Quatro atitudes para transformar o autocuidado em prática contínua nas empresas
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Carolina Lara
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Constância segue como principal desafio na gestão do estresse e da saúde emocional no ambiente corporativo
Relatórios da Organização Mundial da Saúde indicam que ansiedade e depressão estão entre as principais causas de incapacidade no mundo, com impacto direto sobre produtividade, absenteísmo e afastamentos do trabalho. No Brasil, dados do Ministério da Saúde e do INSS mostram crescimento contínuo das licenças relacionadas a transtornos mentais. Apesar do avanço no acesso a conteúdos e iniciativas de bem-estar, a mudança de comportamento nas empresas não acompanha esse movimento. O principal entrave segue sendo a constância.
Para Claudia Faria, palestrante especializada em regulação emocional aplicada à tomada de decisão e criadora do método Yoga Adventure, o excesso de soluções pontuais e de curto prazo compromete a efetividade das ações. A especialista desenvolveu sua abordagem a partir de experiências em escaladas e ambientes de alta pressão, onde controle emocional, leitura do corpo e decisão rápida são determinantes. “Em contextos extremos, não existe prática ocasional. Ou a resposta é treinada, ou o risco aumenta. No trabalho, a lógica é a mesma, ainda que o risco não seja físico”, afirma.
A fragmentação das rotinas corporativas e a cultura de urgência permanente ajudam a explicar a dificuldade de manter práticas contínuas. Levantamentos da consultoria Gallup indicam queda de engajamento e desempenho entre profissionais submetidos a níveis elevados de estresse. Iniciativas adotadas apenas em momentos de crise tendem a gerar alívio momentâneo, mas pouco impacto no médio prazo.
No ambiente empresarial, a ausência de estratégias estruturadas de regulação emocional também se traduz em custos objetivos. A Organização Internacional do Trabalho estima perdas bilionárias anuais associadas ao estresse ocupacional, considerando absenteísmo, presenteísmo e redução de produtividade. Programas implementados como ações isoladas costumam registrar baixa adesão e dificuldade de mensuração de resultados.
Segundo Claudia, experiências testadas em ambientes de pressão real mostram que práticas contínuas apresentam maior eficácia quando integradas à rotina. “Quando o cuidado deixa de ser um evento pontual e passa a funcionar como treino recorrente, surgem ganhos em clareza de decisão, redução de conflitos e maior capacidade de lidar com pressão”, observa. O foco, segundo ela, não é desempenho físico, mas regulação emocional aplicada ao trabalho.
Para indivíduos e empresas, o ponto de partida costuma ser a adoção de práticas simples, de curta duração e alta frequência. Técnicas de respiração associadas a movimentos acessíveis tendem a apresentar maior aderência quando incorporadas ao cotidiano. Soluções genéricas, como aplicativos ou conteúdos avulsos, ampliam o acesso, mas enfrentam dificuldade de sustentação ao longo do tempo.
Na contratação de profissionais ou programas especializados, a orientação é avaliar metodologia, experiência prática e adaptação à realidade corporativa. Abordagens validadas em contextos de alta pressão, com acompanhamento contínuo e expectativas bem definidas, tendem a gerar resultados mais consistentes. “Autocuidado não é resposta emergencial, é treino. Quando isso fica claro desde o início, a chance de adesão aumenta”, conclui.
Quatro atitudes ajudam a sustentar o autocuidado no ambiente corporativo
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a constância depende menos de motivação individual e mais de estrutura organizacional. Algumas orientações contribuem para aumentar a aderência ao longo do tempo:
- Priorizar práticas simples e de curta duração, que possam ser incorporadas à rotina sem grandes ajustes operacionais.
- Associar as práticas a horários fixos ou a gatilhos do dia a dia, como início ou encerramento do expediente.
- Evitar soluções genéricas e sem acompanhamento, que tendem a perder efeito no médio prazo.
- Encarar o autocuidado como treino contínuo, e não como resposta pontual a situações de crise.
Para Claudia Faria, a insistência em soluções rápidas desvia o foco do que sustenta resultados no longo prazo. “Constância não é repetir por obrigação, é criar uma relação prática com o corpo e com a rotina. Quando isso acontece, o impacto aparece de forma consistente”, afirma.
Sobre Claudia Faria
Claudia Faria é professora de yoga, palestrante e criadora do método Yoga Adventure. Atua há mais de 20 anos com foco em respiração, regulação emocional e corpo sob pressão, aplicando o yoga a contextos reais de estresse, tomada de decisão e alta exigência física e mental. É formada em Medicina Veterinária, escaladora e desenvolve seu trabalho a partir da integração entre prática corporal, fisiologia e inteligência emocional.
Sobre o Método Yoga Adventure
O Yoga Adventure é um método criado por Claudia Faria que propõe uma abordagem prática e contemporânea do yoga, aplicada à vida real e aos desafios do cotidiano. A metodologia integra respiração, movimento consciente e constância como ferramentas de regulação emocional e fisiológica, voltadas a pessoas que lidam com estresse, ansiedade e pressão no trabalho e na vida pessoal.
O diferencial do método está na validação em contextos reais de pressão, como escalada e esportes outdoor, onde controle emocional e tomada de decisão são determinantes. A proposta conecta corpo, saúde emocional e performance de forma funcional e sem viés místico, com foco em constância e não em soluções pontuais.
Fontes de pesquisa
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Ministério da Saúde
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
Gallup
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
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