Quando o palco se apaga, a reputação começa
* Por Juliana Albanez
Há mais de 10 anos subo ao palco para compartilhar conhecimento com a plateia, com aqueles que investiram seu tempo acreditando que o que eu tinha a dizer poderia, de alguma forma, agregar algo às suas vidas. E é justamente na troca que começa o processo. Criar conexão com o público, olhar nos olhos, sentir a reciprocidade é sempre algo mágico. Por isso, quando “personalizo” cada palestra, penso, antes de tudo, em ser relevante, interessante e, talvez, necessária. Não há speaker sem listeners. Esta é a minha premissa.
No entanto, muitas vezes me deparo com o conceito de “pessoas perfeitas” e me vejo fazendo inúmeros questionamentos. Em um evento sobre networking, o palestrante principal chegou minutos antes de sua fala. Subiu ao palco, entregou slides impecáveis, com piadas cronometradas e insights prontos para se transformar em carrossel nas redes sociais. Ao final, aplausos. Logo após, se retirou, saiu antes do café, sem conversar com a plateia, sem trocar ideias com os outros especialistas, sem sequer olhar para os bastidores. Eu chamo esse fenômeno de "Palestrante Relâmpago". Ele não chega, se materializa. Entrega sua mensagem, brilha e se desmaterializa.
Embora sua fala tenha sido interessante, foi vendida a ideia de networking. Contudo, o que foi de fato praticado foi o not-working. Temos discutido muito sobre a importância da comunidade, de pensar coletivamente, construir em equipe e criar novos e ricos pensamentos. No entanto, o que percebemos em diversas situações é a existência de um bunker entre o palco e a saída de emergência.
Não escrevo isso como crítica pessoal, mas como uma reflexão sobre o tipo de mercado que estamos construindo. Sim, as agendas são apertadas. Sim, há outro evento a 100 km dali. Ou ainda, há a intenção de criar um branding da escassez para trazer status. Diante disso, fico com a impressão, que considero obsoleta, de que comunicar é um ato pontual. E não é. Comunicação é um processo. Ela começa no aperto de mão com a organização, passa pelo respeito aos técnicos e segue na conversa com aqueles que saíram de casa para ouvir você. A comunicação é o todo, é viva, é próxima. E, muitas vezes, é no café que surgem as melhores conexões, as melhores histórias e os mais profundos aprendizados, tanto para o público quanto para quem está em cima do palco, que constrói visibilidade. Mas é nos bastidores que se constrói reputação. É no off.
Ao longo desses anos, aprendi algo simples: bons oradores, antes de qualquer coisa, são bons ouvintes. O microfone pode até amplificar a voz, mas é a escuta que constrói uma carreira, degrau a degrau, a longo prazo.
E você, o que mais valoriza em um palestrante: performance ou presença?
Sobre Juliana Albanez - é jornalista, apresentadora de TV, especialista em comunicação, escritora, autora do livro: “Pitch - 3 minutos para comunicar e vender”, palestrante com mais de 12 anos de experiência no mercado de palestras e treinamentos no Brasil e mais 5 países. Já treinou mais de 13 mil pessoas e é mentora da Realize Speakers.
Sobre a Realize Speakers - A Realize Speakers é uma mentoria especializada em capacitar profissionais e empreendedores a transformar suas histórias e conhecimentos em negócios lucrativos, por meio de palestras e treinamentos. Com uma abordagem prática e estratégica, a mentoria foca no desenvolvimento da comunicação persuasiva e na criação de uma identidade forte como Speaker, garantindo impacto no mercado nacional e internacional.
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