Paraná recebe primeira edição do Fórum Regional de Inovação Agropecuária

Evento promovido pelo Mapa apresentou novas tecnologias e debateu oportunidades de inovação para o campo

Evento antecedeu a abertura da Digital Agro, feira promovida pela Frísia Cooperativa Agroindustrial. Na foto, Emerson Moura, superintendente da Frísia. Créditos: Rodrigo Covolan.

O 1º Fórum Regional de Inovação Agropecuária promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi realizado na manhã dessa terça-feira (11), em Carambeí (PR). Esse foi o primeiro de 40 fóruns regionais que terão como objetivo propor pautas a fim de favorecer a prática da inovação no campo e a imagem do Brasil como agregador da produção. Essas pautas serão reunidas e discutidas em um fórum que acontecerá em Brasília no primeiro semestre de 2020.

Painéis e debates

Com uma programação que abrangeu toda a manhã, o evento foi dividido em três painéis. O primeiro painel, mediado pelo secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Fernando Silveira Camargo, discutiu “Diretrizes para promover o ambiente regional de inovação”. O conselheiro agrícola da Embaixada do Reino dos Países Baixos, Bert Rikken, abriu o painel e apresentou o ecossistema holandês de inovação no agronegócio.

Já o gerente de Inovação do Sistema Fiep (Federação da Indústrias do Estado do Paraná), Filipe Cassapo, falou sobre os ecossistemas de inovação criados pela entidade e os desafios de, com o auxílio da tecnologia, aliar produtividade e responsabilidade. “Por isso é tão importante fomentarmos cada vez mais o ambiente de inovação tecnológica, com incentivo às startups, investimento em pesquisa e big data, os estudos do futuro”, comentou Cassapo.

Julio Cezar Agostini subiu ao palco do Fórum representando o Sebrae-PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). O diretor de Operações apresentou o cenário de inovação na cidade de Ponta Grossa, que conta com mais de 340 “agentes inovadores”, incluindo instituições, empresas inovadoras e startups. Agostini também mostrou o trabalho de planejamento do ecossistema de inovação que vem sendo realizado pela instituição para fomentar e incentivar ambientes inovadores na região dos Campos Gerais, incluindo as cidades de Ponta Grossa, Carambeí, Palmeira e Castro.

O pró-reitor de Relações Empresariais e Comunitárias da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Douglas Renaux, que fechou o primeiro painel, destacou as universidades como ambientes promotores de inovação. Para ele, “o Brasil precisa aprender a passar pelo ‘vale da morte’, etapa do processo de maturidade tecnológica em que o setor de pesquisa não consegue se conectar ao setor produtivo”.

O segundo painel do Fórum, intitulado “Demandas regionais de inovação para a agropecuária”, também foi mediado por Filipe Cassapo. Nelson Costa, superintendente de inovação do Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), apresentou o Programa de Inovação criado pela entidade a fim de incentivar projetos inovadores dentro das próprias cooperativas. Criado no primeiro semestre de 2018, o programa já conta com soluções efetivas nas áreas de crédito, saúde e agronegócio.

O superintendente da Frísia Cooperativa Agroindustrial, Emerson Moura, pontuou as principais demandas dos produtores rurais brasileiros, como o acesso à informação e maior conectividade no campo, a gestão integrada da propriedade e o acesso a uma linha de crédito voltada exclusivamente para inovação, ressaltando o cenário das mudanças climáticas. “Nesse contexto de restrição de recursos naturais, elevar a produtividade sem expandir a área de produção será uma demanda cada vez mais frequente e, para isso, precisamos de investimento e incentivo”, ressaltou. Moura também destacou a importância das cooperativas em relação à implantação prática dessas inovações, já que reduzem riscos para o produtor ao mesmo tempo em que têm credibilidade para testar novas ferramentas.

Já o chefe-adjunto de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Sergio Gaiad, focou nos obstáculos enfrentados pelo setor, passando pela dificuldade de aproximação com o setor produtivo e de financiamento nesse campo. O diretor geral do campus de Pato Branco da UTFPR, Idemir Citadin, destacou as ferramentas de inovação da instituição e como elas têm atendido às demandas do agronegócio no sudoeste do Estado.

O terceiro e último painel do evento, mediado pelo coordenador-geral de articulação para inovação da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do MAPA, Benedito João Gai Neto, debateu os "Desafios e oportunidades para desenvolver e implantar inovações na agropecuária regional". O líder de inovação da Bosch em Curitiba, Daniel Lange, apresentou o cenário de transformação da multinacional, que decidiu desenvolver estratégias de inovação a partir da criação de times multifuncionais. “Decidimos focar no modelo de negócio, para assim agregarmos benefícios para a demanda local. Um exemplo disso é o desenvolvimento de soluções focadas na mobilidade do agronegócio aqui no Paraná”, explicou.

Em “4G Tim no Campo – Tecnologia de Conectividade”, Leandro Guerra apresentou o panorama atual da conectividade no meio rural e ressaltou as dificuldades econômicas para a sua expansão. O diretor de Relações Internacionais da Tim também apresentou o ConectarAGRO, iniciativa apoiada por diversas empresas que busca democratizar o acesso à internet nas regiões agrícolas do País.

O CEO da Brazilian Trade, Rafael Ortolan, palestrou sobre a inovação tecnológica de comunicação para o agro e as ferramentas desenvolvidas pela empresa que podem potencializar os resultados no agronegócio. “Fazendas digitais custam menos e vendem mais”, comentou. A líder para Desenvolvimento e Implementação das Soluções da Airbus Intelligence, Esther Querat, encerrou a programação do evento falando sobre o aumento da produtividade na agricultura com informações das imagens recolhidas em satélites e outras tecnologias da agricultura de precisão. “Com o fornecimento de dados locais, conseguimos tornar o agronegócio brasileiro mais estratégico e competitivo”, reiterou.

Sobre a Frísia Cooperativa Agroindustrial

Fundada em 1925, a Frísia é a cooperativa mais antiga do Paraná e segunda do Brasil. Localizada na região dos Campos Gerais, tem sua produção voltada ao leite, carne e grãos, principalmente, trigo, soja e milho. A cooperativa é resultado da união do trabalho de todos os cooperados e colaboradores; da diversificação da produção, englobando a produção leiteira, de grãos e de proteína animal; e da alta qualidade do que é feito e comercializado, com animais de excelente genética, rastreamento e investimento em tecnologia, infraestrutura e mão de obra. Os valores da cooperativa são Fidelidade, Responsabilidade, Intercooperação, Sustentabilidade, Integridade e Atitude (FRISIA).

Sobre a Fundação ABC

A Fundação ABC é uma instituição de pesquisa agropecuária que realiza trabalhos para desenvolver e adaptar novas tecnologias, com o objetivo de melhorar as produtividades de forma sustentável aos mais de cinco mil produtores rurais filiados às cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, além dos agricultores contribuintes. O trabalho da fundação abrange uma área de 467,2 mil hectares, além de uma bacia leiteira de mais de 678 milhões de litros/ano. A instituição também realiza projetos de pesquisa com empresas privadas, por contratos de cooperação técnica, e mantém vínculos com empresas de pesquisa pública. A sede é em Castro (PR) e os cinco campos demonstrativos e experimentais ficam estrategicamente espalhados pela área de atuação.


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