Telhas arrancadas por tempestades expõem fragilidades e ampliam riscos nas cidades
- Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por Rowena Romagnoli
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Especialista explica por que ventos fortes raramente são a causa principal dos danos e como falhas de projeto transformam eventos climáticos em ameaças à segurança urbana
Com a passagem de uma nova frente fria pelo Brasil, episódios de chuva intensa e rajadas de vento voltaram a causar transtornos em diferentes regiões do país. Telhados danificados, telhas espalhadas por ruas e imóveis atingidos tornaram-se cenas recorrentes em áreas urbanas e rurais, reacendendo o alerta para os impactos diretos do clima extremo no cotidiano da população.
Segundo o Climatempo, a instabilidade associada ao avanço do sistema frontal elevou o risco de temporais e ventos fortes especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Diante desse cenário, a explicação mais comum costuma ser imediata: o vento foi forte demais. Do ponto de vista técnico, porém, essa leitura raramente se sustenta.
Para o arquiteto e urbanista Marcelo Nyitray, o vento dificilmente é a causa primária das falhas em sistemas de cobertura. Na maioria dos casos, ele atua como um agente revelador de problemas que já existiam desde a fase de projeto ou execução.
“Coberturas bem dimensionadas são projetadas para resistir às ações do vento previstas para cada região, conforme as normas técnicas brasileiras. Quando há desprendimento de telhas ou colapso parcial do telhado, geralmente estamos diante de falhas de concepção, detalhamento inadequado ou sistemas de fixação subdimensionados”, explica.
Um erro comum, segundo o especialista, é imaginar que o vento atua apenas de forma horizontal. Na prática, seus efeitos mais críticos ocorrem por sucção, especialmente em pontos como bordas, beirais e cumeeiras. Nesses locais, a ausência de ancoragem adequada, o espaçamento incorreto de fixadores ou falhas nos sistemas de vedação favorecem o início de um processo de falha progressiva. “Uma telha mal fixada pode parecer um detalhe irrelevante em condições normais. Mas sob vento intenso, ela se torna o ponto inicial de um colapso em cadeia”, afirma Nyitray. Uma vez iniciado, o desprendimento tende a se propagar rapidamente para o restante da cobertura.
Os impactos dessas falhas vão muito além do dano ao imóvel. Telhas e elementos estruturais soltos transformam-se em projéteis, atingindo fachadas, veículos, redes elétricas e áreas de circulação. Em grandes centros urbanos, o que começou como um problema técnico passa a representar um risco direto à segurança pública. “O colapso de um telhado não afeta apenas o proprietário do imóvel. Ele compromete edificações vizinhas e coloca pessoas em risco. É uma falha que ultrapassa os limites da construção”, destaca o arquiteto.
Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos no país, especialistas defendem uma mudança de abordagem na construção civil. Para Marcelo, a mitigação de danos não está em soluções emergenciais, mas na qualidade técnica desde a concepção do projeto. Isso envolve a especificação correta de materiais, o detalhamento rigoroso das conexões, o respeito às normas técnicas e a execução fiel ao que foi projetado, além da manutenção periódica das edificações.
“Investir em projeto e obra de qualidade não é um custo extra. É uma estratégia de proteção patrimonial e, sobretudo, de preservação de vidas”, afirma. À medida que o clima se torna mais instável, a engenharia deixa de ser apenas uma resposta estética ou funcional e passa a assumir um papel central na segurança urbana. E, quando o vento sopra mais forte, ele não cria o problema, apenas revela o que já estava mal resolvido desde o início.
Marcelo Nyitray é arquiteto e urbanista, especialista em gestão de projetos de grande porte, com mais de 16 anos de atuação no Brasil. Ao longo da carreira, liderou o desenvolvimento de mais de 1 milhão de m² em empreendimentos residenciais, comerciais e corporativos, coordenando equipes multidisciplinares com até 250 profissionais. Com forte domínio em BIM, arquitetura sustentável e estratégias executivas, ocupa posições de liderança em empresas como MFALCÃO Engenharia, ST25 Arquitetos e MFALCAO LLC, sendo reconhecido por sua contribuição técnica e impacto no setor da construção civil e do real estate de alto padrão.
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