SEGS Portal Nacional

Educação

Autismo e TDAH na escola: como garantir educação inclusiva para crianças neurodivergentes

  • Quinta, 18 Mai 2023 18:01
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Central Press
  • SEGS.com.br - Categoria: Educação
  • Imprimir

Créditos: Freepik

Número de diagnósticos vem crescendo no Brasil e escolas precisam estar preparadas para lidar com cada caso

De especialista em especialista, exame após exame, uma pessoa neurodivergente pode levar anos até chegar a um diagnóstico preciso. Transtornos como o autismo (TEA) ou o déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), embora comuns, só passaram a receber atenção da sociedade há poucos anos, o que faz com que muitos convivam com essas condições sem ter conhecimento. Entender o diagnóstico e pesquisar sobre ele é uma das formas de oferecer mais qualidade de vida a quem o recebe - e a escola é responsável direta por boa parte do desenvolvimento de crianças e adolescentes com TEA ou TDAH.

O Center of Diseases Control and Prevention (CDC), órgão do governo dos Estados Unidos, estima que uma a cada 110 crianças tem autismo. No Brasil ainda não há uma estatística segura sobre o assunto, porque uma pergunta sobre o TEA foi incluída pela primeira vez no questionário do Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas ainda não tem resultados divulgados. A estimativa é de que, em todo o país, dois milhões de pessoas tenham TEA. No caso do TDAH, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) aponta que, a nível mundial, algo entre 5% e 8% da população apresenta o transtorno.

O que é preciso observar na escola?

Com um número cada vez maior de casos diagnosticados, os debates acerca dessas condições vêm, há algum tempo, ganhando força e se ampliando em busca de soluções para garantir uma vida confortável e saudável para todo esse contingente. E, em certa medida, esses debates passam, necessariamente, pela escola. Escolher uma instituição de ensino é um desafio e, quando a criança tem algum diagnóstico, essa tarefa se torna ainda mais complexa. Algumas dicas podem ajudar nessa missão. De acordo com a especialista pedagógica do Sistema Positivo de Ensino, Wania Burmester, “ao entrar na escola, deve-se observar atentamente como se é recebido, como a criança é recebida, como as pessoas tratam umas às outras. Para uma criança aprender, ela precisa de sentir bem, ser acolhida, sentir que acreditam nela. Isso é muito importante na relação de ensino e aprendizagem”.

Uma visão humanizada e acolhedora é fundamental, mas não é tudo. A especialista explica que também é preciso observar a questão pedagógica. "Questione se a escola tem um modelo de Plano Educacional Individualizado (PEI) que aponte as habilidades e limitações da criança para que o plano de trabalho com ela possa ser traçado e proponha-se a compartilhar o maior número possível de informações sobre seu filho, de modo a compor esse PEI. Que tipo de adaptações essa escola oferece? Existe um Atendimento Educacional Especializado (AEE), um espaço a que a criança possa ir em momentos em que seja necessário sair da sala de aula? A criança terá um acompanhante nesses momentos ou não? Lembre-se de que a inclusão acontece quando a criança está bem e feliz, mas, principalmente, aprendendo”, alerta.

Além da sala de aula

Mas não basta que a escola esteja preparada e pronta para fazer as adequações necessárias, é preciso que a família também se comprometa com o aprendizado da criança. Faz parte desse processo, em primeiro lugar, relatar para a escola quem a criança é, quais suas principais dificuldades e habilidades, os aspectos comportamentais que podem influenciar no dia a dia escolar. Quanto mais informações a escola tiver, mais fácil será a adaptação. Outro passo importante é acompanhar como é o relacionamento dela com os colegas, funcionários e professores. Ao abrir um espaço de diálogo franco com a escola, o retorno será, também, muito sincero, com apontamentos do que está sendo difícil e o que está indo bem.

“Preste atenção a como essa criança vai e volta da escola, porque criança tem que ir feliz e voltar feliz. É claro que eles não estarão ótimos todos os dias e, em alguns momentos, ficarão tristes porque discutiram com um colega ou levaram bronca de um professor, isso é normal. Mas tente perceber se, de forma geral, a criança está feliz, gosta da escola e dos colegas e se remete a eles, seja de forma verbal ou não”, aconselha.

E, quando isso não acontecer, a dica é, antes de tudo, fazer uma autoavaliação. Wania destaca que, instintivamente, é normal ter um instinto de proteção materno ou paterno, o que pode gerar a sensação de que a escola deveria tratar as crianças da mesma forma que os pais. Mas isso não é verdade. A escola não é uma extensão da casa, ou a casa da avó, ou um espaço terapêutico, ou mesmo um espaço em que a criança será tratada individualmente o tempo todo. “Algumas frustrações fazem parte. Agora, se depois dessa avaliação eu entendo que não é um exagero meu, então a melhor conduta é ir até a escola e conversar”, aponta. Abrir o jogo e esclarecer como os pais gostariam que a situação fosse conduzida é saudável e importante para que, juntos, escola e família cheguem à melhor solução.

Uma rede de amizades

Além das conversas com a escola, outra atitude que a família pode tomar é se aproximar das famílias das crianças com quem o filho convive. Convidar os colegas para brincadeiras em casa, criar situações em que o filho possa estar com essas crianças fora da escola e que os pais possam se relacionar com os demais pais gera uma convivência que pode ajudar a amenizar comportamentos e preconceitos que levem ao bullying, por exemplo.

“Quando envolvemos todo mundo, temos mais chances de ter bons relacionamentos e aprender a lidar com as pessoas. Depois desses encontros, converse com a criança: ‘veja, seu amigo não gostou disso’. Nomeie os sentimentos para que ela vá aprendendo a reconhecê-los”, afirma. Para muitas pessoas neurodivergentes, reconhecer esses sentimentos nos outros pode ser difícil. Então, é indispensável orientar a criança, relacionando as reações dos colegas a situações pelas quais ela mesma já vivenciou. Isso contribui para a compreensão do outro e melhora as relações.

Cada criança é única

Por fim, é importante lembrar que, ainda que os transtornos se dividam cientificamente de maneira igual, um diagnóstico é sempre diferente do outro. No TEA há uma infinidade de questões que precisam ser levadas em conta na hora de definir como trabalhar com uma criança. E com o TDAH não é diferente. Segundo a ABDA, cerca de 70% das crianças que têm o transtorno apresentam outras comorbidades associadas. Assim, cada criança é única e nem sempre será possível, para a escola, oferecer um tratamento padronizado por diagnóstico. “Não adianta ter uma receita de bolo. O que vai contribuir para uma adaptação adequada é a parceria e a comunicação entre família e escola”, finaliza.

Sobre o Sistema Positivo de Ensino

É o maior sistema voltado ao ensino particular no Brasil. Com um projeto sempre atual e inovador, ele oferece às escolas particulares diversos recursos que abrangem alunos, professores, gestores e também a família do aluno com conteúdo diferenciado. Para os estudantes, são ofertadas atividades integradas entre o livro didático e plataformas educacionais que o auxiliam na aprendizagem. Os professores recebem propostas de trabalho pedagógico focadas em diversos componentes, enquanto os gestores recebem recursos de apoio para a administração escolar, incluindo cursos e ferramentas que abordam temas voltados às áreas de pedagogia, marketing, finanças e questões jurídicas. A família participa do processo de aprendizagem do aluno recebendo conteúdo específico, que contempla revistas e webconferências voltadas à educação.

 


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+EDUCAÇÃO ::

Fev 06, 2026 Educação

Por que a adaptação escolar ainda é um dos principais…

Fev 05, 2026 Educação

Volta às aulas: cinco sinais de que a mochila do…

Fev 04, 2026 Educação

Volta às aulas: excesso de telas nas férias desafia…

Fev 03, 2026 Educação

Maquiagem na escola: por que instituições de ensino…

Fev 02, 2026 Educação

Volta às aulas reforça foco em estratégias pedagógicas…

Jan 30, 2026 Educação

Volta às aulas deve movimentar R$ 53 bilhões e…

Jan 29, 2026 Educação

Volta às aulas: dicas para organizar o material escolar…

Jan 28, 2026 Educação

Volta às aulas e cyberbullying: ambiente digital pode…

Jan 27, 2026 Educação

Como começar 2026 e transformar o objetivo de estudar…

Jan 26, 2026 Educação

Como usar ChatGPT sem cair no plágio: o que muda na…

Jan 23, 2026 Educação

Transformação social: como a educação ambiental pode…

Jan 22, 2026 Educação

Aprender inglês depois dos 30 anos: é possível?

Jan 21, 2026 Educação

Divulgação do ENEM marca início do planejamento para o…

Jan 20, 2026 Educação

Cinco dicas de especialistas em educação para uma…

Jan 19, 2026 Educação

Nota do Enem: saiba como utilizá-la para ingressar no…

Jan 16, 2026 Educação

Volta às Aulas 2026: sete dicas para economizar no…

Mais EDUCAÇÃO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version