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Como o antigo governador holandês de Recife ajuda a atrair turistas à cidade

Como o antigo governador holandês de Recife ajuda a atrair turistas à cidade Créditos da Imagem: divulgação

Ponte Maurício de Nassau, no centro de Recife, é um dos cartões-postais da cidade por causa de uma história curiosa

A história mais curiosa sobre o período em que João Maurício de Nassau, governador das possessões holandesas no “Novo Mundo”, esteve à frente do Recife, diz respeito a uma farsa que muitos brasileiros passaram anos acreditando - e que hoje faz parte da lendária vida da capital pernambucana contada aos turistas que inundam a cidade por causa dos pacotes de viagens de verão.

A história é sobre um suposto boi que teria voado sobre o Rio Capibaribe, um dos principais da cidade, no dia da inauguração do que seria registrada como a primeira ponte construída em solo brasileiro - a hoje conhecida Ponte Maurício de Nassau.

Antes, a história da ponte: feita ainda no século 18 para conectar a antiga ilha de Recife à ilha de Santo Antônio, hoje bairros da capital, teve um simbolismo fundamental para o desenvolvimento da indústria açucareira nordestina e para o crescimento de Pernambuco em um território dominado pelos portugueses.

Maurício de Nassau resolveu construí-la depois de receber pressões constantes de empreendedores europeus interessados em ligar as regiões da cidade com a Mauritsstad (Cidade Maurícia), hoje o centro de Recife. Em 1641, enfim, o arquiteto português Balthazar da Fonseca ganhou o direito de erguer a ponte em dois anos. Ele aproveitaria o alicerce que o próprio governo holandês colocou sobre o rio meses antes.

Fonseca, no entanto, faliu durante a construção, deixando Nassau em maus caminhos: como não tinha dinheiro sobrando nos cofres públicos e não podia sinalizar fracasso algum aos portugueses, de quem as terras tinham sido tomadas, ele resolveu usar madeira - material mais barato no Brasil da época - para levantar o que faltava da ponte. Em fevereiro de 1644, um domingo, passou a ser possível cruzar Recife à Cidade Maurícia seco.

"Era a primeira ponte de grande porte construída na América Latina e, além disso, tinha uma parte levadiça para a passagem de embarcações na parte de baixo, o que era um feito notável para a engenharia da época", conta o historiador pernambucano José Luna.

Apesar de ter salvado a própria pele e a da governança holandesa no Brasil, Nassau gastou mais dinheiro do que podia, e precisou reaver as receitas de alguma forma. Segundo relatos encontrados do frei Manuel Calado, português estabilizado na Cidade Maurícia, foram gastos 90 mil cruzados na obra, valor altíssimo para os padrões daquele período.

Então, veio a história do boi: Nassau resolveu que cobraria um tipo de “pedágio” de duas placas de ouro para quem quisesse cruzar a ponte recém-construída no domingo de sua inauguração. Os pagadores, porém, teriam um retorno: a apresentação de um animal voando de um lado ao outro do Capibaribe. Segundo o banco histórico de Recife, 1.500 florins foram coletados por Nassau com a ideia.

O livro Valeroso Lucideno e triumpho da liberdade, escrito por Manuel Calado em 1648, é a única fonte direta daquele domingo de fevereiro. Nele, o frei conta que Nassau mandou matar um boi para servir de almoço aos membros do Conselho holandês, mas pediu para lhe preservar a pele. Depois do almoço, ordenou que a carcaça do animal fosse preenchida com plantas e fosse colocada no alto de um prédio. Para despistar a multidão, pegou outro boi de um fazendeiro local, e o exibiu aos presentes do mesmo terraço.

"Então, tiraram o outro couro de boi cheio de palha e o fizeram vir voando por umas cordas com um engenho, e a gente rude ficou admirada, e muito mais a prudente, vendo que com aquela traça ajuntara ali o Conde de Nassau tanta gente para a fazer passar pela ponte, e tirar aquela tarde grande ganância", diz o relato.

"Foi um espetáculo que marcou a história da Cidade Maurícia", conta a historiadora Regina Machado, da Fundação Joaquim Nabuco. "O público que assistiu ficou de boca aberta e aplaudiu como uma grande peripécia mesmo. Maurício de Nassau ficou conhecido e admirado por todos pela sua criatividade e astúcia", completa. Segundo o Diário de Pernambuco, a história se tornou parte da mística pernambucana.

A ponte, que se tornaria um marco da presença holandesa no Brasil, teve três nomes diferentes e passou por uma última reforma em 1917, já com o nome do governador que a construiu séculos antes. Um dos principais cartões-postais de Recife, é visitada por todos os turistas que chegam à capital pernambucana. Neste ano, ela completa seu primeiro centenário enquanto é alvo de vândalos e avarias de monumentos e na própria construção.


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