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A importância dos investidores institucionais na gestão de recursos

Por Luiz Marcatti e Herbert Steinberg*

Hoje as empresas de capital aberto estão sob forte pressão para uma atuação mais responsável, em linha com o que preconiza o recorte ESG (aspectos ambientais, sociais e de governança). O impulso para as mudanças e adaptações dos negócios vem de consumidores, reguladores, da sociedade em geral e, particularmente, dos investidores. O momento requer, das companhias, uma atuação responsável, fator imprescindível para continuarem gerando valor de longo prazo.

Entre esses investidores, destacam-se os institucionais. Trata-se de organizações com grande volume de aportes, nos mais variados setores, e que precisam garantir bons retornos para arcar com pagamentos futuros para seus beneficiários. Nesse contexto, os investidores institucionais devem encontrar maneiras de atuar junto às companhias investidas para assegurar uma atuação em conformidade com o que se espera delas em termos de responsabilidade corporativa. Têm a tarefa, em resumo, de exercer adequadamente seu papel de fidúcia em relação aos recursos que têm sob sua gestão.

Quando se fala em ESG, por sinal, o Brasil ainda parece estar engatinhando. Estudo divulgado recentemente pela consultoria MB Associados com um ranking de 19 países emergentes classificados conforme esses parâmetros mostra que o Brasil ocupa uma nada confortável 17ª posição — perde apenas para Filipinas e África do Sul. O ranking foi baseado em classificação de aspectos ambientais da Universidade Yale, em dados do Índice de Gini (que mede desigualdades sociais) e em informações do Banco Mundial. O trabalho corrobora a percepção de que as companhias brasileiras ainda precisam apresentar significativos avanços nesse contexto.

A importância da responsabilidade fiduciária dos investidores institucionais é um ponto central da interpretação do cenário feita pela doutora em Finanças e mestre em Economia Eliane Lustosa durante o mais recente MESA AO VIVO. Conselheira independente de administração, com passagens marcantes pela Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a economista observa que a responsabilidade corporativa tornou-se um pilar na dinâmica do mercado de capitais. É esse aspecto, afirma, que leva os fatores ambientais e sociais para dentro do conceito de governança. Por sua vez, os investidores institucionais devem agir de forma a assegurar que as companhias sigam esse caminho.

Se os institucionais verdadeiramente adotarem essa postura, podem integrar um círculo virtuoso que envolve demanda por ação corporativa responsável, indicações bem-sucedidas de conselheiros de administração engajados e comprometidos com a função e participação ativa no âmbito do conselho para desenho de estratégias capazes de garantir a perenidade da companhia. Essa dinâmica positiva pode atender bem aos anseios dos investidores em geral e contribuir para a manutenção de talentos na companhia, com benefícios para todas as partes interessadas.

Outro ponto fundamental está na ideia de coerência da atuação corporativa. Diz Lustosa que uma das grandes preocupações atuais envolve a possibilidade de “greenwashing” — ou seja, de a companhia divulgar iniciativas em linha com as demandas ESG sem que realmente as tenha incorporadas na cultura corporativa. Os investidores institucionais, por seu peso e relevância, têm uma função primordial na prevenção e na identificação desse tipo de caminho deletério que pode ser escolhido por muitas companhias. Os institucionais estão numa posição privilegiada para aferir a compatibilidade da narrativa da empresa investida com o que de fato faz.

Particularmente quanto à dinâmica dos fundos de pensão, é preciso esforço para se blindar as operações de ameaças de interferência de interesses que não são os dos beneficiários. O trabalho é árduo, reconhece a conselheira, citando uma lição aprendida com Francisco Gros, ex-presidente do Banco Central (BC), da Petrobras e do BNDES: blindagem só é possível quando a ameaça vem de fora; quando o perigo está dentro da própria organização não dá para protegê-la. Por isso, paralelamente aos processos, atenção especial seja dedicada a pessoas que tomam as decisões.

Atentos ao que fazem as companhias investidas e à qualidade de seus processos e equipes, os investidores institucionais têm tudo para contribuir com o avanço do mercado de capitais e com o desenvolvimento do País. Com suas pressões podem buscar o complexo, mas necessário, equilíbrio entre a sua própria responsabilidade fiduciária e a cobrança da responsabilidade corporativa, ainda mais relevante nesse mundo dominado por demandas ambientais, sociais e de governança.

Respectivamente, sócio e presidente e sócio, fundador e presidente do conselho da MESA Corporate Governance


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