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Mulheres são 83% dos profissionais de Biomedicina no país

  • Quarta, 04 Março 2026 18:35
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Biomédicas são maioria na profissão em todo o Brasil; profissionais buscam mais espaços nas áreas de pesquisa e na liderança - Freepik | Fabrício Grigoletto

Além da maioria numérica, biomédicas avançam na pesquisa científica e na gestão, mas enfrentam o desafio de transformar vocação em reconhecimento salarial

A área da saúde no Brasil tem um perfil bem definido: é majoritariamente feminina. E quando a análise se refere ao universo da Biomedicina, esses números tornam-se ainda mais expressivos. Segundo dados do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), dos 180 mil biomédicos em atuação no país, 83% são mulheres (cerca de 149 mil).

Essa tendência nacional se reflete no Paraná. No Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6), dos 7.730 profissionais inscritos, 6.754 são mulheres (87%). O dado revela que a ciência laboratorial, a investigação diagnóstica e a inovação tecnológica em saúde no estado passam, primordialmente, pelas mãos femininas.

Ciência, cuidado e propósito

Segundo levantamento feito com conselhos de classe, as mulheres são maioria em hospitais e áreas como análises clínicas, diagnóstico laboratorial, saúde pública, pesquisa científica, estética e na biomedicina.

Para as lideranças do setor, essa escolha massiva das mulheres pela Biomedicina não é por acaso. Daiane Pereira Camacho - doutora em Microbiologia, diretora Secretária do CFBM e primeira mulher a ocupar um cargo na diretoria do órgão federal - explica que a conexão histórica da mulher com o cuidado e a ciência é um fator determinante.

“A Biomedicina atrai mulheres com perfil analítico e questionador. Há um forte apelo científico e investigativo, unindo o propósito social ao impacto direto na vida das pessoas através da produção de conhecimento”, explica Daiane, que também é vice-presidente do CRBM6.

Jannaina Ferreira de Melo Vasco - doutora em Saúde da Criança e do Adolescente e conselheira Diretora-Secretária do CRBM6 - complementa que a versatilidade da profissão é um chamariz. “A Biomedicina conecta diagnóstico, prevenção e inovação. É uma área que permite atuar do laboratório à gestão, passando pela docência e pela estética”, pontua.

Avanços femininos na última década

A última década foi marcada por uma transição importante: as mulheres deixaram de ser apenas a maioria numérica para ocuparem o protagonismo técnico e institucional. Entre as principais conquistas destacadas pelas especialistas, estão:

· Liderança e Gestão: Maior ocupação de cargos de diretoria em conselhos, coordenação de laboratórios e gestão de qualidade.

· Novas Habilitações: Consolidação da Biomedicina Estética, que ampliou a autonomia técnica e o empreendedorismo feminino.

· Produção Científica: Crescimento expressivo da presença feminina em centros de pesquisa e publicações acadêmicas.

Os desafios futuros

Apesar do domínio estatístico, o caminho para a equidade plena ainda apresenta obstáculos conhecidos como “teto de vidro”, que podem ser explicados como a dificuldade das mulheres biomédicas alcançar os cargos mais altos da pirâmide corporativa e científica.

Segundo Daiane e Jannaina, os maiores desafios ainda consistem em:

Desafio x Contexto Atual

· Equidade Salarial: Embora existam avanços em instituições com planos de carreira claros, discrepâncias ainda persistem em cargos de liderança. Falta garantir critérios objetivos de promoção e reconhecimento.

· Maternidade e Carreira: Falta de políticas estruturais que conciliam a exigência da trajetória científica com a maternidade e a dupla jornada.

· Representatividade no Topo: Necessidade de critérios mais objetivos e transparentes para promoções em cargos estratégicos.

Mais apoio às biomédicas

Para fomentar a presença feminina na pesquisa científica, as especialistas defendem a ampliação de bolsas, incentivos à iniciação científica e redes de mentoria.

“Precisamos de ambientes que não punam a mulher por questões biológicas ou sociais. Ser maioria na base não pode significar ficar de fora do topo”, alerta Jannaina Vasco.

“A mulher biomédica é hoje protagonista na ciência, no diagnóstico, na pesquisa e na inovação em saúde. Mais do que presença numérica, existe competência técnica, liderança e contribuição científica consolidada. O fortalecimento da profissão passa necessariamente pelo reconhecimento e valorização dessas profissionais”, enfatiza Daiane.

“As mulheres são fundamentais na saúde e na Biomedicina. Por isso, merecem todo nosso reconhecimento e apoio”, complementa o presidente do CRBM6, Thiago Massuda.

Sobre o CRBM6

O Conselho Regional de Biomedicina do Paraná 6ª Região (CRBM6) é uma Autarquia Federal com jurisdição no Estado do Paraná.

A entidade é formada por 7.730 profissionais. A sede fica em Curitiba e as delegacias regionais estão em Campo Mourão, Cascavel, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, União da Vitória, Guarapuava, Umuarama, Guaíra, Ponta Grossa e Paranavaí.

Os biomédicos atuam em mais de 30 atividades ligadas à saúde tais como acupuntura, análises clínicas e ambientais, bromatológicas [avalia a qualidade dos alimentos], auditoria, banco de sangue, biofísica, biologia molecular, bioquímica, citologia oncótica, embriologia, estética, farmacologia, fisiologia, genética, hematologia, histologia, imunologia, imagenologia, informática da saúde, microbiologia, microbiologia de alimentos, monitoramento neurofisiológico transoperatório, parasitologia, patologia, perfusão, psicobiologia, radiologia, reprodução humana, sanitarista, saúde pública, toxicologia, virologia e outras áreas.

 


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