O que sustenta o mercado em 2026: os pilares para crescimento e resiliência
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Raquel Pinho
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O mercado imobiliário não é cíclico. Ele é demográfico. Não basta falar apenas de juros. É preciso olhar para as pessoas — e também para a oferta disponível. Essa é a principal premissa para compreender o comportamento do setor no médio e longo prazo. Essa leitura é fundamental para entender o que esperar do mercado imobiliário em 2026.
Em cidades como Goiânia, a resiliência do setor está menos ligada a oscilações conjunturais da economia e mais associada a fatores estruturais da sociedade. O crédito influencia o ritmo das decisões, mas não cria demanda do zero. A demanda nasce, sobretudo, de movimentos reais da população. A formação de novos lares é contínua e previsível.
Casamentos, divórcios, migração e crescimento populacional geram demanda habitacional independentemente do ciclo econômico. Em Goiânia, a combinação desses fatores resulta em uma demanda estrutural estimada em aproximadamente 38,4 mil novos lares por ano, com base em dados demográficos oficiais, número que ajuda a explicar a consistência do mercado local ao longo do tempo.
Esse dado evidencia que a demanda imobiliária não surge de estímulos pontuais, mas de transformações demográficas permanentes. Mesmo em períodos de juros elevados, essas necessidades não desaparecem — muitas vezes, apenas são adiadas à espera de condições financeiras mais favoráveis. Se a demanda é estrutural, a oferta é finita.
Em 2025, Goiânia registrou cerca de 9.776 unidades vendidas, com 9.756 unidades lançadas no mesmo período e um estoque em torno de 9.659 unidades. A leitura conjunta desses números mostra que a demanda potencial anual supera, de forma consistente, o volume de vendas, de unidades lançadas e o estoque disponível, caracterizando um mercado estruturalmente ativo e com capacidade de absorção relevante.
Embora os juros não expliquem tudo, eles exercem papel importante sobre o acesso ao crédito. As indicações atuais apontam para um encerramento de 2026 com a taxa Selic entre 12% e 13%, abaixo da atual taxa Selic de 15%. Esse movimento não cria demanda, mas amplia o número de famílias aptas a acessá-la. A redução das taxas impacta diretamente o valor das parcelas dos financiamentos.
Em nível nacional, estimativas do setor indicam que, a cada redução de 1 ponto percentual na taxa de juros, cerca de 160 mil novas famílias passam a reunir condições para ingressar no mercado imobiliário. Soma-se, assim, à demanda demográfica um fluxo adicional de compradores que estavam temporariamente fora do mercado, reforçando a dinâmica do setor.
Para 2026, o cenário aponta para um mercado imobiliário sustentado por fundamentos sólidos: demografia favorável, formação contínua de novos lares, oferta limitada e juros potencialmente menores atuando como fator de aceleração — não como origem da demanda. Trata-se de um mercado que exige análise estrutural, planejamento e decisões baseadas em dados.
Ricardo Teixeira é especialista em mercado imobiliário, sócio da URBS Imobiliária
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