NRF 2026 mostra que inovação eficiente é a que ninguém percebe
*Por Marcus Piombo
A NRF 2026 deixa uma mensagem muito clara: o futuro do varejo não será definido pela tecnologia que chama atenção, mas por aquela que opera em segundo plano. Entramos em uma fase em que a inovação mais relevante é a que se torna invisível, porque está totalmente integrada à experiência do consumidor.
Isso acontece porque, quando a tecnologia é bem aplicada, ela deixa de exigir atenção e passa a gerar valor de forma quase automática. O consumidor não quer aprender sistemas, navegar por interfaces complexas ou tomar decisões desnecessárias. Ele espera fluidez, conveniência e clareza. Quanto menos a tecnologia aparece, mais ela cumpre seu papel.
Esse movimento já vem se consolidando no mercado. A inteligência artificial deixou de ser um tema experimental e passou a fazer parte da infraestrutura dos negócios, influenciando decisões, orquestrando jornadas e redefinindo a forma como marcas e consumidores se conectam. O foco sai da interface e vai para o resultado: menos fricção, mais fluidez e mais valor percebido.
A ascensão do consumo agêntico acelera ainda mais essa transformação. O consumidor não quer mais navegar, comparar ou decidir sozinho. Ele espera que a tecnologia compreenda contexto, preferências e intenção, e atue como um facilitador das escolhas. Isso muda o papel das marcas, que precisam garantir relevância em ambientes físicos, digitais e, cada vez mais, mediados por inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, a NRF reforça um ponto essencial: quanto mais tecnologia existe, mais o fator humano importa. A experiência física, o atendimento e a conexão emocional seguem sendo diferenciais competitivos. Tecnologia bem aplicada não substitui pessoas, ela potencializa o que há de mais humano na relação com o consumidor.
Outro aspecto central é a redefinição do conceito de valor. Preço continua sendo importante, mas já não sustenta sozinho a decisão de compra. Transparência, qualidade percebida, coerência de marca e clareza nas práticas comerciais ganharam peso. Estratégias que tentam mascarar aumentos de preço ou reduzir qualidade sem comunicação clara tendem a gerar ruptura de confiança, e confiança se tornou um ativo estratégico.
Mesmo em um cenário de pressão econômica, o consumidor segue buscando pequenas indulgências e experiências que façam sentido emocionalmente. A tecnologia, quando usada com propósito, atua como aliada nesse processo, ajudando a decidir melhor, gastar com mais consciência e se sentir seguro ao longo da jornada.
O “próximo agora” do varejo será construído por quem entender que inovação não é barulho, nem promessa. É fluidez. É confiança. É fazer com que a tecnologia funcione tão bem que o consumidor não precise percebê-la, apenas viver a experiência.
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