SEGS Portal Nacional

Educação

Cresce o número de negros universitários, mas eles ainda são minoria em cargos de chefia nas empresas

  • Segunda, 21 Março 2022 10:58
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Fernanda Teixeira
  • SEGS.com.br - Categoria: Educação
  • Imprimir

No Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em 21 de março, especialista analisa a presença do negro nas universidades e mercado de trabalho

A desigualdade social é um dos mais complexos desafios da economia mundial e envolve a diferença de oportunidades entre grupos específicos. No mês de março, as discussões giram em torno da luta pela eliminação da desigualdade racial, problema estrutural que persiste e revela a fragilidade de políticas públicas para o seu enfrentamento. No campo educacional, no entanto, é possível enxergar um panorama positivo. Entre 2010 e 2019, o número de alunos negros no ensino superior cresceu quase 400%, chegando a 38,15% do total de matriculados, de acordo com o site Quero Bolsa. Mas o percentual ainda é baixo se considerada a representatividade no conjunto total da população de 56%.

Mesmo com o crescimento da entrada de estudantes negros nas faculdades e universidades do país, aqueles que conseguem se formar enfrentam o desafio de conseguir exercer a sua profissão quando chegam no mercado formal de trabalho. No Brasil, 37,9% dos homens e 33,2% das mulheres negras com diploma de ensino superior trabalham em cargos que não exigem o diploma, segundo pesquisa de 2020 do Instituto iDados usando informações do IBGE. “Maioria dos pretos e pardos com ensino superior têm posições operacionais e técnicas, ou seja, a mão de obra negra qualificada ainda tem dificuldades de encontrar um emprego correspondente ao seu grau de instrução”, explica o professor de economia da Una, Mussa Vieira.

Se a análise abranger os cargos de chefia, os trabalhadores negros têm participação reduzida em posições de média e alta gestão. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que 31% dos cargos de diretoria são ocupados por pessoas negras, enquanto os não negros somam 69%. “E a pouca representatividade em cargos de liderança gera o fenômeno de salários menores. De acordo com o Instituto Locomotiva, com a mesma formação superior, homens negros têm uma renda média mensal de R$ 4.990,00, enquanto os não negros possuem remuneração média mensal de R$ 7.286,00, ou seja, uma diferença salarial de 46,01%”, ressalta o professor.

Racismo estrutural

“O ponto que enxergo como positivo é que cada vez temos mais espaço para discussões sobre igualdade racial, seja dentro das empresas, seja dentro das universidades. E o dia 21 é uma oportunidade de reflexão sobre as relações raciais no Brasil, tendo em vista a desigualdade que ainda coloca a população negra em lugar de desvantagem em diversas instâncias, como educação e trabalho. Mesmo com um longo caminho a trilhar, o fato de termos um olhar voltado a essas questões já nos abre um bom leque de possibilidades. O racismo estrutural é fruto da própria estrutura social, de modo com que se constituem as relações políticas, econômicas, judiciais e até familiares”, destaca Mussa.

Segundo ele, a desigualdade identificada no mercado de trabalho tem diferentes razões, todas elas motivadas pelo racismo estrutural, que impõe diferenças em diversos aspectos da vida de pessoas brancas e pretas, como acesso à educação e trabalho. “Para que essa estrutura se rompa, é preciso que as ações afirmativas para o mercado de trabalho estejam presentes em todos os níveis de vagas. É necessário pensar a proporcionalidade de maneira hierárquica. Enquanto não tivermos profissionais negros em cargos de liderança, não conseguiremos fazer com que essas ações ganhem uma proporção no longo prazo. Já chega de ver o negro como membro da sociedade para atores coadjuvantes, prática de futebol e música. Os negros têm capacidade para ocupar cargos do executivo de grandes empresas, médicos, jornalistas e professores universitários” conclui Mussa Vieira.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+EDUCAÇÃO ::

Mar 27, 2026 Educação

Inglês x Espanhol: 5 diferenças que mudam o jeito de…

Mar 26, 2026 Educação

Por que sua pronúncia em inglês fica melhor quando você…

Mar 25, 2026 Educação

Dia da Mentira: especialistas explicam como a escola…

Mar 24, 2026 Educação

7 dicas de educação financeira para crianças

Mar 23, 2026 Educação

Do básico ao intermediário: 4 estratégias para acelerar…

Mar 20, 2026 Educação

Curva de esquecimento: O segredo para não esquecer dos…

Mar 19, 2026 Educação

Por que tantos alunos entram em ciclos de estresse já…

Mar 19, 2026 Educação

Dia da Língua Francesa: conheça os 5 benefícios de…

Mar 18, 2026 Educação

Aprender inglês aos 30 anos: mito ou verdade? Os…

Mar 17, 2026 Educação

Seu filho anda mais ansioso com a escola? Veja 5…

Mar 16, 2026 Educação

Trissomia do Cromossomo 21: Inclusão escolar exige mais…

Mar 13, 2026 Educação

Escola se transforma e amplia seu papel na formação de…

Mar 12, 2026 Educação

ITA: como se preparar durante o ano para o vestibular…

Mar 11, 2026 Educação

O que a escola realmente ensina? No Dia da Escola,…

Mar 10, 2026 Educação

Estudo mostra que tecnologia sozinha não garante…

Mar 09, 2026 Educação

Intercâmbio diferente: 5 destinos inusitados para…

Mais EDUCAÇÃO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version