Escolas e universidades ainda formam para um mundo que já mudou
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Bruna Bozza
- SEGS.com.br - Categoria: Educação
*Luiz Carlos Borges da Silveira Filho
As escolas e universidades que ainda operam com currículos rígidos, metodologias centradas na memorização e percursos acadêmicos previsíveis já não refletem o mundo para o qual afirmam preparar seus alunos. O modelo educacional tradicional, tanto na educação básica quanto no ensino superior, foi estruturado para uma realidade que já deixou de existir.
O avanço acelerado da tecnologia, a transformação do mercado de trabalho e o surgimento constante de novas profissões alteraram profundamente as exigências em relação à formação acadêmica. A inteligência artificial passou a desempenhar funções antes restritas a profissionais altamente qualificados, enquanto carreiras inteiras foram redefinidas. Apesar disso, escolas e universidades seguem, em grande parte, organizadas a partir de lógicas institucionais pouco conectadas às dinâmicas sociais e econômicas atuais.
No ensino superior, esse descompasso se traduz em formações excessivamente teóricas, com baixa integração entre áreas do conhecimento e pouca articulação com problemas reais. Na educação básica, a fragmentação do currículo e a priorização de avaliações padronizadas limitam o desenvolvimento de competências essenciais para a vida contemporânea.
Dados recorrentes sobre empregabilidade e evasão acadêmica indicam que o diploma, por si só, já não garante inserção profissional nem preparo adequado para contextos complexos. O que ganha centralidade são habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação, colaboração e competências socioemocionais — dimensões ainda periféricas em muitos projetos pedagógicos.
Outro ponto crítico é o distanciamento entre a experiência educacional e o cotidiano dos estudantes. Em um ambiente marcado pela abundância de informação, pela autonomia e pela aprendizagem contínua, instituições que mantêm estruturas inflexíveis tendem a perder relevância e capacidade formativa.
Revisar o papel de escolas e universidades não significa negar o valor do conhecimento acadêmico, mas reconhecer que ele precisa ser reorganizado. A formação do século XXI exige instituições capazes de integrar teoria e prática, estimular a aprendizagem ao longo da vida e preparar cidadãos para tomar decisões em cenários incertos e em constante transformação.
Manter modelos educacionais ancorados no passado deixou de ser apenas uma questão institucional. Trata-se de um desafio social amplo, que impacta diretamente a capacidade de escolas e universidades cumprirem sua função formadora em um mundo que já mudou.
*Luiz Carlos Borges da Silveira Filho é presidente da American Global Tech University (AGTU), instituição criada para democratizar o acesso ao ensino internacional oferecendo programas de mestrado em português, espanhol e inglês.
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