SEGS Portal Nacional

Turismo

Turismo e o movimento de retomada para bem servir

  • Quarta, 22 Setembro 2021 10:18
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Thatiana Bueno
  • SEGS.com.br - Categoria: Turismo
  • Imprimir

Grazielle Ueno Maccoppi (*)
Cláudio Aurélio Hernandes (*)

Existem, naturalmente, várias formas de olhar para um mesmo objeto e a intenção deste texto é ampliar a observação sobre o setor do turismo. Com a instalação da pandemia da Covid-19 pelo mundo tudo passou, em algum grau, por alguma modificação. Alteramos nosso modo de viver, de se comunicar, de trabalhar e de se movimentar. Mesmo que algumas fronteiras em todos os continentes estejam sendo reabertas, as viagens nunca mais serão as mesmas.

Diante da gravidade da crise sanitária e de todas estas transformações sendo vivenciadas, nos propomos a repensar a área partindo do pressuposto que o turismo é mais do que uma paisagem instagramável, com um pôr do sol sem filtro. A atividade é fonte de renda e sobrevivência para tantos, tanto que é mundialmente reconhecida por sua potência econômica e já chegou a representar 10,4% do PIB Mundial, segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC, 2019). Porém, agora sofre com a queda abrupta de 85% no fluxo turístico internacional registrado em 2019, bem como uma queda de cerca de 60% em 2020, de acordo com a Organização Mundial do Turismo.

O turismo é um setor de especial interesse para o Brasil. Não apenas porque movimenta uma expressiva quantidade de capital, mas sobretudo por envolver microempreendedores individuais (MEIs) e pequenos negócios em sua base. No país, atualmente, são mais de 11,3 milhões de MEIs ativos, o que corresponde a 56,7% dos negócios em funcionamento. Nesse sentido, o turismo é uma atividade que tende a pulverizar postos de trabalho e promover a descentralização da renda por todo território nacional. Recentemente, os pequenos negócios apresentaram um saldo positivo no número de geração de empregos com carteira assinada, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia (CAGED). Foram 71,8% das vagas criadas no Brasil, com destaque para o setor de serviços, que lidera o número de contratações com mais de 87 mil vagas somente no mês de junho (o que ainda está longe de representar os níveis anteriores à pandemia).

Dada a relevância econômica do setor, desenvolver estratégias pensando em atrair turistas sempre foi a principal linha de ação e não há nada de errado em atraí-los, considerando que quanto maior o fluxo turístico internacional, maiores são as divisas circulando e, por consequência, a performance econômica das cidades envolvidas. No entanto, há inúmeras críticas a um modelo de exploração do turismo pautado no volume e na geração de divisas como principal objetivo.

Embora este seja o modelo predominante, a sua lógica favorece a geração de inúmeros danos ambientais e socioculturais. Então a verdade é que olhar para o turismo e para seu desenvolvimento sob perspectivas diferentes faz parte do momento atual e da postura diante da retomada do setor. Esse olhar indica a autocrítica e uma falta de reconhecimento do potencial interno. É hora de ajustar a lente e voltar-se para a soma de esforços para “arrumar a casa”. Valorizar o pequeno e microempreendedor é primordial, eles são fundamentais para sustentar a segurança econômica tão relevante em tempos críticos.

O turismo brasileiro pode aliar a seu favor o cenário econômico e a alta do dólar que de um lado dificulta as viagens internacionais, mas de outro motiva o interesse nas viagens domésticas. Ou seja, neste momento o mais importante para a retomada do turismo é direcionar os esforços para a oferta de produtos condizentes com o que todo ser humano aprendeu a valorizar nesse período de isolamento: voltar-se para a oferta e não para a demanda. Por exemplo, se torna emergente promover um descolamento daquele turismo com regras postas pelo mercado: viagens pautadas na superlotação, no excesso de turistas em detrimento da qualidade e exclusividade.

A demanda deve ser consequência natural de bons produtos sendo ofertados, produtos que estabeleçam em linhas claras o seu limite e sua capacidade de bem atender. Há a possibilidade de ofertar produtos e destinos turísticos que promovam conexão real com a natureza, com as pessoas e as culturas. É oferecer oportunidades de equilíbrio, contemplação e autenticidade, como sugerem os estudos de tendências mundial pós pandemia.

Para este realinhamento dos propósitos do turismo é fundamental observá-lo enquanto um fenômeno humano complexo, multifacetado e que, dentre suas camadas, possui um conjunto extenso de equipamentos e empreendimentos postos a servir. São atividades econômicas advindas dos meios de hospedagem, alojamento, transportes, alimentação, agenciamento, eventos e tantas outras. Embora a produção de bens esteja contemplada, o turismo é essencialmente associado aos serviços. Assim, a maioria das empresas do setor são prestadoras de serviços e, como tal, precisam de uma gestão voltada para bem servir.

Todos nós, em algum grau, tivemos a oportunidade de saborear o gosto amargo de se manter em isolamento, afastados e sem se deslocar. A retomada do turismo está diretamente relacionada a esta sensação e, por consequência, uma nova forma de observar e interpretar o turismo vai além dos recursos econômicos provenientes dele. Afinal, a principal característica da atividade turística envolve a relação humana, o convívio, a autenticidade e a experiência proporcionada a cada indivíduo, em diferentes graus.

Já que as relações se transformaram durante a pandemia da Covid-19 é necessário que possamos encontrar formas de voltar a este convívio. Talvez essa seja a real potencialidade do turismo: o compartilhamento de experiências que criam memórias e nos fazem ver o mundo com nossos próprios olhos. Para além do alicerce econômico que a atividade turística promove, está a edificação de novos olhares para o nosso espaço e nosso tempo.

(*) Grazielle Ueno Maccoppi é coordenadora dos Cursos de Gestão de Turismo e Gestão Empreendedora de Serviços da Escola de Gestão Comunicação e Negócios – Centro Universitário Internacional Uninter

(*) Cláudio Aurélio Hernandes é coordenador dos Cursos de Processos Gerenciais e Negócios Digitais da Escola de Gestão Comunicação e Negócios – Centro Universitário Internacional Uninter


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+TURISMO ::

Fev 27, 2026 Turismo

China desponta como um dos destinos tendência de 2026…

Fev 26, 2026 Turismo

Páscoa em Campos do Jordão: experiências românticas no…

Fev 25, 2026 Turismo

5 dicas essenciais para quem vai viajar ao exterior…

Fev 24, 2026 Turismo

Orlando para adultos: um destino completo para quem…

Fev 23, 2026 Turismo

Penang: a ilha malaia que vem chamando atenção em 2026

Fev 20, 2026 Turismo

Turismo religioso no Paraná atrai fiéis para a Rota do…

Fev 19, 2026 Turismo

Como aproveitar a Copa do Mundo 2026 combinando paixão,…

Fev 19, 2026 Turismo

Semana Santa na Nascente Azul tem ecoturismo para toda…

Fev 18, 2026 Turismo

Especialista em cruzeiros Disney analisa os roteiros do…

Fev 13, 2026 Turismo

The Brando mantém 5 estrelas no Forbes Travel Guide

Fev 12, 2026 Turismo

Carnaval aquece turismo regional e impulsiona viagens…

Fev 11, 2026 Turismo

Turismo de nicho: como as agências especializadas…

Fev 10, 2026 Turismo

Tierra Atacama e Tierra Patagonia lançam oferta 4×3…

Fev 09, 2026 Turismo

Carnaval em Caraíva: Villa Fulô Casa Hotel convida a…

Fev 06, 2026 Turismo

5 destinos para fugir do agito e encontrar o silêncio…

Fev 05, 2026 Turismo

Bahamas alcançam sucesso turístico sem precedentes ao…

Mais TURISMO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version