Golpe após roubo: como criminosos agem e como se proteger
*Por Tatiany Martins, vice-presidente da Pitzi
O roubo ou furto de um celular já é, por si só, uma situação de grande estresse. Mas o que muitos brasileiros ainda não percebem é que, nas horas ou dias que se seguem ao crime, pode vir uma segunda onda de prejuízos: os golpes pós-roubo. E o cenário atual mostra que esse risco está crescendo rapidamente. De janeiro a agosto de 2025, apenas na cidade do Rio de Janeiro, 36.158 aparelhos foram levados, o maior número desde o início da série histórica em 2003. Isso significa que, em média, 148 pessoas por dia têm o celular tomado na capital fluminense, um caso a cada dez minutos. O aumento dos furtos e roubos alimenta um ambiente de insegurança e acelera a ação de criminosos que buscam não apenas o aparelho, mas principalmente o acesso aos dados que ele contém.
Com o avanço das tecnologias e a dependência cada vez maior dos smartphones para quase todas as atividades cotidianas, os criminosos encontraram novas formas de ampliar seus lucros explorando vulnerabilidades digitais e emocionais. O golpe começa com a informação. Quando alguém tem o celular levado, junto vai a porta de entrada para dados pessoais, senhas, e-mails e redes sociais. Os criminosos agem rápido para acessar essas informações antes que o dono consiga bloquear o aparelho e tentam se passar pela vítima para entrar em contas bancárias, pedir dinheiro a contatos, contratar serviços ou aplicar fraudes que podem resultar em prejuízos significativos. É uma etapa que se apoia na confiança, já que amigos, familiares e colegas acreditam estar ajudando alguém próximo quando, na verdade, estão sendo enganados.
Esse cenário reforça que a prevenção precisa começar muito antes do crime acontecer. Senhas fortes, autenticação em dois fatores e sistemas de bloqueio remoto ativados são medidas essenciais, mas ainda pouco utilizadas pela maior parte das pessoas. Da mesma forma, saber como agir imediatamente após o roubo pode ser determinante. Deslogar contas à distância, avisar o banco e registrar um boletim de ocorrência são ações que reduzem riscos e evitam que um transtorno se transforme em um desastre financeiro. A rapidez da reação faz diferença.
Há também um impacto emocional que não deve ser subestimado. A vítima costuma estar em estado de choque, e os golpistas se aproveitam exatamente da confusão e da vulnerabilidade desse momento. Por isso, é importante fortalecer uma cultura de orientação e apoio. As pessoas precisam ser informadas sobre os riscos e ter clareza sobre o que fazer em cada etapa, desde a proteção dos dados até a comunicação com familiares e amigos para evitar que o golpe se propague.
Os golpes pós-roubo são um problema que vai além da tecnologia. Eles refletem uma sociedade em que a informação se tornou tão valiosa quanto o próprio aparelho. Enquanto existirem brechas de segurança, de atenção ou de conhecimento, elas continuarão sendo exploradas. Combater esse tipo de fraude exige conscientização dos usuários, atuação responsável das empresas e políticas mais robustas de proteção digital.
Vivemos em um mundo cada vez mais conectado, e a segurança precisa acompanhar esse ritmo. Cada clique, cada dado e cada senha merecem o mesmo cuidado que damos a uma fechadura. Quando o golpe acontece, o risco não é apenas perder um bem material, mas comprometer relações e confiança. E recuperar isso pode ser muito mais difícil do que substituir um celular.
*Tatiany Martins é vice-presidente da Pitzi, insurtech brasileira especializada na proteção de eletrônicos em parceria com varejistas e fabricantes. E-mail: .
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