar decisões e sustentar vantagem competitiva.
Historicamente, a inteligência de mercado foi construída a partir de pesquisas, relatórios setoriais e análises de preço e posicionamento. Esses instrumentos seguem relevantes, contudo são lentos diante da dinâmica atual. Segundo a McKinsey, empresas que utilizam dados em tempo real para orientar decisões comerciais têm até 23% mais chances de adquirir clientes e 19% mais chances de manter a rentabilidade. As interações de voz, especialmente em centrais de atendimento e vendas, concentram informações diretas sobre objeções, comparações com concorrentes e expectativas não atendidas, entregues sem o viés típico de questionários estruturados.
É nesse contexto que o Speech Analytics ganha protagonismo. A tecnologia permite identificar automaticamente menções a concorrentes, termos recorrentes e padrões de insatisfação em milhares de chamadas, algo inviável por análise humana. De acordo com o Gartner, o mercado evolui rapidamente do simples registro de interações para a chamada “inteligência de conversação”, na qual sistemas interpretam intenção, emoção e contexto comercial por trás das palavras. Isso permite compreender, por exemplo, por que um cliente cita uma marca rival, em que momento da jornada isso ocorre e quais argumentos influenciam sua decisão.
O impacto prático vai além do diagnóstico, pois ao mapear objeções recorrentes e sinais claros de intenção de compra, a análise de voz viabiliza ajustes quase imediatos nos roteiros comerciais e nas estratégias de retenção, alinhando discurso, oferta e timing de abordagem. Segundo a Forrester, organizações que utilizam dados de interação para personalizar propostas conseguem elevar em até 15% as taxas de upsell e cross-sell, justamente por reagirem ao comportamento real do cliente. Nesse modelo, a tomada de decisão deixa de depender de pesquisas de satisfação tardias ou relatórios trimestrais e passa a acompanhar o ritmo do mercado, reduzindo perdas, corrigindo falhas de comunicação e antecipando oportunidades de crescimento.
O avanço do Speech Analytics acompanha um movimento mais amplo de aceleração da digitalização e de amadurecimento do uso de Inteligência Artificial nas empresas. Segundo análise divulgada pela Associação Brasileira das Empresas de Software com base em projeções do Gartner, até 2026 cerca de 40% das aplicações empresariais deverão contar com agentes de IA voltados a tarefas específicas, frente a menos de 5% em 2025. Esse avanço reflete a crescente demanda por decisões em tempo real e modelos preditivos baseados em dados. Diante disso, tecnologias de análise de voz e conversação deixam de ter papel meramente operacional e passam a integrar a estratégia das organizações, ao transformar interações com clientes em inteligência acionável para atendimento, vendas e gestão do negócio.
Portanto, ignorar o que os clientes dizem diariamente sobre sua marca e sobre seus concorrentes deixou de ser uma opção defensável. A análise de voz elimina o ponto cego comercial ao revelar motivações reais de escolha, insatisfação e abandono antes que elas se consolidem em perda de receita. Em um mercado onde velocidade e precisão definem sobrevivência, transformar conversas em inteligência não é apenas inovação tecnológica, mas uma mudança estrutural na forma de competir.
*Fabricio Sanchez, Head de MKT e Performance da HVOICE é um executivo com mais de 20 anos de experiência em implementar estratégias centradas no cliente, utilizar processos e tecnologia para gerar valor ao negócio e construir jornadas que conectem marcas e consumidores.
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