SEGS Portal Nacional

Educação

O resgate dos rituais, símbolos, brincadeiras, história e tradição

  • Quarta, 01 Julho 2020 11:44
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Adriana Veronez
  • SEGS.com.br - Categoria: Educação
  • Imprimir

Por Fernanda Suzuki

No último dia 31 de dezembro, quando fazíamos nossas reflexões sobre o ano que se encerrava e os votos, desejos e planos para o novo ano que estava prestes a começar, dificilmente alguém previu o cenário que estamos vivendo agora. Com a pandemia de COVID-19, enfrentamos uma situação de muitas mudanças, preocupações e incertezas coletivas. Esse contexto mais amplo se manifesta dentro das casas e das famílias, que agora tendem a conviver de maneira mais próxima do que nunca, diante da necessidade de isolamento social.

Dessa forma, o caldeirão de sentimentos e emoções em casa tende a estar especialmente efervescente. Em momentos como esse, podemos evitar falar sobre situações difíceis, para poupar aqueles que estão próximos. Mas por outro lado, o silêncio tende a aumentar preocupações e fantasias, gerando tabus, bem como alimentar a sensação de isolamento. A ideia de se falar com os filhos sobre situações cheias de dúvidas e incertezas frequentemente gera a questão: “O que dizer?”. Mães e pais podem estar acostumados a fornecer respostas, e esse é um papel importante da parentalidade. Mas, o diálogo não se resume a isso, e vou explicar. A importância do diálogo está, na verdade, mais atrelada à possibilidade do compartilhamento e da troca.

Tampouco acontece apenas por meio da fala, mas também por meio de rituais, tradições, brincadeiras e outras formas de estarmos verdadeiramente juntos. A comunicação significativa não requer alguém que tenha todas as respostas, mas que esteja aberto e atento ao outro. Se pensarmos em momentos marcantes em que nos sentimos em franca comunicação com nossos familiares, talvez possa vir à mente uma refeição compartilhada, uma brincadeira, uma tradição, uma música ou história que ouvimos de alguém e que levamos para o resto da vida.

Foi pensando em promover oportunidades para essas trocas significativas que a equipe da IS desenvolveu uma proposta de utilização da cápsula do tempo: uma atividade guiada para a família realizar em casa, com materiais simples e disponíveis, onde o que conta é a presença de cada um. A proposta é a de construir, por meio de atividades lúdicas, pequenas heranças do momento atual para a posteridade, cultivando assim a memória e, ao mesmo tempo, a possibilidade de fazermos juntos projeções para o futuro. Você pode acessá-lo por aqui.

Nesse momento, também a escola pode ter uma grande importância, não apenas enquanto lugar de transmissão de conhecimento, mas também enquanto lugar de encontros, socialização e suporte daqueles que estão em seus processos de desenvolvimento: as crianças e os adolescentes. Curiosamente, tenho ouvido relatos por parte de alunos, professores e pais a respeito da sensação de sobrecarga diante da nova rotina escolar, surgindo a pergunta: se todos estão se sentindo excessivamente cobrados, quem é que está cobrando demais?

Talvez, esse excesso que todos parecem estar sentindo se trate, em parte, de uma série de “penduricalhos” que se acrescentam às tarefas escolares propriamente ditas. Desde a dificuldade para lidar com tecnologias que não nos eram tão familiares assim, até a necessidade de adaptar uma rotina já conhecida a um novo contexto. A falta do contato presencial, a incerteza quanto a um futuro que se tornou mais nebuloso, entre tantos outros fatores estressantes que estão em jogo, e dos quais às vezes não nos damos conta.

É importante termos clareza de que, esperar de nós mesmos e dos outros o mesmo nível de produtividade de outrora, e o mesmo funcionamento que tínhamos antes, em um contexto que já não é o mesmo, é uma exigência injusta e não cabe mais. Quais são os recursos que temos para encarar tantos desafios que nos tomam de assalto dessa forma e nos lançam ao novo?

Uma boa dica está naquela cena, do nosso último réveillon: um momento de reflexão, de rituais, de símbolos, de brincadeiras e de estarmos rodeados pelas pessoas que importam, seja presencialmente, virtualmente ou em pensamento; nos instrumentalizando dos aprendizados trazidos pelo que já passamos e nos preparando para o que está por vir.

Fernanda Tomie Icassati Suzuki é psicóloga, com graduação pela USP em 2011 e pós-graduação em psicologia em saúde pela UNIFESP. Atualmente, atende em instituição de saúde, em escola e em consultório. É parceira de conteúdo da International School, programa de educação bilíngue para escolas.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

 

+EDUCAÇÃO ::

Mar 04, 2026 Educação

5 erros comuns que sabotam a aprendizagem dos estudantes

Mar 03, 2026 Educação

Busca por cidadania e turismo de raízes esbarra na…

Mar 02, 2026 Educação

Confira 6 dicas para praticar inglês de maneira lúdica

Fev 27, 2026 Educação

Veja 5 benefícios da gamificação para os estudantes

Fev 26, 2026 Educação

7 dicas para apoiar a adaptação de crianças autistas na…

Fev 25, 2026 Educação

Escolas e universidades ainda formam para um mundo que…

Fev 24, 2026 Educação

Falar inglês é possível: confira dicas para vencer a…

Fev 23, 2026 Educação

Como a educação financeira digital está abrindo portas…

Fev 20, 2026 Educação

Ensino integral deve dobrar até 2036: o Brasil está…

Fev 19, 2026 Educação

Enem 2026 passará a avaliar a qualidade do ensino médio…

Fev 19, 2026 Educação

Conheça tecnologias de filmes que viraram realidade ao…

Fev 18, 2026 Educação

Brasil tem apenas 1% da população fluente em inglês e…

Fev 13, 2026 Educação

Carnaval e autismo: como preparar a criança para uma…

Fev 12, 2026 Educação

Vai curtir o Carnaval? 5 frases em inglês para falar…

Fev 11, 2026 Educação

Brasil terá primeira pós-graduação em fertirrigação de…

Fev 10, 2026 Educação

Atividades de lazer sustentam aprendizado contínuo de…

Mais EDUCAÇÃO>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version