SEGS Portal Nacional

Agro

A safra precisa acontecer, para não emagrecer o país

  • Sexta, 20 Mai 2022 11:32
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Mariana Cremasco
  • SEGS.com.br - Categoria: Agro
  • Imprimir

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável

O debate está no ar: o dinheiro para crédito rural já apertou e o governo está sem recursos para o Plano Safra 2022-2023, que começa a contar no segundo semestre. No momento, a perspectiva do crédito rural para a próxima safra é de desequilíbrio entre o necessário e o disponível no orçamento projetado, diante da nova realidade dos juros, que saltaram de 2,5% em meados do ano passado para 11,75% agora. Com essa escalada, o dinheiro previsto para o crédito rural neste ano já foi gasto no primeiro semestre, esvaziando o cofre.

Como a expectativa é de um volume de R$ 9 bilhões para cobrir os juros do Plano Safra 2022-2023, esse dinheiro precisa ser remanejado de outros espaços do orçamento federal, já que a regra do teto de gastos limita a alocação recursos extraordinários. Nos bastidores do governo e do mercado, também circularam balões de ensaio sobre a hipótese de novos termos de financiamento com um aumento da taxa de juros do crédito rural, como alternativa para acomodar a situação.

Nosso país pratica um dos menores níveis de apoio à agricultura do mundo, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede a proporção da receita bruta da agricultura que vem do apoio das Políticas Agrícolas de governos. É a chamada Estimativa de Apoio ao Produtor (PSE na sigla em inglês). Esse levantamento indica que a PSE do Brasil foi de 1,35% em 2020 (último dado disponível), frente a 18,07% na média dos países membros da OCDE (as economias mais avançadas do mundo). Com um particular: para Estados Unidos e China, os dois maiores produtores agrícolas, os índices PSE foram 11,03% e 12,17%, respectivamente.

Sob essa perspectiva, a política agrícola brasileira é eficiente e tem um baixo custo para o governo. Por exemplo: se tomarmos por base os gastos com essa política em 2021, observa-se que corresponderam a somente 0,84% do Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP), que foi de R$ 1,13 trilhão. Ou seja, um custo total para o governo de R$ 9,5 bilhões, montante equivalente a pouco mais de 15% do que foi pago em precatórios (R$ 54 bilhões) em 2021.

A política agrícola brasileira, enfim, é barata e bastante assertiva, pelos benefícios que a agropecuária traz para a sociedade. Por exemplo, a garantia de segurança alimentar, evolução do IDH nas regiões produtoras, liderança na exportação de vários alimentos e elevado saldo na balança comercial agrícola. Além disso, ainda vivemos hoje impactos profundos da pandemia, agora potencializados pela guerra na Ucrânia e pelos problemas climáticos. E o resultado são fatores que invadem nosso cotidiano, como alta no preço das commodities, desorganização de cadeias produtivas, inflação dos alimentos e alta dos juros, entre outros reflexos.

Um contexto no qual é essencial assegurar a expansão da produção agrícola, viabilizando o crédito suficiente para a safra. Como forma de criar um contraponto à inflação dos alimentos, reforçar a estabilidade de nossa segurança alimentar interna e ampliar o protagonismo do país no mercado internacional. Este último ponto, aliás, é questão de marketing estratégico para o país, pois os órgãos internacionais já reconhe¬cem que o Brasil representa hoje a garantia de segurança alimentar do mundo. Ocupar mais rápido esse espaço, aproveitando a janela de oportunidade, é fortalecer nossas raízes de competitividade e trazer o futuro para mais perto.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicílio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, por sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. Não podemos deixar de lembrar que a evolução da civilização só foi possível devido à agricultura. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa, assim como a larga experiência dos agricultores, seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS nas redes sociais:

Sobre o autor

Coriolano Xavier é graduado em Filosofia pela USP, jornalista e publicitário, com especializações em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Pace University em Nova York (EUA). É diretor-geral da MCA - Marketing e Comunicação, sócio-diretor da Biomarketing e membro do Conselho Científico para o Agro Sustentável (CCAS). Foi eleito Profissional do Ano de 2002 pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA). Publicou dois livros em coautoria com José Luiz Tejon, Marketing & Agribusiness (1994, e 4a. ed. em 2003) e Marketing e agronegócio: a nova gestão, diálogo com a sociedade (2009). Foi Professor e Coordenador adjunto do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM, professor de MBA da FGV / Rio e Diretor da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes) e Conselheiro do Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária).


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+AGRO ::

Mar 26, 2026 Agro

Suplementar bovinos no período das águas vale a pena?

Mar 25, 2026 Agro

Corretivo de solo sustentável entra para o programa…

Mar 24, 2026 Agro

Plataforma colaborativa transforma dados em decisões e…

Mar 23, 2026 Agro

Alta dos custos no campo abre espaço para revisão de…

Mar 20, 2026 Agro

Controle de Salmonella e exigências de mercados…

Mar 19, 2026 Agro

Belgo Arames apresenta soluções de cercamento para…

Mar 18, 2026 Agro

Irrigação, ESG e o futuro do agro: por que produzir…

Mar 17, 2026 Agro

Alta produtividade da cenoura no inverno aumenta oferta…

Mar 16, 2026 Agro

Agronegócio americano tem oportunidades para a…

Mar 13, 2026 Agro

Produtores brasileiros já são remunerados por práticas…

Mar 12, 2026 Agro

Quem está roubando o desempenho do rebanho?

Mar 11, 2026 Agro

Venda de fazenda arrendada não retira os direitos do…

Mar 10, 2026 Agro

Bioinsumos ganham espaço na produção de frutas e…

Mar 09, 2026 Agro

Prevenção de doenças do milho no momento certo pode…

Mar 06, 2026 Agro

Mercado de fertilizantes cresce quase 10% em 2025 e…

Mar 05, 2026 Agro

Com Brasil no topo da exportação de carne mundial,…

Mais AGRO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version