Teste de sangue menstrual no rastreamento do câncer de colo do útero
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Paula Cohn
- SEGS.com.br - Categoria: Saúde
Método menos invasivo foi testado com o objetivo de aumentar adesão ao exame para detecção do HPV, vírus é responsável por mais de 95% dos casos de câncer do colo do útero; Um dos tipos de tumor mais incidentes em mulheres no Brasil, a doença corresponde a mais de 19 mil novos casos ao ano
Uma alternativa simples e menos invasiva ao tradicional exame preventivo do câncer de colo do útero pode estar mais próxima da realidade. Pesquisadores chineses demonstraram que o teste de sangue menstrual para detecção do HPV, vírus responsável por mais de 95% dos casos da doença, é quase tão preciso quanto os métodos convencionais, com a vantagem de poder ser realizado em casa, preservando a privacidade e eliminando o desconforto do exame ginecológico.
O estudo, publicado na revista científica The BMJ, envolveu mais de 3.000 mulheres entre 20 e 54 anos e comparou a eficácia do teste de sangue menstrual coletado em tiras de algodão acopladas a absorventes convencionais com as amostras coletadas por profissionais de saúde. Os resultados mostraram que a nova técnica foi quase tão eficaz na identificação do HPV de alto risco e muito precisa em descartar a presença do vírus em quem não estava infectado.
“É uma pesquisa encorajadora que pode mudar o cenário do rastreamento. Sabemos que muitas mulheres deixam de fazer o exame preventivo por medo, vergonha, incômodo com o exame ginecológicoou dificuldades de acesso. Um teste que pode ser feito em casa, de forma completamente autônoma, durante a menstruação, algo natural do corpo feminino, tem potencial para alcançar mulheres que precisam ser submetidas ao rastreamento”, avalia Andréia Melo, líder nacional de tumores ginecológicos da Oncoclínicas.
Como funciona o teste de sangue menstrual
O método utiliza dispositivos a absorventes comuns, que coletam o sangue menstrual. O material é então enviado para análise laboratorial, onde se busca a presença de tipos de HPV de alto risco, os mesmos identificados nos exames preventivos coletados de maneira convencional ou por auto coleta.
“Mulheres que testarem positivo para determinados tipos de HPV devem ser encaminhadas para colposcopia, exame que permite visualizar o colo do útero com maior detalhe e identificar lesões pré-neoplásicas, podendo ser tratadas antes de evoluírem para câncer”, explica Andréia.
Os cientistas apontam que o método respeita a privacidade feminina e reduz significativamente o desconforto físico e emocional associado ao exame ginecológico. No estudo, as participantes recebiam os resultados por meio de um aplicativo especialmente desenvolvido.
Eles destacam ainda que o screening cervical pode ser difícil para muitas mulheres por diversos motivos. As mais jovens, aquelas com deficiências e as de comunidades étnicas minoritárias e grupos LGBTQIAPN+ são mais propensas a perder consultas, segundo os pesquisadores.
No Reino Unido, o sistema público de saúde (NHS) já começou a enviar kits de autocoleta vaginal para quem perdeu vários exames e pretende expandir a iniciativa ainda este ano para um grupo maior de mulheres. Por lá, segundo dados oficiais, um terço das britânicas convocadas para o rastreamento cervical não compareceram aos exames. As razões incluem experiências traumáticas anteriores, dor e desconforto durante o exame especular, menopausa (que pode tornar o exame mais doloroso), deficiências físicas ou de aprendizagem, barreiras culturais e histórico de violência sexual.
A perspectiva brasileira: um desafio de proporções continentais
Globalmente, cerca de 660 mil novos casos de câncer de colo do útero são diagnosticados a cada ano, dos quais mais de 95% são atribuídos à infecção pelo HPV, um vírus totalmente prevenível por vacinação e cujas lesões precursoras podem ser detectadas e tratadas antes de se tornarem câncer. No Brasil, especificamente, a doença representa um grave problema de saúde pública, com dimensões e desafios próprios de um país continental marcado por profundas desigualdades.
Segundo dados do INCA para o triênio 2026-2028, são estimados 19.310 novos casos anuais, números que refletem falhas históricas na cobertura do rastreamento e na vacinação. E a distribuição geográfica dos casos revela a face mais cruel da disparidade entre as regiões brasileiras. No Norte do país, o câncer de colo do útero é o segundo tipo mais incidente entre mulheres, com 22.790 casos estimados, atrás apenas do câncer de mama. No Nordeste, ocupa também a segunda posição, com 20.760 casos. Já no Sudeste, onde o acesso à saúde preventiva é historicamente melhor, aparece em quinto lugar, com 14.060 casos.
“Essas diferenças não são coincidência. Refletem desigualdades brutais no acesso à saúde, à informação e à vacinação contra o HPV. Estamos falando de um câncer evitável que continua matando mulheres”, pontua a oncologista da Oncoclínicas.
É justamente nesse contexto desafiador que o Brasil iniciou, em 2025, uma transformação profunda na sua política de prevenção ao câncer de colo de útero. O tradicional exame Papanicolau está sendo substituído pelo teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS), com implementação completa prevista até o final de 2026.
O teste molecular, desenvolvido pela Fiocruz com tecnologia 100% nacional, identifica 14 genótipos de HPV de alto risco e, crucialmente, permite autocoleta vaginal — a própria mulher pode coletar o material com um swab (cotonete especial) e enviar para análise.
“É um avanço importante porque remove barreiras físicas e emocionais. Mulheres em áreas remotas da Amazônia, em comunidades quilombolas, ribeirinhas, indígenas - populações historicamente desassistidas - podem agora ter acesso ao rastreamento sem precisar se deslocar para centros urbanos”, explica Andréia.
O teste de DNA-HPV também é mais sensível que o Papanicolau e detecta a infecção viral até dez anos antes do surgimento de um tumor. Se negativo, o próximo exame só será necessário em cinco anos, tornando o rastreamento mais eficiente. É nesse movimento de inovação e ampliação de acesso que o teste de sangue menstrual também encontra relevância, segundo a médica. “Se a autocoleta vaginal já representa um avanço, o sangue menstrual pode ser um passo adiante para mulheres que ainda têm resistência a qualquer tipo de coleta vaginal, mesmo feita por elas mesmas. São alternativas que podem salvar mais vidas”, pondera Andréia.
Limitações e próximos passos
A especialista ressalta, todavia, que ainda é cedo para considerar o teste de sangue menstrual como substituto dos métodos atuais. A técnica funciona apenas para mulheres em idade reprodutiva que menstruam, excluindo aquelas na menopausa, que também precisam de rastreamento. Além disso, o estudo chinês tem limitações metodológicas, e são necessárias pesquisas em populações mais diversas.
“Precisamos de mais dados, especialmente em diferentes contextos sociais e étnicos, antes de validar o método para uso amplo”, resume a oncologista.
Ainda assim, a líder de tumores ginecológicos da Oncoclínicas observa os resultados preliminares da pesquisa com otimismo. Ela considera que a análise do sangue menstrual representa a direção para onde caminha a medicina preventiva: menos invasiva, mais acessível, respeitando a autonomia e as diferentes necessidades das mulheres.
“O rastreamento do câncer de colo do útero não pode ser pensado de forma única. Precisamos de abordagens sensíveis às diferentes realidades. Um teste que pode ser feito em casa pode ser a diferença entre vida e morte para muitas mulheres”, defende. “No futuro, múltiplas opções de rastreamento podem coexistir, tais como exame tradicional em consultório, autocoleta vaginal, e essa nova possibilidade de análise de sangue menstrual. Isso permitirá que cada mulher escolha o método mais adequado à sua realidade”, completa Andréia.
Vacinação: a arma mais poderosa
Enquanto novos métodos de rastreamento são desenvolvidos, a especialista reforça que a verdadeira prevenção começa com a vacinação. O Brasil adotou em 2024 o esquema de dose única da vacina contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos, disponível gratuitamente no SUS.
“O nosso país tem um dos melhores programas públicos de imunização do mundo. O desafio agora é garantir adesão, logística e combater a desinformação. A vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, sendo os dois últimos (16 e 18) os mais comuns ligados ao câncer do colo do útero. Estamos falando de um tipo de tumor evitável. Quando vemos adolescentes deixando de se vacinar por fake news, sabemos que estamos plantando casos futuros de uma doença que poderia simplesmente não existir”, diz a líder de tumores ginecológicos da Oncoclínicas.
Enquanto novas tecnologias são desenvolvidas, é essencial reforçar a importância de não abandonar as ferramentas já disponíveis, sendo a vacina e os exames preventivos consolidados armas poderosas para reduzir as taxas de incidência e morte por câncer de colo de útero. “Não podemos esperar a solução perfeita enquanto mulheres continuam morrendo em decorrência de uma doença evitável. O importante é que todo o arsenal disponível no combate ao câncer de colo de útero chegue a todas de forma equitativa. Porque nenhuma mulher deveria morrer de um tipo de tumor que pode ser prevenido ou detectado precocemente. Essa é a promessa que precisamos cumprir”, conclui Andréia Melo.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente.
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