Gestão de pessoas ganha protagonismo na estratégia das empresas em 2026
Durante anos, o chamado RH estratégico foi tratado como o ápice da maturidade da gestão de pessoas, mas é preciso dizer com clareza que esse modelo perdeu o sentido e já não responde à realidade do mercado. Em grande parte das empresas, ele se limita à digitalização de tarefas, a uma postura excessivamente assistencialista e a iniciativas que, embora bem-intencionadas, falham em engajar equipes e, principalmente, em gerar impacto real nos resultados do negócio.
O modelo tido como estratégico, amplamente aceito por décadas, não gera impacto financeiro mensurável e mantém o RH distante das mesas de decisão. No Brasil, ainda vejo muitos departamentos de Recursos Humanos atuando quase exclusivamente em atender às demandas individuais, sem conexão direta com os objetivos estratégicos da organização.
Infelizmente, ainda é comum encontrar gestores de RH que restringem sua atuação à ideia de cuidar de pessoas. Muitos se sentem bem-sucedidos por manter a sala sempre cheia, interpretando a procura constante de colaboradores como sinal de confiança, quando, na verdade, isso, muitas vezes, revela a ausência de processos claros, autonomia e direcionamento estratégico.
É o momento de transformar o RH, rompendo com seu histórico de isolamento e assumindo algo inegociável como a capacidade de provar, por meio de dados e métricas de negócio, o valor das decisões e projetos de gestão de pessoas e produtividade. É isso que define o conceito de “RH Extraordinário”.
O “RH Extraordinário” vai além do papel tradicional. Ele conecta a visão de futuro da empresa ao desenvolvimento das pessoas, ajudando profissionais a alcançarem seu máximo potencial enquanto geram resultados concretos. Sua força não está apenas em estar próximo da estratégia, mas em identificar dores reais, propor soluções sob medida, mensurar impactos e integrar cultura, performance e desenvolvimento de forma consistente e sustentável.
É essa abordagem transformadora que me inspirou pessoalmente. É a partir dessa perspectiva que compartilho minha própria trajetória. O que começou com uma inquietação diante das limitações do RH tradicional se transformou em um movimento. Uma jornada que une propósito, tecnologia e coragem, e que prova que, quando acreditamos no potencial humano, a gestão de pessoas deixa de ser apenas estratégica para se tornar verdadeiramente extraordinária.
Ao longo de mais de 20 anos, atuei em diferentes empresas, ocupando cargos de liderança e, como diretor, acompanhando de perto os desafios enfrentados por profissionais de diversas áreas. Vi equipes talentosas desmotivadas, gestores sobrecarregados por tarefas repetitivas e um RH limitado ao papel de executor administrativo. Encontrei ainda sistemas fragmentados, dezenas de softwares que não se comunicavam e uma total dificuldade de mostrar, de forma concreta, como as ações de gestão de pessoas impactavam os resultados do negócio.
O que sempre me incomodou foi perceber que os gestores de RH têm muito mais potencial do que simplesmente organizar treinamentos pontuais, aplicar avaliações ou conduzir ações superficiais. O que faltava era método, visão de negócio e ferramentas capazes de transformar pessoas e projetos em resultados concretos e mensuráveis.
Hoje, muitas empresas se dizem com um RH estratégico, mas, na prática, a área ainda fica presa à rotina operacional. Funciona como uma prateleira de soluções, oferecendo respostas apenas quando solicitadas. O “RH Extraordinário”, por outro lado, trabalha com métricas de negócio, entende que resultados vêm das pessoas e atua como um verdadeiro consultor interno, conectando desenvolvimento humano a impacto real.
Meu compromisso sempre foi mover os mesmos indicadores que orientam áreas como comercial, operações e qualidade. Porque só quando a gestão de pessoas influencia esses números, o RH deixa de ser coadjuvante e se torna protagonista. No fim, não se trata de escolher entre pessoas ou resultados, mas de perceber que resultados extraordinários só acontecem quando as pessoas estão de fato conectadas à estratégia da empresa.
Por Rafael Giupponi
Especialista em gestão de pessoas focada em resultados e CEO da InCicle
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