O fim de ano e a metafísica do consumo
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Lorena Oliva
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Em um contexto como o nosso, marcado pelo consumismo e pela supervalorização do individual, palavras como “metafísica” podem soar retrógradas ou fora de moda. No entanto, a metafísica – estudo da essência das coisas – não deixa de exercer um certo fascínio e despertar interesse, ainda que motivada pela mera curiosidade.
O fim e o início de ano são momentos marcantes. Fazemos uma retrospectiva, agradecemos, nos emocionamos. Colhemos resultados, celebramos, rimos e choramos, planejamos e esperamos que o próximo ano seja melhor. Lembrando Boécio, na Consolação da Filosofia: “O ano tem o direito de cobrir por um período a terra de flores e frutas, e depois torná-la irreconhecível enviando chuvas e geadas”.
Contudo, não obstante à consideração dos valores pessoais, muito daquilo que realizamos, senão quase tudo, está imerso numa atmosfera de consumo. Afinal, temos necessidades das mais básicas até as mais supérfluas que precisam ser satisfeitas para que a continuação de nossa própria existência seja possível.
Porém, em momentos de celebração como do Natal e Ano Novo, a interrogação sobre o sentido de tudo o que fazemos e buscamos parece surgir como uma necessidade natural. O que realmente importa? Por que vivemos da maneira como vivemos? Qual o sentido do viver? Por que nos sentimos como eternos insatisfeitos?
Para citar um questionamento de Boécio: “Acaso existe algum homem que possua uma felicidade tão perfeita que não se queixe de algo?” Questões como essas são essencialmente metafísicas, pois remetem à busca de respostas que ultrapassam os limites do físico. Estão relacionadas com a existência, o sentido, o significado, a essência, ou com o ser e tudo o que ele significa e representa.
Oxalá a celebração do Natal e as festas de fim e início de ano ajudem a propiciar um clima favorável à reflexão. Afinal, lembrando novamente Boécio: “A felicidade terrestre traz sempre consigo preocupações e, além de nunca ser completa, sempre tem um termo”.
Autor: Prof. Dr. Luís Fernando Lopes, filósofo, teólogo e coordenador do curso de licenciatura em Filosofia do Centro Universitário Internacional Uninter.
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