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Por que a coragem será uma soft skill essencial para 2026

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Por Luciana Pianaro

O Future of Jobs Report é um estudo global realizado pelo World Economic Forum que mapeia as principais transformações do mercado de trabalho. A edição de 2025 ouviu mais de 1.000 empresas líderes globais, representando coletivamente mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores industriais e 55 economias ao redor do mundo.

O relatório analisa como cinco grandes forças transformadoras — mudanças tecnológicas, fragmentação geoeconômica, incerteza econômica, mudanças demográficas e a transição verde — estão moldando o futuro do trabalho até 2030. Mais do que identificar tendências, o estudo revela quais competências e habilidades serão mais valorizadas pelos empregadores e quais estratégias de transformação da força de trabalho as empresas planejam adotar nos próximos anos.

É a principal referência global para entender quais competências profissionais serão essenciais no futuro próximo, ajudando organizações, governos e profissionais a se prepararem para as mudanças que já estão em curso.

Dentre as 10 principais competências e habilidades esperadas dos profissionais, 08 estão no campo de soft skills. Resiliência, flexibilidade, liderança, empatia, motivação e autoconhecimento dominam o ranking. Mas há uma pergunta que raramente fazemos: o que torna possível desenvolver todas essas competências? A resposta está em uma habilidade fundamental que sustenta as demais: a coragem.

Pense comigo: como desenvolver resiliência sem a coragem de enfrentar adversidades? Como exercer liderança autêntica sem a coragem de ser vulnerável? Como praticar empatia sem a coragem de se conectar genuinamente com o sofrimento alheio? A coragem não é uma competência nessa imensa lista — mas é uma habilidade que sustenta todas as outras.

A coragem pode ser desenvolvida?

Segundo a Psicologia Positiva, formalizada por Martin Seligman no início dos anos 2000, a coragem é reconhecida como uma das seis virtudes cardeais do ser humano, manifestando-se através de bravura, perseverança e honestidade. Essas forças não são traços imutáveis com os quais nascemos ou não nascemos, mas aspectos dinâmicos que podemos praticar de forma intencional. A palavra "coragem" tem origem no latim coraticum, que significa "a bravura que vem de um coração forte". Os antigos acreditavam que a coragem nascia literalmente do coração, não da mente. A neurociência contemporânea confirma essa antiga sabedoria ao demonstrar que, graças à plasticidade cerebral, podemos treinar coragem através de pequenos atos, um não dito com firmeza, uma resposta corajosa em uma reunião. Cada ato de coragem fortalece nossas conexões neurais, tornando-nos mais capazes de agir corajosamente no futuro.

Mas por que a coragem se tornou tão urgente em 2026?

Vivemos um momento paradoxal: temos mais recursos e tecnologia do que nunca, mas enfrentamos níveis sem precedentes de ansiedade e esgotamento. O Brasil é o país com maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, com 9,3% da população afetada, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde. O burnout, reconhecido pela OMS como fenômeno ocupacional em 2022, atinge 32% dos trabalhadores brasileiros — aproximadamente 32 milhões de pessoas. A própria atualização da NR1, que agora exige avaliação de riscos psicossociais nas empresas, reconhece que fatores organizacionais como sobrecarga, pressão excessiva e ambientes tóxicos contribuem diretamente para esse adoecimento.

Nesse cenário, a coragem deixa de ser uma virtude admirável e torna-se uma competência crítica de sobrevivência profissional. É preciso coragem para reconhecer os sinais de burnout em si mesmo. Coragem para admitir que precisa de ajuda, para buscar terapia sem receio do que outros possam falar, para estabelecer limites saudáveis em um ambiente que valoriza a disponibilidade constante. Como compartilho no livro "Coragem!", vivi essa jornada ao lidar com depressão, ansiedade e burnout ao longo da minha trajetória. Sim, fui CEO e tive burnout. Pressão por resultados, M&A em andamento, um divórcio no meio do caminho. Aprendi que saúde mental é saúde, ponto final, e que ter coragem para cuidar dela não é fraqueza é inteligência emocional aplicada. Ninguém é insubstituível, nem o CEO de empresa. Somos humanos, não deuses.

A pesquisadora norte-americana Brené Brown passou décadas estudando coragem e chegou a uma conclusão: aqueles que vivem com verdadeira coragem aceitam a vulnerabilidade não como fraqueza, mas como fonte de força. "Coragem é contar a história de quem você é de coração aberto", ela afirma. Essa compreensão transforma tudo. Quando um líder tem a coragem de admitir que não tem todas as respostas, ele cria segurança psicológica na equipe. Quando um profissional tem a coragem de pedir feedback honesto sobre seu trabalho, ele abre caminho para o crescimento real. Quando alguém tem a coragem de dizer não a demandas que comprometem sua saúde, essa pessoa está exercendo a liderança mais importante de todas: a liderança de si mesma.

O desenvolvimento da coragem começa com pequenos passos deliberados. Identifique situações que normalmente provocam medo em você: pedir um aumento, dar feedback difícil, falar em público, estabelecer um limite com seu chefe. Organize essas situações da menos à mais desconfortável e enfrente primeiro o menor desses desafios. Cada pequena vitória fortalece sua capacidade para o próximo desafio. Relembre momentos em que você já foi corajoso, mesmo sem perceber. Escreva essas histórias e revisite-as quando o medo ameaçar paralisar você. Pratique a autocompaixão, reconhecendo que equívocos fazem parte do aprendizado. Fale consigo mesmo com a gentileza que ofereceria a uma amigo em situação similar.

A coragem se manifesta de múltiplas formas no ambiente de trabalho. Há a coragem de denunciar injustiças ou defender colegas sendo intimidados. A coragem de questionar ideias estabelecidas e admitir que não sabemos algo. A coragem de expressar sentimentos de forma saudável e admitir erros. A coragem de ser autenticamente quem somos, mesmo quando isso desafia expectativas corporativas.

Em 2026, num mercado onde oito das dez competências mais valorizadas são humanas, a coragem se revela como a grande habilidade que as sustenta. Cada pequena ação corajosa reforça a confiança, constrói resiliência e alinha escolhas aos valores que realmente importam. A coragem se transforma em hábito quando praticada consistentemente e esse é exatamente o tipo de profissional que o futuro do trabalho não apenas valoriza, mas urgentemente necessita.

Luciana Pianaro é empreendedora, palestrante e escritora. Foi CEO e Publisher da Vida Simples. Em 2024, vendeu a empresa e tirou um período sabático, onde cuidou mais de sua saúde, da sua família e escreveu um livro sobre o tema da coragem.

Coragem! Para mudar, transformar-se e ser você mesmo. Editora Amarylis, 2025.


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