Redes Neutras: o futuro do acesso à internet no Brasil?
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Larissa Santana
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Por Olivia Braga*
A evolução na qualidade das tecnologias de comunicação exige, cada vez mais, esforços meticulosos para democratizar e integrar os usuários de diferentes segmentos e recortes. Com a necessidade crescente do uso da internet, as chamadas redes neutras aparecem como solução à expansão do serviço para onde não era possível, tornando viável que uma única operadora detentora da rede tenha, sozinha, retorno sobre o investimento.
As redes neutras podem ser entendidas como um modelo de negócio, com a cessão de infraestrutura capaz de suportar a prestação de serviços de telecomunicações, de forma isonômica e não discriminatória, portanto, uma rede compreendida como neutra. A ideia é que um operador neutro possa habilitar as companhias a utilizarem a mesma infraestrutura, ou seja, os provedores de pequeno porte podem alugar a capacidade dessa rede e atuar sem custos com rede própria.
No Brasil, o tema tem ganhado relevância com notícias sobre o interesse de diferentes players investirem nessa infraestrutura, que poderá ampliar as possibilidades e oferta de conectividade no país. Paralelo a isso, o debate tem se intensificado com a eminente implantação do 5G no país e a alta necessidade por investimentos em infraestrutura. Estudos preliminares divulgados em 2021 pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontam que as licenças dos serviços de telefonia 5G devem ficar entre R$ 33 bilhões e R$ 35 bilhões.
Esse conceito traz importantes vantagens para o desenvolvimento do país, uma vez que atua em um dos pilares críticos do desenvolvimento, que é o financiamento da infraestrutura. Na medida em que se otimiza o fluxo de investimentos, criam-se as condições para as ofertas competitivas de internet banda larga e expansão da conectividade, democratizando o acesso à informação.
Refletindo sobre o acesso à Educação, me remeto às escolas, que poderiam prover acesso aos alunos, ainda que de modo temporário, com acesso limitado ao período de aula e algumas restrições de consumo de banda, por meio de cabos neutros. Isso porque, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 2021, 98,4% das instituições particulares estão conectadas. Nas escolas públicas, o percentual cai para 83,7%, o que significa um contingente de 4 milhões de alunos sem conexão.
Ao tornar a tecnologia mais acessível aos parceiros provedores, toda a sociedade tem benefícios. Além de levar conectividade para que a Educação alcance mais pessoas, esse processo também dará abertura para que empresas e negócios se desenvolvam e colaborem para o próprio desenvolvimento local. Poderíamos, dessa forma, contribuir com um projeto arquitetônico com eficiência de cabos otimizados, que garantiriam uma verdadeira economia de escala, assim como está previsto na Lei das Antenas.
Aos menos favorecidos, ainda que seja uma utopia, desejo que esse assunto seja uma pedra no sapato de muitos especialistas, que assim como eu, acreditam que a melhor forma de diminuir as diferenças sociais, seja por meio do estudo e acesso à informação. Trabalhar em prol da democratização será peça-chave para que o desenvolvimento chegue em todos os cantos do Brasil, e com as redes neutras se tornando protagonistas nesse cenário, essa jornada será mais ágil.
*Olivia Braga é engenheira de Sistemas da Bedu.Tech, empresa de tecnologia especializada em prover serviços de Cloud, Integração e Infraestrutura em IP e redes ópticas.
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