Pressão por dívidas leva empresas a focarem na recuperação do controle financeiro
Organização, leitura de números e negociação estratégica ajudam empresários a atravessar o aperto bancário sem decisões no escuro
Manter uma empresa operando quando a dívida bancária aperta tem se tornado um desafio recorrente para empresários brasileiros. Com juros elevados, crédito mais seletivo e margens comprimidas, o desequilíbrio financeiro deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de negócios de diferentes portes e setores. Dados do Sebrae, com base no Mapa de Empresas, indicam que cerca de 30% das empresas brasileiras operam com desequilíbrio financeiro, condição que costuma anteceder a inadimplência formal.
Nesse cenário, especialistas alertam que o maior risco não é a existência da dívida em si, mas a falta de controle sobre ela. Segundo Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial, o problema começa quando o empresário perde clareza sobre números, contratos e obrigações futuras. “Quando a dívida aperta, muitos gestores passam a decidir no escuro. Sem diagnóstico, qualquer movimento vira reação, não estratégia”, afirma.
Levantamento do Sebrae mostra que a má gestão financeira está entre as principais causas do fechamento precoce de empresas no Brasil. Ainda assim, a maioria dos empresários só busca organização ou apoio técnico quando a pressão bancária já compromete o caixa. “É comum encontrar empresas que não sabem exatamente quanto devem, para quem devem e em quais condições. Isso enfraquece qualquer tentativa de negociação”, explica Pelozato.
A reorganização financeira, segundo o especialista, passa por etapas práticas: mapear o passivo completo, separar dívidas operacionais, bancárias e tributárias, revisar contratos e entender direitos antes de sentar à mesa com credores. Esse processo devolve previsibilidade ao negócio. “Quando o empresário entende seus números e conhece as regras do jogo, a dívida deixa de ser um peso emocional e passa a ser apenas um número, controlável e planejável”, diz.
O contexto macroeconômico reforça a necessidade de método. Dados do Banco Central mostram que o custo do crédito permaneceu elevado ao longo de 2024 e 2025, reduzindo a margem para improviso. Empresas que não se organizam tendem a aceitar renegociações desfavoráveis ou recorrer a soluções emergenciais que comprometem ainda mais o futuro do negócio.
Para Pelozato, retomar o controle financeiro não significa eliminar dívidas de forma imediata, mas recuperar a capacidade de decisão. “A empresa continua respirando quando há estratégia. Organização, negociação técnica e clareza sobre o próprio cenário financeiro são o que permitem atravessar períodos de aperto sem perder o comando”, conclui.
Em um ambiente de crédito restritivo e maior pressão sobre o caixa, especialistas avaliam que a capacidade de leitura financeira e negociação estruturada será determinante para a sobrevivência e a retomada sustentável das empresas nos próximos anos.
Sobre Marcos Pelozato
Marcos Pelozato é advogado, contador e empresário com 14 anos de atuação no setor de reestruturação empresarial e recuperação judicial. Reconhecido como referência no segmento, presta assessoria estratégica a empresas em crise financeira, com foco em reorganização societária, gestão de passivos e recuperação de negócios.
À frente de um escritório especializado, Marcos também atua como mentor para advogados e contadores interessados em ingressar na área de reestruturação, com o objetivo de ampliar o número de profissionais capacitados a atuar diante da crescente demanda por soluções eficazes em gestão de crise.
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