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Inglês pode ser diferencial no Enem e abrir portas para jovens de escolas públicas

  • Segunda, 03 Novembro 2025 18:46
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Jéssica Amaral
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Prova tem apenas 5 questões, mas saber como estudar é uma das estratégias para ter uma boa nota

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é hoje uma das principais formas de entrada para universidades públicas e privadas no Brasil. A prova, aplicada em dois domingos consecutivos — este ano nos dias 9 e 16 de novembro —, avalia o desempenho dos estudantes em quatro áreas do conhecimento, além da redação. Entre os cadernos de questões, está o de língua estrangeira, no qual o participante escolhe entre inglês ou espanhol.

Embora sejam apenas cinco perguntas, o desempenho nesse trecho pode ser determinante para aumentar a média final. Isso porque as questões não avaliam a fluência, mas a capacidade de interpretação de textos em diferentes contextos, como artigos, reportagens, poemas, músicas e cartas pessoais. Quem domina técnicas de leitura e tem familiaridade com o idioma consegue garantir pontos extras que podem ser decisivos na classificação.

Apesar da quantidade de questões, elas podem determinar o futuro de jovens, principalmente os que estudam em escolas públicas. Uma análise feita pela Folha, em 2021, identificou que o inglês representava 46% das questões que mais prejudicaram os estudantes de escolas públicas no período entre 2010 e 2019. A pesquisa exemplifica que, alunos da rede pública e particular com um bom desempenho, têm notas parecidas em matemática, por exemplo, mas não em inglês.

“Eu fiz o Enem duas vezes, e em ambas as experiências o inglês foi como uma mão na roda, porque já tinha a base. Isso me deu confiança e segurança para enfrentar a prova, e contribuiu diretamente para eu conquistar a minha vaga na universidade.” O relato é de Ana Luiza Rodrigues Limaz, ex-aluna da ONG Cidadão Pró-Mundo (CPM) e hoje estudante de Relações Internacionais.

Primeira da família a ingressar no ensino superior, ela afirma que o domínio do idioma foi decisivo para a sua entrada na universidade. “Ser a primeira da minha família a entrar numa universidade já foi uma conquista enorme, e o inglês foi essencial nesse processo. Durante os vestibulares, o Enem fez total diferença, especialmente na interpretação de textos. Já na vida universitária, percebo que o idioma abre portas diariamente, seja no acesso a conteúdos acadêmicos internacionais ou em oportunidades que surgem no meu curso”, comenta.

Metodologia da ONG incentiva o aluno a se preparar para a aula

Um dos diferenciais da CPM, organização que contribui para que Ana Luiza tivesse o aprendizado no inglês, está em sua metodologia pedagógica, baseada no modelo de sala de aula invertida. Nesse formato, o estudante se prepara antes da aula, revisando conteúdos, ouvindo áudios e interagindo com o vocabulário. Com isso, chega ao encontro com professores e colegas pronto para aplicar o que aprendeu, tirar dúvidas e aprofundar os conceitos.

Há 28 anos a organização ensina inglês gratuitamente para jovens de escolas públicas em diferentes regiões do Brasil. Reconhecida como uma das melhores ONGs de educação do país, a CPM tem como missão democratizar o acesso ao ensino do idioma e já transformou a vida de milhares de estudantes. Até 2030, a CPM pretende dobrar o número de alunos, chegando a 4.500 matriculados por ano, e expandir o quadro de voluntários para 2.800.

Rhaissa Ramon, gestora pedagógica da CPM, explica que o objetivo é formar estudantes protagonistas do próprio aprendizado. “Diferente do ensino tradicional, onde o professor fala e o estudante só escuta, as metodologias ativas engajam e dão significado ao que se aprende, porque o aluno faz parte da construção do aprendizado. Uma das metodologias que aplicamos é a sala de aula invertida, em que o estudante já chega preparado para a aula, com acesso prévio a vídeos, textos e áudios. Isso torna o tempo em sala mais rico, mais ativo e realmente voltado para a aprendizagem significativa”, explica.

Ainda segundo a gestora pedagógica, essa forma de aprender traz reflexos diretos no desempenho no Enem.“O domínio do inglês não é só um diferencial, ele é uma necessidade. No vestibular, o inglês aparece em provas de leitura e interpretação de texto, e quem já tem contato consistente com a língua consegue responder com mais rapidez e profundidade. Além disso, o idioma abre portas para intercâmbios, oportunidades acadêmicas e para o mercado de trabalho, o que é fundamental para jovens que buscam transformar suas vidas”, comenta.

O inglês como ferramenta de equidade

No Brasil, onde a maioria dos estudantes de escolas públicas enfrenta barreiras para acessar cursos de idiomas, o trabalho da CPM é estratégico para reduzir desigualdades. Ao oferecer aulas gratuitas de qualidade, a ONG ajuda a melhorar o desempenho em exames, como o Enem, mas também amplia horizontes acadêmicos e profissionais.

Ana Luiza resume esse impacto em sua própria trajetória. “Eu venho de uma família onde ninguém nunca havia pisado numa universidade. E eu conquistei isso estudando sozinha para o vestibular. Grande parte dos custos do meu currículo são de instituições gratuitas e com certificados. E o ponto de partida foi a CPM, que me abriu mentes e me ajudou a abrir portas. O inglês não é só um idioma, é um instrumento para transformar realidades. Inclusive, transformou a minha”.

No Brasil, ter o ensino superior pode mais que dobrar o salário, é o que indica o relatório EaG (Education at a Glance) 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Quem possui o diploma ganha, em média, 148% mais do que os que possuem apenas o ensino médio. “O inglês abre também portas para intercâmbios, oportunidades acadêmicas, além de oportunidades no mercado de trabalho, que é algo fundamental para o nosso jovem que quer ter essa transformação também de vida. Além das aulas, a gente também tenta ensinar a famosa meta-cognição, que é uma habilidade muito importante de ser desenvolvida”, destaca a gestora técnica da CPM.

Sobre a Cidadão Pró-Mundo

Há mais de 25 anos, a Cidadão Pró-Mundo oferece cursos de inglês gratuitos e de alta qualidade para jovens e adultos de escolas públicas e bolsistas. Em 2024, a organização sem fins lucrativos atendeu mais de 2.300 estudantes com o apoio de mais de 1.700 voluntários ativos e 21 empresas parceiras, cumprindo sua principal missão de promover a inclusão social e profissional. A organização possui oito Unidades para cursos presenciais e oferece capacitação on-line para todo o Brasil. Os estudantes que concluem o curso regular alcançam o nível B1 de proficiência em inglês, mas para quem deseja continuar se aperfeiçoando, a ONG oferece o CPM Qualify, um curso preparatório de um ano para a certificação internacional da Cambridge. 


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