Preconceito estreita oportunidades para negros e mulheres na área de TI
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Beatriz Bradley
- SEGS.com.br - Categoria: Info & Ti
Para Gisele Miranda, Mentora em Carreira e Liderança, problema ainda está muito presente no mercado de trabalho, mas empresas buscam alternativas para diversidade
Um dos grandes obstáculos para os negros e para as mulheres no mercado de trabalho é passar por cima do racismo e do machismo, principalmente quando falamos em cargos de liderança. No universo da tecnologia as coisas são ainda piores e a área está entre as que menos acolhe esses profissionais.
De acordo com um levantamento da IT Mídia em parceria com a PageGroup, apenas 12,92% das posições de alto escalão são ocupadas por negros e pardos. O público feminino representa uma porcentagem bem similar - somente 12,06% desse contingente.
Para Gisele Miranda, Mentora em Carreira e Liderança Feminina, por conta do machismo ainda muito presente no mundo corporativo e na sociedade, muitas mulheres são excluídas de processos seletivos, demitidas sem motivo claro, e até mesmo sofrem por conta da maternidade, ainda vista como um ponto negativo. “Essa é uma postura ultrapassada, que atrapalha não somente o profissional, como também tem impacto negativo sobre a própria corporação”, explica ela.
Quando falamos na área de TI, independentemente do cargo, esse problema pode ser ainda pior, pois é uma profissão em que, naturalmente, existem mais profissionais homens. “Isso pode pesar na hora de abrir espaço para uma profissional mulher e também afasta as mulheres desse mercado, pois muitas acabam optando por outro caminho por preverem as dificuldades que terão para se encaixar em um ambiente de trabalho masculino”, comenta.
No caso dos executivos de TI, negros e pardos representam uma parte muito pequena dentro desses cargos, mas, além disso, recebem menos que os brancos. De acordo com pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa diferença pode chegar à alarmante porcentagem de 45%. “É claro que isso faz parte de um contexto histórico do Brasil, que convive diariamente com o racismo, não somente dentro das organizações”, explica a mentora.
Iniciativas em prol da democratização
A “boa notícia” é que na recente pesquisa Executivos de TI 2022, 97%, 97% dos entrevistados - número quase unânime- afirmam que têm noção do tema, participam de algumas ações e até mesmo lideram a responsabilidade sobre o assunto, o que é positivo e um indício de avanço. Para Gisele, é preciso que se entenda, de uma vez por todas, que produtividade, pró-atividade, competência, e todas as outras características valorizadas pelo mercado de trabalho independem de idade, sexo, cor e classe social. “É o perfil do indivíduo que define o que ele é e qual sua capacidade de desempenhar uma boa performance no ambiente profissional”
“Deixar o preconceito de lado e promover a inclusão dos grupos que ainda são negligenciados no mercado de trabalho, além de ser a “coisa certa” a se fazer, é algo que conta a favor da reputação das empresas. As organizações diversas hoje ganham mais proeminência, já que o mundo está cada vez mais consciente em relação à importância de combater preconceitos, e esses não são mais tolerados”, complementa Gisele Miranda.
Sendo assim, o melhor a se fazer é juntar o “útil ao agradável”, comprometendo-se em trabalhar em prol de um ambiente mais diverso e democrático. “No entanto, é fundamental que a empresa esteja de fato engajada com a causa e promovendo ações concretas para incluir mulheres, negros, pardos, e outros grupos que acabam sofrendo preconceito. Tentar promover a chamada “diversity washing” - ou lavagem da diversidade, situação em que uma marca se apropria de pautas de diversidade e inclusão apenas para gerar lucro -, nos dias de hoje, é um verdadeiro ‘tiro no pé’”.
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