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Como motivar seu filho a buscar estímulos além das telas

  • Sexta, 22 Março 2024 18:08
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Flávia Vargas Ghiurghi
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Especialistas dão 9 dicas para incentivar a criança a se desligar do universo digital e vivenciar o mundo real

De acordo com a última pesquisa do Panorama Mobile Time/ Opinion Box, 79% das crianças brasileiras de 0 a 12 anos passam, em média, 3 horas e 53 minutos por dia usando o celular, sendo que 44% delas têm seu próprio telefone, enquanto 35% utilizam o aparelho dos pais.

O tempo médio de uso diário começa em 2 horas e 56 minutos por crianças de 0 a 3 anos de idade. Passa para 3 horas e 17 minutos na faixa etária entre 4 a 6 anos, e para 3 horas e 29 minutos pelos que têm de 7 a 9 anos, até chegar a 4 horas e 46 minutos de utilização pelas crianças de 10 a 12 anos.

O período de uso está muito além do recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Segundo a instituição, crianças com idade entre 2 e 5 anos devem usar celulares e tablets por, no máximo, uma hora diária. Entre 6 e 10 anos, o tempo permitido sobe para duas horas por dia. Após os 10 anos, a recomendação é de até três horas diárias.

Impactos negativos do excesso digital: segundo a psicóloga Monica Machado, fundadora da Clínica Ame.C e pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein; uma rotina digital que extrapole estes limites pode comprometer todo o desenvolvimento das crianças.

“As telas acabam ocupando o tempo das atividades que promovem o desenvolvimento do cérebro, do corpo, da psicomotricidade, das habilidades sociais, da estrutura psicológica e cognitiva. Isso pode impedir ou retardar a evolução natural e saudável das crianças, além de gerar risco de obesidade, alterações do sono, comportamentos agressivos e ansiosos, entre outras condições”.

Para Danielle H. Admoni, psiquiatra geral e da Infância e Adolescência, pesquisadora e supervisora na residência de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM); a estimulação gerada pelas telas ativa o sistema límbico no cérebro, região que envolve as emoções e o mecanismo de ganho e recompensa.

“Este efeito acaba sendo registrado pelo cérebro da criança, que associa as telas ao estímulo positivo, a um meio de combater o tédio e proporcionar bem-estar. Ao desligar o aparelho, a criança olha ao redor e não encontra nada compatível à torrente sensorial que as telas oferecem”, explica Admoni, especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

“Para piorar, muitos pais incentivam o uso das telas para evitar que os filhos fiquem entediados e, consequentemente, agitados, como se o celular ou o tablet fossem os únicos meios de estímulos à criança”, completa Monica Machado, host do podcast Ame.Cast.

Como estimular a criança fora das telas: a correria e impaciência do dia a dia levam muitos pais a esquecerem que há várias outras maneiras de estimular a criança, e de forma mais saudável, tanto para a mente como para o corpo.

Para incentivar seu filho a se desligar do universo digital e vivenciar o mundo real, as especialistas dão 9 dicas importantes:

Deixe a criança entediada: “Permita que ela mesma busque a estimulação que seu cérebro precisa. Se notar dificuldade, invente uma atividade com ela. Aos poucos, vá deixando que ela brinque sozinha, evitando criar uma dependência da sua presença”, diz Danielle Admoni.

Motive brincadeiras que não envolvam eletrônicos: segundo a psicóloga Monica Machado, vale presentear a criança com um brinquedo novo. “Se ela quiser escolher, incentive jogos de construção, massinha de modelar, pinturas, quebra-cabeça com o tema do seu personagem favorito ou até brinquedos artesanais”.

Invista mais nos passeios: saia de casa mais vezes com seu filho. Leve-o ao parquinho do condomínio, onde ele poderá se exercitar e brincar com outras crianças, o que é fundamental para sua sociabilização. Promova também passeios ao zoológico, peças teatrais infantis ou piqueniques em parques.

Proponha desafios, como reorganizar os brinquedos: “Peça para seu filho escolher algo que não lhe interesse mais e sugira doar para alguma instituição de crianças. Só vale se seu filho participar deste ato. Será uma excelente oportunidade de ensina-lo a exercer a solidariedade”, aconselha Monica.

Aposte nos livros: “A leitura, que auxilia no desenvolvimento cognitivo, socioemocional e cultural, deve ser introduzida junto com os demais brinquedos como mais um objeto de prazer e de exploração do mundo”, pontua Danielle Admoni.

Participe da leitura: segundo a psiquiatra, caso seu filho não demonstre entusiasmo pelos livros, leia com ele. “Além de ser uma oportunidade de estarem juntos, você pode ajudar a criança a desenvolver linguagem, compreensão, imaginação, criatividade, entre outras habilidades que os livros podem proporcionar”.

Demonstre interesse pelos trabalhos da escola: “Pergunte o que a criança está fazendo, como está fazendo e se disponha a ajuda-la no que for preciso. Além disso, elogie suas evoluções”, afirma Monica Machado.

Crie um ‘cronograma digital’: elaborem juntos um cronograma semanal com as atividades livres e obrigatórias, incluindo o tempo dedicado às telas. “É uma forma divertida e leve de lembrar ao seu filho quando e como ele deve usar as telas, além de ensina-lo desde cedo a ter disciplina e organização com suas tarefas e responsabilidades”, diz a psicóloga.

Use o bom senso: a prática das dicas deve ser conduzida de acordo com a idade e maturidade do seu filho. Se ele ainda não souber ler, por exemplo, aposte em livros ilustrativos, interativos ou de colorir.

“Vale lembrar que é possível que algumas crianças não respondam bem às regras sobre o uso das telas. Daí a importância de ter paciência e firmeza, não deixando se levar por manhas ou chantagens. Na realidade, será a intensidade e frequência de protesto por parte da criança que mostrará o quanto essa intervenção é necessária. O mais importante é que este processo seja natural e que a criança perceba que as mudanças propostas são positivas. Se for preciso, não hesite em buscar ajuda de um especialista”, finaliza Danielle Admoni.


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