Brasil pode ganhar protagonismo no retorno à Lua, apontam especialistas
Por Emerson Granemann
O programa Artemis, liderado pela NASA, inaugurou uma nova fase da exploração espacial com o lançamento da cápsula Orion rumo à Lua. E apesar de o Brasil ser um dos participantes do programa, estamos longe de ser protagonistas no mercado espacial.
O Brasil tem três projetos ligados ao Artemis, como o Space Farming, desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Embrapa, para desenvolvimento de plantas resistentes a condições extremas na Lua; o satélite Selenita para monitoramento do clima na Lua, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA); e o nanosatélite Garatéa da iniciativa privada para monitoramento do comportamento de microrganismos e moléculas vivas na órbita lunar e obtenção de imagens e dados da cratera Aitken, no lado oculto da Lua. E paramos por aí.
Temos no Brasil mão de obra e base tecnológica para participar desta nova corrida espacial. Entretanto, para fortalecer a indústria nacional, há a necessidade de mais investimentos de forma recorrente por parte do governo federal, pois, se não há uma política de longo prazo, não há como sustentar e dar robustez para as empresas se mostrarem no mercado externo de forma competitiva. Hoje, o Brasil tem uma das maiores economias do mundo, mas está na última posição do G20 em relação ao investimento espacial. Para comparar, a África do Sul e a Argentina investem mais no setor espacial do que o Brasil.
É importante destacar que a exploração espacial não se resume somente ao retorno do homem à Lua. O setor espacial envolve a construção e operação de lançadores (popularmente conhecidos como foguetes) e satélites para diferentes serviços, como monitoramento do meio ambiente, telecomunicações, conectividade, meteorologia e navegação. Essa cadeia gera milhares de empregos e receita para os donos da tecnologia. Em 2025, segundo a empresa de consultoria Novaspace, o setor espacial movimentou no mundo US$ 138 bilhões de recursos públicos.
Um bom exemplo a seguir é o da Embraer, que teve um grande impulso do governo brasileiro de forma firme e regular, e hoje é um gigante mundial. Há algumas décadas, estávamos no mesmo nível da China e Índia no setor espacial, mas hoje ficamos muito para trás. A Finep, no ano passado, liberou R$ 1 bilhão ao setor, mas o orçamento anual da AEB é de apenas R$ 100 milhões.
O investimento, como o da Finep, precisa se manter regular para que as empresas não entrem em falência como já ocorreu no passado. Isso porque a iniciativa privada tem um grande papel nessa corrida, vide o exemplo da SpaceX, que se tornou girante porque teve desde o início — e ainda tem — forte investimento governamental.
Um dos pontos importantes a considerar é a confusa governança ligada ao setor espacial no Brasil. Temos muitos programas e projetos ligados a várias instituições governamentais diferentes que dificultam uma integração e uma visão conjunta a longo prazo. O investimento acaba se dispersando.
Digo isso porque é importante o Brasil não ficar excessivamente dependente de tecnologia espacial de outros países. Temos que ter uma constelação de satélites de monitoramento do meio ambiente e satélites meteorológicos para dar suporte ao nosso agro, entre outras demandas. Agindo desta forma, vamos fortalecer nossa indústria nacional e com isso torná-la competitiva para exportar seus produtos e serviços. Assim, poderemos passar de fracos coadjuvantes para protagonistas, de fato, da nova conquista espacial.
Emerson Granemann, CEO da MundoGEO e idealizador da feira SpaceBR Show
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
https://www.facebook.com/groups/portalnacional/
<::::::::::::::::::::>
IMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte... www.segs.com.br
<::::::::::::::::::::>
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar e sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
<::::::::::::::::::::>

Adicionar comentário