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Cacau e chocolate: desigualdade no universo alimentar

  • Terça, 12 Abril 2022 18:08
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Katia Marchena
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Pesquisador da Strong School analisa produção de chocolates em países pobres e ricos

O cacau é o principal insumo na fabricação de chocolates e o mais caro também. Não existe chocolate sem o cacau. O chocolate brasileiro é obrigado a ter 25% de cacau na sua composição, esse percentual passou a 27% em 2020, porém a indústria terá 10 anos para se adequar a nova resolução da Anvisa, depois do projeto de lei aprovado na Câmara dos deputados naquele ano. Já o chocolate europeu recebe 35% de cacau mínimo na sua composição. Não é à toa que ele é mais saboroso, macio e mais vendido no mundo inteiro. O mercado de cacau e chocolates aumentou no mundo inteiro nos últimos 20 anos. Em 2000 foram comercializados 7,14 bilhões de dólares em chocolates, em 2020, essa marca passou para 28,6 bilhões. Um aumento de 400%. Claro, não se faz chocolate sem cacau que passou de 2,37 bilhões em 2000 para 8,54 bilhões de dólares em 2020, um aumento de mais de 350% na produção. O Brasil é o 7º produtor de cacau do mundo.

Maior demanda, maiores os valores também. O preço do chocolate em barra e bombons teve uma elevação de 11,6% no último ano, segundo o pesquisador professor Valter Palmiere, da Strong Business School.

Mas o professor vai além de uma análise de mercado e afirma que o cacau e o chocolate são indicadores do distanciamento social e a desigualdade alimentar entre os países no mundo. Valter Palmiere analisou que países mais ricos, principalmente os europeus comercializam e exportam mais o chocolate, produto final do uso do cacau, já países mais pobres, incluindo o Brasil exportam mais o insumo.

Enquanto a Europa exporta o 75% do chocolate pronto, a África apenas 1,4% da produção mundial. O Brasil por exemplo, vende cacau puro para a Suíça por U$3,95 o quilo e importa chocolate suíço a U$7,44/KG.

O professor da Strong explica que matéria prima barata, sem processamento, que não dinamiza a economia interna, com mão de obra barata (há cerca de 2,1 milhões de crianças trabalhando nas plantações de cacau na Costa do Marfim e denúncias frequentes de trabalho escravo), é um dos fatores pelos quais a África e parte menor da América Latina exportam mais cacau.

A África, por exemplo exporta 74% do cacau usado nas fábricas de chocolate do mundo inteiro e 12% é exportado pela América do Sul. Já a Europa, exporta apenas 5,4% da sua produção de cacau. O professor traduz isso em dólares. Enquanto a África, principalmente Gana e Costa do Marfim, exportam 6,32 bilhões de dólares, a Europa exporta 21,43 bilhões de dólares em chocolates. Ou seja, o mercado produtor europeu processa e cria valor agregado a partir de insumos baratos comprados dos países subdesenvolvidos. O cacau é um dos alimentos mais valorizados da natureza. Para os botânicos: um mineral milagroso com a sua alta carga de magnésio. Para os médicos, um aliado no bom funcionamento do coração e do cérebro, além do fortalecer os ossos e um antidepressivo natural. Fez parte da alimentação dos Maias, 900 anos A.C. Foi e ainda é usado como estimulante para os amantes, foi cultuado em religiões, usado como moeda pelos astecas e hoje, é um dos alimentos mais valorizados em qualquer casa. O professor da Strong Business School, evidencia: “o chocolate é maravilhoso e será cada vez mais com a criatividade do ser humano, mas os problemas de desigualdade no universo da alimentação, esse sim, temos que enfrentar “.

Valter Palmiere Junior – economista, doutor em desenvolvimento econômico, pesquisador do setor de alimentação e professor de macro economia da Strong Business School

Strong Business School - faculdade negócios com mais de 25 anos de mercado, conveniada e certificada pela FGV.


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