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Mês das Crianças - Como estimular a imaginação das crianças em tempos de isolamento?

  • Quarta, 04 Novembro 2020 12:18
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Juliana Veloso
  • SEGS.com.br - Categoria: Educação
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“Quanto mais estímulo para a imaginação mais ela se amplia, quando há apenas esse contato com o mundo concreto não há esse espaço interno, o que acredito que tem causado ansiedade nas crianças”, Célia Gomes - Pedagoga, Terapeuta e Contadora de Histórias

Desde o começo do COVID 19, os desafios diários dos pais mudaram de cenário. A casa, ambiente que antes acolhia, agora também viraria escritório e sala de aula, onde as demandas de home office e aulas online entraram no cotidiano das famílias transformando a rotina de todos. Fora isso os pais ainda têm que lidar com o acesso das crianças aos eletrônicos, que aumentou consideravelmente neste período.

Uma pesquisa de amostra foi realizada por médicos do Hospital JK Lone, em Jaipur, na Índia, com 203 crianças de várias cidades, sendo 55% meninos e 45% meninas, e de acordo com ela, cerca de 65% estão viciadas em dispositivos eletrônicos e não conseguem manter distância deles mesmo que por 30 minutos. Os dados para o estudo foram coletados em mídias sociais, onde os pesquisadores enviaram questionários aos pais com o objetivo de estudar o impacto do isolamento na saúde das crianças.

Para a Contadora de Histórias, Pedagoga e Terapeuta Transpessoal Célia Gomes, o momento pede atenção com a saúde dos pequenos, “Acredito que tem acontecido sim um afastamento das crianças com o brincar, os brinquedos tradicionais, o cantar e o contato com o corpo por conta dos equipamentos eletrônicos no isolamento. Hoje em dia as crianças ganham tablets com um ano de idade e tendem a trabalhar a coordenação motora somente ao ficar tocando a tela, brinco que elas vão perdendo a coordenação motora fina para mudar as páginas de um livro físico”, pontua a Pedagoga. Célia enfatiza a necessidade de equilibrar o mundo virtual com o real, “Eu não sou contra o mundo virtual e os equipamentos eletrônicos, mas eu acho que tudo tem o seu momento e quando há falta de interação com o corpo, com esse universo mais lúdico, realmente pode começar a ser prejudicial”.

Os resultados da pesquisa na Índia ainda mostraram que um total de 65,2% das crianças relataram problemas físicos, e 70% estão enfrentando problemas comportamentais. O estudo concluiu que o isolamento social trouxe um impacto negativo na saúde física, mental e emocional das crianças, o que está levando a sono de baixa qualidade, distúrbios psiquiátricos e discórdia entre pais e filhos.

A Contadora de Histórias acredita que o convite para acessar a imaginação pode partir dos pais e os unir com os pequenos, “As narrativas e as histórias são pérolas para podermos estimular a imaginação durante esse momento tão desafiador, contar histórias, muitas histórias. As crianças vendo os pais muito tensos, preocupados ou sem trabalho sentem a tensão, sentem também suas perdas por falta de contato com os amigos. A falta do brincar pode abrir espaço para o campo das histórias, sendo elas um recurso fundamental”, acrescenta Célia.

A Pedagoga ainda pontua que para o desenvolvimento cognitivo e criativo das crianças, é essencial o processo constante com a imaginação, “Acredito que quando a gente está desenvolvendo potencialidades tudo que não acaba sendo estimulado pode atrofiar, e a nossa capacidade de imaginação funciona assim. Quanto mais estímulo para a imaginação mais ela se amplia, quando há apenas esse contato com o mundo concreto não há esse espaço interno, o que acredito que tem causado ansiedade nas crianças. Eu percebo que tem chegado muitas queixas dos pais procurando terapia por conta disso. Temos muitas pesquisas que falam sobre a tecnologia ligada a ansiedade, e esse momento da pandemia tem sido de observação”.

Célia acredita que através de narrativas onde se insere a natureza como pano de fundo para a imaginação, um portal essencial para o mundo interno pode ser estimulado nas crianças. “Jogos e brincadeiras inspirados na imaginação ativa junguiana trabalham de uma maneira leve como numa brincadeira, e são bons recursos para trabalhar com o estímulo de imagens que as levem para a natureza, em contato com cachoeiras, campos, baús e portas misteriosos, fazendo com que a sensação do retorno seja revigorante e alegre no campo mental, emocional e no corpo, como se ela estivesse vivenciando um passeio de verdade. Dependendo da abertura dos pais essa experiência pode ser desdobrada em uma brincadeira poética, virando um desenho ou uma pintura, ou encenar o que foi vivenciado na história, podendo criar novos mundos dentro de casa por meio dela.”, sugere a Terapeuta.

A Pedagoga sugere ainda a possibilidade dos professores trabalharem a imaginação ativa nas salas de aula virtuais, “Os professores embora tenham esse desafio com a questão do tempo da aula virtual, além de segurar a atenção dependendo da idade das crianças, também pode trazer histórias e narrativas, como a do Mágico de Oz, por exemplo. A ideia pode ser estimulá-los contando trechos da história em cada aula, ou talvez sugerindo que cada um faça uma tarefa ligada à história, por exemplo, ou ainda trabalhar com imagens trazendo a história de maneira mais viva nos vídeos através dos livros que podem ser escaneados.”

A Contadora de Histórias que atua há 15 anos em hospitais, já levou a imaginação ativa para casos de crianças que vivem em isolamento constante, presenciando momentos essenciais para a saúde mental e física de alguns deles, além de perceber que por meio delas é possível reacender o sentimento de esperança, “Lembro de uma época em que eu estava utilizando a temática de animais com crianças no INCOR, num determinado dia contando histórias de animais para um menino, ele me me agradeceu falando que as histórias o conectaram com os bichos do sítio onde ele morava com a família,o que levou a sensação de estar mais próximo de casa. Esta sensação trouxe uma perspectiva de que aquilo voltaria a acontecer em algum momento”, finaliza Célia.

Sobre a Unipaz São Paulo:

A Unipaz São Paulo é uma escola de Educação para a Paz e de Cuidado Integral. É uma das unidades da Universidade Internacional da Paz – UNIPAZ que foi fundada em 1987, em Brasília. É a terceira instituição educacional desse gênero, ao lado das Nações Unidas e da Costa Rica. A UNIPAZ se distingue por sua vocação para desenvolver uma Cultura de Paz, trabalhando a partir de uma Educação Integral, baseada nos paradigmas Transdisciplinar e Holístico. A partir da abordagem de uma ecologia inclusiva, individual, social e ambiental, a UNIPAZ trabalha com programas, projetos e diferentes atividades de sensibilização, formação e pesquisa com comunidades nos níveis local, regional, nacional e internacional.


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