Como estará o Brasil depois da pandemia?
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Vivaldo José Breternitz
A resposta é simples: não sabemos. Tentar prever o futuro quase sempre é passar vergonha: Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943 disse acreditar que no futuro talvez houvesse mercado para cinco computadores!
Mas é preciso correr esse risco: alguma coisa já podemos antever como consequência das necessidades de intervenções do Estado e dos efeitos da forte redução do comércio, da produção e do emprego. Acreditamos ser bom que governos, empresas e cidadãos se preparem para o pós pandemia, se sobrevivermos.
A pandemia chegou num momento em que, além do governo federal, a maioria dos estados e municípios já estava quebrada, sem margem para elevar seus gastos. O governo federal vinha operando com déficits primários e um endividamento da ordem de 76% do PIB; esforços, como a reforma da Previdência, foram feitos para a redução de gastos - o governo sonhava terminar este ano com um déficit de 1% do PIB, algo como R$ 70 bilhões.
Mas, apenas os programas de ajuda aprovados até agora devem levar o déficit a R$ 500 bilhões, sendo óbvio que a tendência é de aumento ainda maior. A forte redução da atividade econômica fará a arrecadação da União, estados e municípios, desabar. Em resumo: mais despesas e menos receitas em todos os níveis de governo.
Ao fim da pandemia com certeza nossos governos estarão ainda mais endividados e com déficits enormes, o que significa menos obras e empregos, salários congelados e queda na qualidade dos serviços públicos. A única alternativa a esse cenário seria um aumento brutal de impostos, o que não é viável no momento.
Pode-se prever também que um grande número de médias e pequenas empresas não vai sobreviver se a pandemia durar muito tempo, o que é a hipótese mais provável; algumas grandes também quebrarão. Os remédios à disposição podem alongar a agonia dessas empresas, mas são insuficientes para assegurar sua sobrevivência, pois sem faturar, sem caixa e sem acesso a crédito, não vão poder continuar operando e dando empregos por muito tempo.
As empresas que sobreviverem precisarão submeter-se a ajustes, desde encolhimento até a adoção de novas tecnologias, formas de organização e trabalho, além da racionalização das cadeias de suprimento.
Serão tempos difíceis. Estávamos crescendo muito pouco, não conseguíamos eliminar bolsões de pobreza; essa situação deve perdurar por muito mais tempo. Poderia ser um pouco menos ruim se fossemos unidos e nossas lideranças estivessem à altura da situação, o que infelizmente está longe da verdade.
Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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