Brasil, 19 de Janeiro de 2020

TOKIO MARINE SEGURADORA

Conhecer para reinventar: a estratégia do mercado financeiro na era da Transformação Digital

B3 e Bitblue demonstram que mesmo empresas de base tecnológica precisam inovar sempre para transformar ameaças em oportunidade

A possibilidade de uma nova tecnologia surgir de repente e causar disrupção é um fator de preocupação que atinge desde empresas centenárias até startups, mas existe uma forma de dormir razoavelmente tranquilo em relação a isso – justamente não ignorar o fato de que isso pode acontecer. Assim, as empresas mantêm o radar ligado e ao invés de serem surpreendidas por uma ameaça, podem acabar descobrindo grandes oportunidades.

Esta foi a principal constatação do painel “As tecnologias de amanhã nos dias de hoje”, realizado no auditório do CESAR, centro de inovação de Recife, na HSM Expo 2019. O debate contou com a participação do diretor de Novos Negócios e Inovação da B3 Rodrigo Ferreira e de Rafael Palermo, da corretora de criptoativos Bitblue. Afinal, “transformação Digital também deve fazer parte do vocabulário das empresas estruturadas sobre forte base tecnológica”, conforme destacou o gerente de projetos do CESAR Fabio Maia, moderador do debate.

Fabio Maia, do CESAR, Rafael Palermo, da BitBlue, e Rodrigo Ferreira, da B3 (Foto: Rodrigo Rodrigues/Divulgação)

De acordo com Ferreira, o monitoramento das novidades do mercado é uma prática consolidada na B3. “Temos uma área dedicada a observar e identificar oportunidades. Um laboratório com 10 a 15 pessoas que mapeiam as principais ferramentas que estão surgindo e tentam encontrar sinergia entre elas e a nossa atuação”, disse.

Em 2015, quando já se falava muito sobre blockchain, por exemplo, a Bolsa acompanhava de perto o assunto e num determinado momento a decisão foi por participar do consórcio R3 para que, junto com outras instituições ao redor do mundo, a organização pudesse estar envolvida na geração de casos de uso com essa tecnologia.

“Hoje podemos dizer que a B3 tem o domínio do uso desta tecnologia. Sabemos que ela pode ser usada em algumas aplicações da nossa operação, mas não vemos a necessidade e nem a urgência de migrar toda nossa estrutura para o blockchain”, disse. Atualmente, a Bolsa estuda machine learning e Inteligência Artificial. “Temos um centro de excelência para identificar onde podemos aplicar estas tecnologias dentro dos nossos clientes e dentro da própria B3”.

De acordo com o executivo, a organização mapeia mais de 50 oportunidades. Outros focos de atenção são Internet das Coisas e Realidade Aumentada. “Identificamos nessas tecnologias um forte potencial para criar soluções que nos ajudem a atrair mais pessoas físicas para a Bolsa”, revela.

A estratégia da corporação estabelece como critério a escolha de duas ou três oportunidades para serem exploradas de uma forma mais prática, com prototipagem e interação com os clientes. “Hoje nós conseguimos ter uma visibilidade a respeito das inovações que podem surgir. Fazemos estudos e avaliamos a aplicabilidade das tecnologias para a indústria. Desta forma elas acabam sendo vistas mais como oportunidades do que ameaças”, conclui.

À frente do jogo

Da mesma forma como podem ser impactadas pelo surgimento de uma nova tecnologia, as empresas podem inverter o jogo e criarem elas mesmas novas tecnologias que podem impactar o mercado.

De acordo com Rafael Palermo, a Bitblue tem buscado esta via. A empresa desenvolveu uma solução de pagamentos em forma de maquininha de cartão que permite a todo tipo de estabelecimento do país receber criptoativos como forma de pagamento. Outra aposta da companhia é um hard wallet ledger, dispositivo que pode ser usado para aumentar a segurança em operações de autenticação. “A tecnologia permite otimizar muitos processos, mas a transformação digital se trata, principalmente, de melhorar a experiência dos usuários”, pondera.

O blockchain é uma tecnologia que vai muito além da criptomoeda em si, e pode servir de catalisadora para uma série de serviços financeiros. “Grande parte da população brasileira ainda é desbancarizada e cerca de metade das transações no país são feitas ainda em espécie. A moeda em papel, contudo, é muito cara de manter, produzir, garantir segurança. A tendência pela digitalização da moeda segue forte e as novas tecnologias podem atuar como aceleradoras desse processo”, afirma Palermo. Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela que 45 milhões não possuem conta bancária, mas movimentam anualmente mais de R$ 800 bilhões.

“A transformação digital já está aí e é para todo mundo. Se a empresa já viveu 160 anos ela tem que se preparar para os próximos 160. Por isso, não pense em falhar rapidamente, mas sim em aprender muito rapidamente. Assim a empresa vai se adaptar melhor e conseguir sobreviver”, concluiu Eduardo Peixoto, Chief Design Officer do CESAR.



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