Brasil, 22 de Setembro de 2019

TOKIO MARINE SEGURADORA

Não é preciso esperar por um romance de suspense neste verão, a realidade dos mercados irá bastar

  • Escrito ou enviado por  Angélica Consiglio
  • Adicionar comentario
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

Por Didier SAINT-GEORGES - Administrador Executivo e membro do Comitê de Investimento Estratégico

Se você acompanha os mercados financeiros, irá concordar que não se pode chamá-los de entediantes. É verdade que, até o início dos anos 1970, a maioria das pessoas - exceto especialistas - via esses mercados apenas por curiosidade. Particularmente na Europa, o setor financeiro tinha pouca força em comparação com a economia real, e o conservadorismo dos banqueiros era igualado apenas pela disciplina rigorosa dos investidores institucionais. O sistema financeiro internacional resultante da conferência da Bretton Woods, cujo 75º aniversário é celebrado neste verão, ofereceu às economias do "mundo livre" toda a estabilidade de que necessitavam. No entanto, essa estabilidade acabou sendo vista como um espartilho insuportável e, a partir de 1973, o sistema de taxas de câmbio fixas se desfez, o papel oficial do ouro desapareceu e o dólar começou a flutuar fortemente. Iniciou-se, então, a grande aventura dos mercados financeiros, ampliada pelo processo de desinflação e de "financeirização" da economia nos anos 1980-1990, que permitiu um financiamento sem restrições dos sonhos tecnológicos mais exuberantes – até que a bolha do mercado de ações estourou em 2000. Como, então, os mercados financeiros dominavam os supremos, os banqueiros centrais foram forçados (sem admitir abertamente o mesmo) a se concentrar em conter o vazamento para a economia real de tais bolhas financeiras, , reduzindo cada vez mais as taxas de juros e alimentando a criação da bolha seguinte.

Quando a gigantesca bolha do crédito estourou em 2008, os bancos centrais decidiram reduzir ainda mais as taxas de juro, além de intervir com uma criatividade sem precedentes. Os mercados financeiros logo ficaram agitados mais uma vez. A década de 2009-2019 foi, para os mercados de ações, o mais formidável na memória de qualquer investidor de capital vivo, ao mesmo tempo em que as taxas de juros continuaram caindo.

O que era impensável há apenas alguns anos, tornou-se a norma. O que era absurdo, tornou-se a regra. Atualmente, os mercados estão dispostos a pagar ao Estado francês para lhe conceder empréstimos a 10 anos, o que nem sequer constitui uma aberração estatística, pois 13 mil milhões de dólares em obrigações em todo o mundo apresentam taxas de juros negativas. E, como os bancos ainda não ousaram cobrar aos seus clientes pelas contas credoras, os particulares apenas veem vantagens nesta situação de taxas hipotecárias historicamente baixas. As empresas também estão desfrutando de condições de contração de empréstimos sem precedentes, mas, sem confiança no crescimento econômico, esse benefício reforça mais os investimentos financeiros do que os investimentos produtivos.

E uma das sagas deste verão para os mercados terá novamente por tema a enésima próxima etapa de "flexibilização monetária" pela Reserva Federal norte-americana e pelo Banco Central Europeu. Os apelos ao exagero já se fazem ouvir: deverá o BCE retomar as suas compras de obrigações soberanas, bem como alargá-las às ações? Será que Mario Draghi, presidente cessante do Banco Central Europeu, vai apostar tudo para tentar relançar o crescimento e as previsões de inflação uma última vez? Cabe destacar que os banqueiros centrais ainda não desvendaram o segredo da ausência de inflação hoje. Este mistério, certamente, ainda manterá os economistas investigadores ocupados este verão. Como é possível, que mesmo nos Estados Unidos, que quase regressaram a uma situação de pleno emprego com aumentos salariais com efeito multiplicador, as previsões de inflação não estejam a começar a aumentar, conforme previsto? Será que o efeito deflacionista da globalização, a disseminação de empregos informais e desqualificados nos Estados Unidos e a "Amazonificação" da distribuição anularão os esforços dos bancos centrais? Será uma solução o fato de que o consumidor “podoroso” agora pode impor preços baixos, obrigando as empresas a incorporar os custos dos aumentos salariais nas suas margens de lucro?

Em caso afirmativo, a pressão sobre as margens só fará diminuir ainda mais os baixos gastos de capital das empresas, tornando assim o crescimento anêmico uma característica duradoura da economia global. É, provavelmente, este receio que encoraja os Estados Unidos a utilizar a sua relação de força com os seus parceiros comerciais para obter a maior fatia possível de um bolo global de atividade econômica em declínio.

Aliás, atualmente, não restam quaisquer dúvidas para os mercados: o posicionamento extremo dos investidores nos títulos de crescimento e nas obrigações revela uma resignação unânime numa economia sem garra, uma inflação sem futuro e taxas de juros baixas para sempre. Talvez seja por isso que este verão poderá reservar-nos uma surpresa, pois, como dizia Sherlock Holmes: "Não há nada mais enganador do que um fato óbvio". O suspense continua.

Sobre a Carmignac

Fundada em 1989 por Edouard Carmignac e Eric Helderlé, a Carmignac é uma das principais gestoras de ativos da Europa. O capital da empresa é integralmente detido pelos seus gestores e funcionários. Essa estrutura acionária estável assegura a viabilidade da companhia para o futuro, e reflete seu espírito de independência. Esse valor fundamental garante a liberdade necessária para uma gestão bem-sucedida a longo prazo. Com mais de € 60 bilhões* de ativos sob sua gestão, a Carmignac desenvolveu uma gama de 17 fundos de investimento que cobrem todas as classes de ativos – ações, títulos e diversificados –, de forma a poder responder às expectativas dos investidores. Os fundos são comercializados ativamente em 11 países europeus: França, Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Itália, Alemanha, Espanha, Holanda, Áustria, Suécia e Reino Unido. Como parte do seu desenvolvimento internacional, a Carmignac possui filiais em Luxemburgo e Frankfurt, além de escritórios em Madrid, Milão e Londres. Seus fundos estão igualmente registrados em Singapura e Taiwan e destinam-se aos investidores profissionais. Para mais informações, acesse: www.carmignac.com


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...: https://www.facebook.com/groups/portalnacional/

Separador
IMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte...  www.segs.com.br
Separador
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar que voce sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta totalmente automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
Separador

Adicionar comentário
Aja com responsabilidade, aos SEUS COMENTÁRIOS em Caso de Reclamação, nos reservamos o Direito, a qualquer momento de Mudar, Modificar, Adicionar, ou mesmo Suprimir os comentarios de qualquer um, a qualquer hora, sem aviso ou comunicado previo, leia todos os termos... CLIQUE AQUI E CONHEÇA TODOS OS TERMOS E CONDIÇÕES DE USO. - O Nosso muito obrigado - Esta ferramenta é automatizada...Sucesso!


voltar ao topo

Notícias ::

NEWSLETTER SEGS