De vilão a mocinho: Secretaria fomenta cultivo sustentável do pimentão para a natureza e o produtor saírem no lucro

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O pimentão faz sucesso na culinária e é saboroso também para o bolso do produtor rural. Sempre foi tido como um vilão no ranking de resíduos de defensivos agrícolas – uma realidade que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo vem mudando com o uso de controle biológico e a produção sustentável em substituição ao sistema convencional de cultivo por meio de trabalho da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS).

Conhecida como Produção Integrada do Pimentão (PIP), a metodologia integra um programa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que visa a produção de alimentos de alta qualidade mediante o uso de recursos naturais e de mecanismos reguladores para minimizar o uso de insumos e contaminantes pela integração de diferentes práticas de manejo, assegurando uma produção agrícola mais sustentável.

“Nos últimos anos, o pimentão tem sido considerado o grande vilão da horticultura brasileira devido à contaminação dos frutos com resíduos de agroquímicos. A necessidade de produzir pimentões de alta qualidade e seguros para o consumo é um dos maiores desafios dos produtores desta olerícola no Brasil”, conta o agrônomo Sílvio Carlos dos Santos, responsável pela Casa da Agricultura de Itápolis, vinculada à Regional de Jaboticabal da CDRS.

Um dos incentivadores da produção desta hortaliça, principalmente no sistema integrado, ele aponta que “neste cenário, a Produção Integrada (PI) será de grande importância para a organização da cadeia produtiva do pimentão, melhoria da eficiência dos processos agrícolas e controle de todas as etapas da produção, desde o campo até o consumidor final. Já estamos conseguindo, na região, redução de até 50% de aplicação de insumos químicos”.

A rotatividade no setor é alta, e muitos produtores abandonam a atividade, devido ao manejo inadequado do solo, da água, e consequente salinização do mesmo, em função da falta de consulta à assistência técnica especializada. Para reverter este cenário, a Secretaria disponibiliza capacitações e assessoria técnica. Com a assinatura de protocolos de intenções com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e a implantação da rastreabilidade dos alimentos, muitas oportunidades irão surgir no mercado de hortifrutis.

A orientação é para que os produtores rurais se adequem rapidamente às normas, automatizem ao máximo o seu manejo, ganhem escala de produção, se unam a cooperativas; ou se integrem a empresas atacadistas para superar as dificuldades e conseguir continuar atuando nesse novo mercado.

A hortaliça é cultivada na maior parte do Brasil, tendo como principais Estados produtores Minas Gerais e São Paulo. A área plantada com pimentão no Estado (2018) era 2.560,42 hectares com uma produção de 9.487.057,00 caixas de 12 kg, ou seja, 113.844,7 toneladas. São mais de 2.900 unidades de produção em 288 municípios. As principais regiões produtoras são: Itapeva, Itapetininga, Mogi das Cruzes, Campinas e Sorocaba respectivamente.

E você sabia que os pimentões verde, amarelo e vermelho são da mesma espécie, a diferença é que elas foram colhidas em tempos de maturação diferentes? O que muda são os estágios de maturação, o verde é o inicial, depois ele fica amarelo e então se avermelha. E cada fase tem nutrientes diferentes: o vermelho tem mais zinco e vitamina A, o amarelo tem excelentes concentrações de vitamina C. Já o verde tem essa vitamina, mas em menor quantidade, pois quanto mais tempo no pé, mais nutrientes o pimentão acumula.

Bom para o bolso

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esdalq/USP), os principais Hortifrutis comercializados no Brasil tiveram um faturamento anual de R$ 22 bilhões, segundo a média apurada no período de 2015-2017, e o pimentão no ranking de faturamento das hortaliças figurou como o sétimo colocado, com um valor de R$ 574 milhões, o que evidencia a sua importância econômica.

A produção de pimentão em estufa foi uma das culturas que mais cresceram na última década, em detrimento do pimentão verde cultivado no campo, em função da preferência e aceitação do mercado consumidor; da maior produtividade (chegando a 3 vezes mais quando comparada a do pimentão verde), pelo maior preço e melhor qualidade do produto final.

“O pimentão verde tem o comércio bem inferior em virtude de seu sabor mais acentuado, das propriedades indigestas e da preferência do consumidor pelo amarelo ou verde. Como a produção é menor, os produtores não investem muito nesta variedade e dão mais valor aos coloridos”, explica Fabiana Gouvêa, diretora da CDRS Regional Jaboticabal.

Em 2006, o preço médio de venda, de uma caixa de pimentão colorido, fechou em R$14,50, enquanto em 2017, o preço médio foi de R$ 35,00, um acréscimo de 141%, com um aumento 12,8% ao ano, e mesmo descontando o aumento do custo de produção, demonstra ser um bom negócio, para o pequeno produtor.


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